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A bancada dos toscos (Ou: Pior que tá, pode ficar)

Vota no abestado, vota...

Tiririca, Simony, Ronaldo Esper, Kiko, Leandro, Maguila, Frank Aguiar, Marcelinho Carioca, Dinei, Juca Chaves, Mulher Pêra, Aguinaldo Timóteo, Romário, Tati Quebra Barraco, Netinho, o filho do Raul Gil, o marido da Mara Maravilha… este é o elenco de A Fazenda 3? Não, mas bem que poderia ser. Na verdade, essas figuras acima estão em busca de um cargo público nas eleições deste ano.

Este fenômeno, entretanto, não é recente. O próprio Aguinaldo Timóteo, que busca uma vaga para o Congresso Nacional usando como programa de governo sua amizade com Clodovil (?!!!!),  é um veterano nessa, digamos, carreira. O que parece ser novidade é a quantidade e, principalmente, a qualidade dos candidatos. Para pior, claro.

(Parêntesis: se tem uma propaganda que me irrita profundamente é a do marido da Mara Maravilha. No horário eleitoral, o sujeito fica calado deixando sua campanha aos cuidados de sua mulher. Quando ela fala, diz que se deve votar no seu esposo por ele ser um “servo de Deus”. Para início de conversa, o Estado brasileiro é laico, ou seja, o Brasil não tem nenhuma religião oficial. Depois, essa mistura de política com religião nunca deu muito certo. É a junção de uma escolha absolutamente particular – ter ou não ter uma fé religiosa -, com algo que é de interesse público, o processo eleitoral. Um completo absurdo. E o que dizer de um deputado que tem como mote de campanha a valorização do evangelho? Melhor fechar o parêntesis e voltar para nossa prosa)

Apesar dos pesares, é bom pensar um pouco antes de arremessar o tomate podre neles. Tiririca e companhia estão apenas usando de sua popularidade, em alguns casos bastante duvidosa, para conseguir a sua bocada dos cofres públicos. O raciocínio pode parecer cínico, mas ele só existe porque em outras eleições alguns desses candidatos foram eleitos com uma grande quantidade de votos. Os eleitores têm uma grande parcela de culpa nesse cartório.

Contudo, os grandes culpados por esse descalabro são os partidos políticos. Afinal, segundo a lei brasileira, só através deles alguém pode se candidatar numa eleição. E o cálculo político por trás dessa iniciativa é sórdido. Primeiro, essas celebridades são chamadas “puxadores de votos”, em outras palavras, sua função dentro do processo eleitoral é usar a sua popularidade para receber o maior número de sufrágios possível.

Para tanto, recebem números de fácil memorização. O Tiririca, por exemplo, é 2222 (pode anotar, se quiser…) O motivo? Simples. Graças ao bisonho quociente eleitoral, quanto mais votos um partido político receber mais chances de eleger deputados ele tem. E, caso tenha se entusiasmado e anotado o número do palhaço, saiba que as chances de você ajudar a eleger um mensaleiro é muito grande. É só reparar nos companheiros de partido de Tiririca…

E a pouca vergonha continua depois da eleição. Essas (pseudo) celebridades têm, com poucas exceções, um nível baixíssimo de cultura e de ensino. Não existe nessa afirmação nenhum intuito de diminui-los, é apenas uma constatação que torna ainda mais calhorda a atitude dos partidos políticos. Para você ter uma idéia, clique aqui e veja uma entrevista inacreditável com o Tiririca publicada na Folha.com. Ela fala por si só.

A primeira conseqüência desse baixo nível cultural é simples de entender: sem nenhuma noção sobre política ou sobre o funcionamento das casas legislativas, essas personalidades viram verdadeiros mísseis teleguiados nas mãos das raposas velhas da política, fantoches que serão utilizados para fazer valer os seus interesses. Sem falar que o debate público que, via de regra, não é lá muito produtivo, fica ainda mais medíocre.

