Arquivos

Archive for abril \24\UTC 2011

Ursinhos carinhosos – 1º Capítulo

Este é o primeiro capítulo de uma série de três que o Ideias e etc publicará a partir deste domingo. Esta é uma experiência que eu sempre quis fazer na web: folhetim. Este é um texto bem diferente dos costumeiramente publicados por aqui, é uma ficção com humor. Eu me diverti muito escrevendo e espero que você se divirta lendo. Não deixe de comentar. Sua opinião é muito importante. Muito obrigado! Agora, eu deixo vocês na companhia do Urso…

*****

O meu apelido é Urso. O nome de batismo pouca gente conhece ou lembra. Melhor assim, pois é uma criação tenebrosa de minha mãe. O monstrengo é a misturas das sílabas do nome de meu pai, do avô materno e de um tio distante. Tudo isso com dois “y” no meio. Durante muito tempo, trabalhei como animador de festa de crianças. É possível conhecer muito da alma humana exercendo esse ofício. As descobertas, infelizmente, não são muito boas.

O apelido surgiu por causa desse trabalho. Naquela época, o SBT exibia o desenho animado “Ursinhos Carinhosos” e eles se transformaram em uma verdadeira febre. As meninas só queriam saber desses seres esquisitões. O dono do Buffet resolveu criar uma festa temática usando os personagens. O conjunto da obra era o suprassumo da cafonice, mas ele estava pouco se importando. Costumava dizer: “O importante é o sorriso das crianças e os cifrões a mais no meu cofre. Principalmente os cifrões”. E arrotava alto.

O sujeito tinha pirraça comigo. Ele tratava mal os seus funcionários e eu nunca tolerei esse comportamento. Certa vez, um dos animadores fantasiados de Power Rangers – os personagens mudavam conforme a moda -, foi flagrado roubando um risoles, apenas um risoles! Foi o bastante para o homem passar um pito público no pobre coitado. Falou que o salgadinho não era pro bico dele. Só não foi demitido porque as crianças poderiam sentir falta do Power Rangers Azul.

Eu não aguentei. Tomei as dores do meu colega. Falei que era um absurdo ele dar aquele esporro por causa do salgadinho. O homem me olhou nos olhos e falou soltando uma chuva de perdigotos:

- Qualé, ô meu? Tá se sentindo super heroi só por que está vestido de Power Rangers? Se toca, cidadão!  E só uma coisa: não gosto de funcionário meu incomodado. Se não estiver satisfeito, a porta da rua é serventia da casa!

Preferi continuar no trabalho, afinal de contas estava precisando muito daquela merreca que ganhava. Minha vingança consistia em xingá-lo muito. Em pensamento e, baixinho, quando estava com a roupa dos personagens. Durante as festas, também aprontava. Esperava um raro momento de folga, ia até a cozinha e, aproveitando que o zelo com os alimentos não era muito grande, soltava algumas cusparadas dentro da garrafa de refrigerante de 2 litros. O leitor pode considerar minha atitude um pouco infantil, mas convenhamos: tudo naquele ambiente era infantil. Até a idade mental do dono do buffet…

Apesar desses pesares, gostava do meu trabalho de então. Fantasiado de Ursinho Carinhoso, dava para observar muito do comportamento humano; começando pelas próprias crianças. Era engraçado ver a reação delas quando aparecia os personagens. Ficavam com os olhinhos muito arregalados, quase sem piscar.

A maioria nutria um medo fenomenal da gente. Medo justificável. O dono do buffet não investia muito nas fantasias e nós ficávamos parecendo verdadeiras anomalias ambulantes. Para você ter uma idéia: os olhos do meu personagem eram vermelhos e um convidado sacana me apelidou de “Ursinho Maconheiro”. Era muito comum eu me aproximar de uma criança para brincar e ela imediatamente abrir o berreiro:

- Quero minha mããããããããããeeeeeeeeeee!

Ah, as mães… protagonizavam cenas bizarras. A  mãe do aniversariante se sentia a dona do pedaço. Mandava na gente mais que o dono do Buffet. Queria uma atenção especial para o seu rebento, transformá-lo em uma verdadeira estrela mirim. Depois, as crianças tornam-se esses pequenos monstros cheios de vontades, mimadas, sem nenhum caráter, para só então os pais se perguntarem onde foi que erraram.

Outra figura muito característica é a tia solteirona. Esse tipo humano tem verdadeira veneração pelo bebê alheio, sempre o acha a coisinha mais linda da face da terra. Adora crianças e é capaz de pagar qualquer mico para fazê-las sorrir. Cansei de dançar lambada com uma dessas tias gordas – geralmente são gordas, bem gordas -, além de outros micos indescritíveis que elas pagam felizes da vida. Sempre tive bastante simpatia pelas tias solteironas.

Mas um dia a festa sempre acaba… no meu caso, o fim do meu trabalho como animador de festa de crianças foi infeliz. O nosso calcanhar de Áquiles sempre foram os tios beberrões que, sem ter muito o que fazer, enchiam a cara e o nosso saco. Foi o que aconteceu. Num determinado dia, uma dessas figuras detestáveis resolveu se divertir às minhas custas. Nem bem chegou no aniversário e já mandou a primeira:

- Olha, crianças, eu não disse  que teria uns ursinhos viados na festa?

