Estava no busão de sempre, indo para o trabalho de sempre, em pé como sempre, quando reparei no senhor sentado na minha frente. Estava num daqueles bancos individuais, que os ônibus de hoje tem e, sinceramente, não consigo entender a lógica. Algum gênio deve ter concluido que não vale a pena colocar muitos bancos porque as pessoas preferem ficar de pé na condução… vai saber!
Como eu ia dizendo, antes de ser interrompido pelo meu desabafo de cidadão indignado, tinha um senhor de idade sentado no banco individual. Era praticamente calvo; aliás, logo notei a existência de muitos ferimentos no seu couro cabeludo. A pele era enrugada e cheia das marcas que vamos adquirindo com o passar do tempo. Mas foi o comportamento do homem que chamou a minha atenção: ele falava sozinho. Não, não era simplesmente falar sozinho…
Existia todo um cerimonial no ato do homem falar sozinho. Ele olhava para o lado da janela e falava bem baixinho e rápido. Agia como se estivesse conversando com um amigo imaginário. E ele repetia o ritual várias vezes. Em outro momento, pegou de dentro do paletó um óculos, com lentes grossas, colocou-o e, mesmo assim, precisou aproximar o relógio bem perto para poder enxergar as horas. Parecia muito ansioso para chegar no seu destino.
O engraçado dessa história é que o seu amigo imaginário parecia não concordar muito com suas idéias. Depois de olhar para a janela, voltou o rosto pra frente e balançou a cabeça indignado. O rosto do homem exibia uma grande tristeza. Fiquei com a impressão que aquele senhor idoso era alguém muito solitário. Mesmo assim, a história me inspirou na criação de uma piadinha:
- Você sabe qual é o cúmulo da solidão?
- É quando até o seu amigo imaginário não concorda contigo.
É bom deixar claro que tenho o mais absoluto respeito pela maluquice alheia, pois quero que respeitem as minhas maluquices. Apenas não quis perder a piada. Aliás, o velho me lembrou de pelo menos duas outras pessoas que eu conheci com esse hábito.
A primeira não é bem uma conhecida, mas era uma senhora que costumava freqüentar a igreja na época da minha primeira comunhão (sim, leitor, este herege que vos escreve foi catequisado…). Ela tinha a aparência de moradora de rua; cabelos desgrenhados e olhar distante. Entrava na igreja, sentava em um dos bancos e ficava lá falando sozinha. Mas, diferente do senhor do ônibus, ela me passava uma sensação boa. Sorria fácil. Talvez, o seu amigo imaginário fosse mais gentil.
Com a segunda pessoa, tive um contato mais próximo. Era uma empregada que trabalhou lá em casa. O hábito de falar sozinha também tinha algumas características peculiares; como a de discutir com o seu material de trabalho. Quando o rodo, por exemplo, caia na lavanderia ela não perdoava e dava uma bronca no pobrezinho. Certa vez, ouvi um comentário hilário enquanto a dita cuja passava roupa:
- É, quem mandou não casar com um marido rico… Agora fica aí ralando, trabalhando feito uma camela… Bem feito!
Pensando bem, não sei se é muito correto fazer piada com a solidão/maluquice alheia. Confesso, leitor: uma das minhas grandes fobias é terminar os meus dias na mais absoluta solidão. Sem amigos, mulher, filhos, família; desprezado por todos, na melhor das hipóteses, em alguma casa de repouso; na cenário mais tétrico, como um mendigo, sem saber direito nem quem eu sou. O homem é um animal gregário, mas devo dizer que eu tenho alguma dificuldade em me agregar na sociedade. Se o pior acontecer, espero que o meu amigo imaginário tenha, pelo menos, a delicadeza de concordar com todas as minhas opiniões.
Escrito por Marcelo Martins
Escrito por Marcelo Martins
Escrito por Marcelo Martins 
Nada mais elegante que iniciar o dia tomando um delicioso champanhe no café da manhã. O dia começa colorido e feliz. A gente até esquece que nasceu no Brasil… Mas não adianta nada se a bebida for nacional ou vier de qualquer outra região que não à França. Se você também cultiva esse hábito, entre na nossa comunidade. Aqui trocaremos muitas idéias sobre as melhores marcas da bebida. Ah, já ia esquecendo: nada de pão com manteiga para acompanhar, claro. O ideal são brioches. Franceses, de preferência.
O excelentíssimo magistrado Gilmar Mendes honra, de fato, a sua toga e a justiça brasileira. Com muita coragem, não atendeu aos apelos da turba enfurecida e concedeu habbeas corpus ao D. D. É um homem de grande coragem e dignidade. Poderia, inclusive, acumular as funções de presidente da república e do STF e, se quiser, teria o nosso apoio para assumir o congresso e o senado federal. Se sobrasse tempo, poderia ser governador de São Paulo. Seria um sonho.
Minha gente, este site é uma ótima oportunidade para a gente poder desabafar contra as nossas empregadas!!!!! Sim, vamos contar todos os podres delas, vamos rir de suas manias, elas não poderão ler mesmo! hihihihihihihihi… Também podemos trocar conselhos sobre como agir em situações incômodas, como quando elas pedem aumento… Ou quando querem trazer os seus filhos para passar o fim de semana em nossa casa… e tantos outros momentos chatos… hihihihi Vamos esculhambar com elas, moçada!
Ela construiu uma butique de luxo e despertou a inveja alheia. No Brasil, as pessoas não podem fazer sucesso, ganhar dinheiro que despertam os piores sentimentos nesse povinho medíocre. Só isso explica a atitude da polícia federal que prendeu essa distinta dama da sociedade paulistana. Tadinha… Algemaram ela, colocaram-na num camburão como se fosse uma favelada, fizeram acusações infundadas, transformaram sua vida num terrível inferno. Alguém, em sã consciência, consegue imaginar ela, uma dama, deixando de pagar os seus impostos? Puro absurdo! A verdade é que os ricos no Brasil são perseguidos e humilhados! Até quando isso?
Esses dias eu li numa revista científica que o lagarto colorido da Groelândia está correndo risco de extinção. Fiquei muito preocupado. O que será do mundo sem o lagarto colorido da Groelândia? Nessa reportagem, diz que só restam quatro exemplares da espécie, todos eles fêmeas. É preciso de um macho para a reprodução. Os cientistas estão pensando em iniciar uma expedição em busca do tão desejado macho. Mas, para isso, precisam de muito dinheiro. Acho que a gente poderia se mobilizar por essa causa, hein? Acho justíssima. Estou pensando em organizar um leilão em benefício do lagarto colorido da Groelândia.