Existe alguma solução para esse drama? O primeiro caminho mais óbvio, que seria simplesmente proibir a candidatura dessa fauna, me parece pouco democrático. Nossa constituição garante que todos podem votar e se candidatar e, apesar de tudo, essa ainda é uma das maravilhas da democracia.

Só existe uma maneira para remediar essa solução e ela está em você, leitor/eleitor. Sim, em você mesmo. Na sua consciência. Na hora de votar em um candidato tosco, pense duas vezes. Só quando essas figuras começarem a não conseguir mais se eleger é que os partidos políticos – os verdadeiros vilões desse dramalhão-, vão se tocar desse absurdo. Esse é um sonho utópico, sei bem disso. Talvez, só no longo prazo o brasileiro vai se tocar que não deve fazer piada com o seu voto.

Por enquanto, proponho uma brincadeira: vamos fazer um bolão para ver quantos e quais dos candidatos toscos elencados no primeiro parágrafo vão se eleger no dia 2 de outubro. Minhas apostas são: Tiririca, Ronaldo Esper, um dos KLB’s, não importa qual, Frank Aguiar, Aguinaldo Timóteo Netinho e Romário. Com a apuração encerrada, o Idéias e etc divulgará o resultado da brincadeira. Se nenhum deles se eleger, nós ganharemos um congresso um pouco menos esculhambado que o habitual; se eles se elegerem, nós vamos ganhar uma TV Câmara bem mais divertida que o costumeiro. Façam suas apostas!

Entidade surge para confrontar grande mídia

Altercom é fundada por sessenta empresários da imprensa alternativa em São Paulo. Associação reivindica divisão igualitária da verba pública

Altercom. Esta é a sigla da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação, entidade fundada em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 2010. A organização reúne sessenta empresários donos de jornais, revistas, editoras, sites e produtoras de vídeo da chamada imprensa alternativa.

O projeto ainda é embrionário, mas já tem objetivos bem definidos. Segundo Eduardo Guimarães, ativista político e um dos sócios-fundadores da Altercom, “a ideia é a de uma organização que seja o contraponto de outras da grande mídia, tal como Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão] e ANJ [Associação Nacional de Jornais] só que dando vez e voz à mídia dita alternativa”, explica.

A principal reivindicação da entidade está relacionada com a divisão das verbas públicas oriundas da propaganda do governo que, de modo geral, fica concentrada na grande mídia. Sem esse dinheiro, parte das publicações não conseguem sobreviver, pois os anúncios da iniciativa privada quase inexistem nesse tipo de meio.

Para Hamilton Octávio de Souza, editor-chefe da revista Caros Amigos, um dos principais veículos desse segmento, a distribuição igualitária da verba torna o jornalismo mais democrático. “Por que as verbas públicas vão para a TV Globo e por que não vão para os veículos pequenos? A preocupação principal não é a orientação ideológica, o importante é fazer pressão para que você consiga ampliar a participação democrática dos meios, que eles possam sobreviver e possam ter uma atuação”, garante.

Ainda segundo Hamilton Octávio, a linha ideológica das publicações, que fazem parte da Altercom, foi um dos pontos discutidos nas reuniões sobre a entidade. Existiam dois pontos de vista distintos: para o primeiro, apenas órgãos com uma postura muito clara de esquerda poderia entrar. O segundo defendia que não deveria existir discriminação ideológica. Essa última visão ganhou o debate. “No grupo tem alguns veículos que não são de esquerda e não defendem o socialismo. Mas são veículos pequenos e são contra o monopólio da grande imprensa”, diz Octávio.

A discussão acima permite levantar uma questão importante: quais são as características de um meio de comunicação para ser considerado imprensa alternativa? Para o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, autor do livro “Jornalistas e Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa”, que é resultado do seu doutorado sobre a atuação desse tipo de publicação durante a ditadura militar de 1964, as características mudam dependendo do período estudado. “Em cada tempo é uma definição. Mesmo assim, em termos gerais, pode-se dizer que uma publicação é alternativa quando seu conteúdo se contrapõe à ideologia e aos valores dominantes na grande mídia”, analisa Kucinski.