Fiquei em estado de alerta. Ele nem estava muito bêbado e já estava aprontando. Imagine quando começasse a entornar a cerveja, que tinha em grande quantidade. Como sempre, eu estava certo. Algum tempo depois, enquanto fazia um pequeno show musical, o tal homem continuou atazanando:

- Ei, ursão boboca, vê se rebola direito, caralho!  Rebola, urso, rebola!

Alguns pais recriminaram o sujeito por causa do palavrão, mas ele estava pouco se importando. Conheço bem o tipo. Eles querem aparecer, não importa se agradando ou infernizando. O nosso duelo final aconteceu enquanto eu observava algumas crianças brincando na piscina de bolinhas. Foi quando senti uma mão apalpando minha bunda. Senti o bafo de alcoól e aquela voz que já tinha provocado tanto:

- Peguei no teu fiofó, urso. Agora rebola, ursão, rebola!

Tentei resistir ao assédio educadamente:

- Me solta, senhor, estou trabalhando…

- Trabalhando, é? Desde quando se vestir como um urso viado é trabalho?

Por alguns segundos, consegui me afastar daquela situação insana do homem com as duas mãos apertando a minha busanfa e refletir. Comecei a pesar os prós e contras daquela vida que levava; pensei no salário que recebia, se era realmente feliz. Cheguei a conclusão que não. Recebia muito pouco para aguentar um pinguço grudado no meu cu. Aliás, por dinheiro nenhum eu toleraria essa situação. Foi quando virei outro animal, um cavalo, e dei um coice no infeliz. A força do golpe, somada com a lei da inércia, fez com que o homem desgrudasse de mim e quase desabasse em cima de umas crianças que faziam uns desenhos no rosto. Passou bem ao lado, numa cena digna de filme pastelão.

O homem levantou cambaleando, trançando as pernas e furioso. Gritava que iria me matar. Tente imaginar a cena, leitor. Um urso rosa trocando sopapos com um velho bêbado no meio de uma festa de crianças. Se o embate fosse unicamente com o pudim de cana, eu ganharia fácil. A fantasia de urso absorvia grande parte dos golpes que, graças as condições físicas do meu desafiante, eram naturalmente fracos. O problema é que logo surgiram uns parentes do beberrão e eles tinham porte de lutador de Jiu-Jitsu. Tomei a atitude mais lógica: corri feito um doido!

Enquanto corria, percebi que a violência tinha se espalhado pela festa inteira. Crianças brigavam com crianças; brigadeiros e cajuzinhos viraram mísseis teleguiados, adultos aproveitavam para tirar satisfação por ressentimentos antigos. Era possível sentir o ódio no ar. Felizmente, consegui entrar na sala onde os animadores se trocavam e tranquei a porta. O meu esconderijo durou pouco tempo. O dono do Buffet me delatou e logo cinco ou seis brutamontes estavam esmurrando a porta. Coloquei uma mesa para ajudar na resistência. Do lado de fora, ouvia:

- Nós vamos te pegar, seu desgraçado! Você não pode ficar para sempre escondido aí!

Era verdade. Cada murro ou pontapé fazia com que a frágil porta envergasse alguns centímetros. Era uma questão de tempo. Eu já podia ver o meu corpo sendo massacrado pelos brutamontes. Com essa aflição em mente, me acocorei num canto no fundo da sala e, mesmo não sendo nada religioso, rezei com um fervor de causar inveja no Papa. Mas parecia que ninguém ouvia minhas preces. A fúria dos golpes aumentava cada vez mais. Agora, já existia uma pequena fresta…  Bastou mais um chute para a porta ceder e a mesa voar longe.

[Continua...]

CategoriasCrônicas

Trajetória da Folha Dirigida é marcada por começo modesto

Por: Marcelo Martins, Eduardo Vasconcelos e Simone Lima

Antônio Steter fala da trajetória da Folha Dirigida.

Uma sala com 24 metros no centro do Rio e apenas três pessoas na equipe. Esse foi o começo do jornal Folha Dirigida fundado, em 1985, pelo jornalista Adolfo Martins que tem no currículo a criação da editoria de educação do Jornal dos Sports. Nesse periódico, Martins chegou a apresentar um projeto editorial de uma publicação voltada para concursos públicos. A direção não acreditou que a ideia fosse viável.

O jeito foi tentar o voo solo. A primeira edição, entretanto, indicava que o jornal encontraria muitas dificuldades. Dos 3.000 exemplares do primeiro número foram vendidos apenas 260 jornais. Aos poucos, após conversas com revendedores e jornaleiros, a publicação foi conseguindo se estabelecer no mercado. Hoje, a tiragem mensal é 1.768.000 de exemplares mensais e é vendida em 32.000 bancas. O grupo conta com publicações na área de turismo e realiza uma feira anual sobre carreira pública.

O jornal ser sediado no Rio de Janeiro não é mero acaso geográfico. Segundo o diretor da sucursal de São Paulo, Antônio Steter, o fato da cidade ter sido capital federal até o começo da década de 60 gerou um vínculo histórico com o funcionalismo público. “Você costuma ter dentro das famílias cariocas, um componente da família que já tenha trabalhado ou esteja trabalhando para o governo” Por ser mais industrializada, São Paulo não depende tanto do Estado. Mas esta situação está mudando “ Hoje, o jovem quando saí da faculdade não tem emprego. Enquanto que a carreira pública não depende de ele conhecer o patrão, de ele ser amigo de ninguém. Depende só dele”, garante.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.