A revista Caros Amigos é um dos exemplos mais duradouros de imprensa alternativa no Brasil. Foi fundada em abril de 1997, pelo jornalista Sérgio de Sousa, que passou por várias dessas publicações durante o regime militar. Para Octávio, a revista surgiu com a intenção de se contrapor ao neoliberalismo. “Você estava em um momento em que o pensamento único imperava em todos os ambientes. A Caros começa a reunir pessoas que querem escrever com total liberdade, podendo criticar e refletir sobre essa situação”, garante.

A revista pode ser dividida em dois blocos: o primeiro é formado pelos colaboradores que vão do senador Eduardo Suplicy ao ex-presidente de Cuba Fidel Castro. O segundo é composto das entrevistas e reportagens produzidas pela redação. Quando assumiu o cargo de editor, há um ano, Hamilton Octávio resolveu privilegiar esse último segmento. “O leitor se cansa dos colaboradores e eles acabam sendo muito repetitivos. Você já sabe o que cada um vai escrever. Como é que você chama o leitor para a revista? Pelos artigos dos colaboradores é muito pouco, você tem que chamar pelas reportagens e entrevistas.”

Juntando assinantes e bancas de jornal, Caros Amigos vende 20 mil exemplares por mês no Brasil todo. Outra fonte de renda, a captação de anúncios, é bastante irregular. “Tem edições que têm oito, outras têm seis anúncios pagos e outras que não têm nenhum anúncio. Na média do ano, temos seis páginas de anúncios por edição”, contabiliza. É esse dinheiro que permite gerar algum superávit para saldar a dívida com bancos e gráficas. As dificuldades não impedem o editor de exaltar a qualidade da revista. “Nós sabemos que o que estamos fazendo tem um sentido político relevante. É um material sério, honesto, importante para o conhecimento da sociedade brasileira”, finaliza.

*****

Comentário: A reportagem acima foi escrita para a disciplina de jornal laboratório e, dentro de um semestre complicado em termos de trabalho,  foi uma das melhores coisas que fiz. O texto da matéria é praticamente o mesmo que eu entreguei para os professores, a única mudança está no verbo usado no título. Na versão original, optei por “contrapor”, mas tantos amigos, como professores acharam essa solução fraca. E eu concordei com eles. Existem outros pequenos defeitos na matéria acima, em especial no lead que poderia ser mais forte – ter “news” como diria o meu amigo Eduardo Vasconcelos. Mas estamos na faculdade para isso mesmo, né? Aprender, acertar, errar, crescer nessa profissão complicada que é o jornalismo. Em tempo: uma das coisas mais batutas dessa reportagem foi conhecer a redação da Caros Amigos. Ela não é nem sombra do que já foi um dia, porém a conversa com os seus atuais responsáveis foi bem bacana.

Algumas considerações sobre a Copa do Mundo (sem patriotadas!)

HHHHAAAJJJJAAAAA CORAÇÃÃÃOO, AMIGO!

Cante comigo: “A taça do mundo é nossa/ Com brasileiro não há quem possa/ Êh, eta esquadrão de ouro/ É bom no samba, é bom no couro” Outra música, agora em ritmo de marchinha: “Somos milhões em ação/ Pra frente Brasil, no meu coração/ Todos juntos, vamos pra frente Brasil/ Salve a seleção” Brasil..  sil… sil…

Ano de copa do mundo é sempre a mesma coisa. As calçadas pintadas de verde e amarelo; as bandeiras do Brasil que tremulam em todos os cantos,  um vulcão de patriotismo que entra em erupção de quatro em quatro anos. Uma nação reunida para torcer para o escrete canarinho. Pra cima deles, Brasil!!!! Quem não se comove com tanta vibração, com tanto amor pela pátria?

Eu…

Sinceramente, acho muito fake esse patriotismo de ocasião, esse repentino amor que emerge pela pátria idolatrada. E nem vale a pena comentar as patriotadas do Galvão Bueno, que quebra todos os recordes de ufanismo retardado quando a seleção entra em campo. HHHaaaajjjaaaa paciência, amigoooo!!!

Vamos analisar os fatos com um pouco de sangue frio, sem tanto “oba-oba”. Comecemos pelo escrete canarinho que é, afinal de contas, a razão de tudo isso.Faz um bocado de tempo que eu não tenho o mesmo vínculo com a Seleção brasileira de futebol. Olhando hoje a escalação, não reconheceria boa parte dos jogadores se encontrasse com algum deles andando na calçada. Não é difícil imaginar a razão. A seleção se transformou em uma legião estrangeira, que se reúne de tempos em tempos para bater uma bolinha e, principalmente, ganhar rios de dinheiro com patrocínios e amistosos caça-níqueis como o de segunda feira passada, contra o Zimbábue.

E ouso dizer que eu não estou isolado nesse sentimento. Você, leitor, prefere torcer para o seu time do coração ou para o escrete canarinho? Fico com a primeira opção sem pestanejar. Afinal de contas, quando o meu time ganha sempre poderei comemorar a vitória e, depois, sacanear o adversário. Com a seleção brasileira, isso é impossível. Se o time de Dunga perder a Copa, todo mundo mergulhará em uma pequena depressão coletiva que durará uma semana, ou um pouco mais. Se vencer, acontecerá o contrário: uma euforia coletiva que vai durar até passar a ressaca do dia seguinte na maior parte dos casos.

Aproveito a oportunidade para fazer uma modestíssima recomendação aos meus coleguinhas na Africa: levem um capacete na coletiva de imprensa que acontecer depois do último jogo do Brasil na Copa. Se o selecionado canarinho vencer, o técnico anão arremessará a taça na cabeça de vocês, em represália ao que ele considera um péssimo tratamento ao seu time; se perder, ele arremessará todos os microfones por vocês terem razão nas críticas. Quem avisa amigo é…

Conselhos à parte, e apesar desses pesares, eu gosto do evento Copa do mundo. Até o momento, os jogos não empolgaram, mas com a aproximação das partidas decisivas, a coisa certamente mudará de figura. E o fato da Africa ser o país sede, torna tudo muito mais interessante por tudo o que esse continente significa do ponto de vista político e histórico. Ah, e sempre poderemos sair mais cedo do serviço devido aos jogos da seleção brasileira! Pronto, encontrei uma excelente razão para torcer pelo time do Dunga nessa Copa!

Uma causa nobre

Para mim, poucas causas merecem um abaixo assinado. Ela precisa ser urgente, fazer a diferença para a sociedade e, sobretudo, precisa ser nobre. Muito nobre.  Hoje, eu participei de um abaixo assinado. E a causa não poderia ser mais nobre: a abertura dos arquivos da ditadura militar.

Descobri sua existência através de um comercial que foi veículado antes dos trailers do cinema. O filme, estrelado por Fernanda Montenegro, é uma porrada! A atriz encarna Sonia de Moraes Engel que foi assassinada pelo regime de 64. Simples, direto, emocionante. E a grande dama do teatro brasileiro não cobrou nada para fazer essa peça publicitária. Outros atores também doaram o seu talento por essa causa: Glória Pires, José Mayer, Mauro Mendonça, Osmar Prado e Eliane Giardini. Cada um interpreta um desaparecido político que, ao fim de um breve histórico, pergunta olhando para a cara do espectador: essa tortura nunca vai acabar?

Ótima pergunta. Sim, porque parece que o governo federal empurrou com a barriga essa história até onde foi possível. E foi uma das grandes frustrações que tive com a atual administração. Sinceramente, não esperava grandes mudanças no terreno econômico, mas o presidente deveria ter culhões para iniciar esse processo. Lula seria um dos poucos com cacife popular, e moral, para isso. Mas preferiu não colocar a mão nessa cumbuca.

E já que estamos em ano eleitoral, eu adoraria ver a posição dos presidenciáveis sobre o tema. Tanto Serra como Dilma, em especial esta segunda, que teve uma posição destacada na luta contra o regime, deveriam responder claramente essa questão. Embora, para ser franco, não vejo muito sinal de mobilização do poder público.

É por isso que essa campanha, capitaneada pela OAB-RJ, é tão importante. Só a mobilização e a conscientização da sociedade pode gerar alguma mudança. Abaixo, você ficará com o comercial estrelado por Fernanda Montenegro que dispensa maiores apresentações. Clicando aqui você pode assistir aos outros filmes. Para participar desse abaixo assinado é muito fácil. Basta clicar no gif que está na coluna ao lado, dentro da caixinha “Causa nobre” que abrigará todas as campanhas que este blog julgar relevantes.

Novo layout

Ah, sim, você leitor habitual deve ter reparado que o Idéias e etc está de cara nova. Gostei muito deste template e resolvi experimentá-lo. Embora seja impossível mexer no cabeçalho, ele me pareceu muito moderno e simples, o que me pareceu um ótimo custo/benefício. Mas como esse blogueiro é democrático, gostaria de ouvir o que você, simpático freguês, achou do novo visual. A caixa de comentários é serventia da casa.

Chico Xavier

Cartaz do filme

Chico Xavier, o médium mais importante do Brasil, morreu em 30 de junho de 2002. Tinha 92 anos de idade. Deixou milhares de seguidores órfãos. Chico Xavier, o filme dirigido por Daniel Filho, estreou justamente no dia em que o médium completaria 100 anos de idade. E é uma prova que a popularidade do líder espiritual continua em alta: apenas nos três primeiros dias nos cinemas, 590 mil pessoas assistiram à fita, o novo recorde do cinema nacional.

Mas engana-se quem pensa que este é um filme voltado apenas para os seguidores da doutrina espírita. Certamente, boa parte do público está entre os que professam essa religião, porém, como é habitual na obra de Daniel Filho, este é um filme popular. Cheio de atores globais encabeçando o elenco, e com um jeitão que remete as minisséries da Globo- aliás, vai virar uma no fim do ano-, a obra é voltada para as massas. Com ou sem religião.

O fio condutor da história é uma entrevista que Chico Xavier concedeu para o programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi de São Paulo, no ano de 1971. Enquanto discute aspectos da doutrina espírita, Chico vai relembrando sua vida: a descoberta dos poderes mediúnicos durante a tumultuada infância em Pedro Leopoldo; já adulto, o médium escreve os primeiros livros psicografados, incluindo neles poemas póstumos que seriam de escritores famosos, como Humberto de Campos. A obra gera muita polêmica e torna Chico Xavier uma figura popular.

Numa trama paralela inspirada em fatos reais, porém utilizando personagens ficcionais, um casal convive com a morte do filho, que teria sido assassinado por um amigo. A mulher encontra conforto nas cartas que recebe de Chico Xavier, porém o marido, que é diretor do programa Pinga-Fogo, permanece incrédulo. Mas uma reviravolta faz com que ele mude as suas convicções.

Três atores encarnam o personagem principal: a infância é interpretada pelo estreante  Matheus Costa, a vida adulta fica por conta de Ângelo Antonio e, por fim, Nelson Xavier interpreta o médium na terceira idade. Todos estão excelentes. A caracterização do elenco, que deixaram todos muito parecidos com o médium, torna o trabalho ainda mais impressionante. Os demais atores também estão bem, com especial destaque para Tony Ramos, interpretando o diretor incrédulo.

Chico Xavier é um filme que emociona e provoca o ceticismo do espectador. Uma boa oportunidade de assistir um arrasa quarteirão nacional, que retrata uma figura ao mesmo tempo controvertida e querida do público brasileiro.

A agonia de Lúcio Flávio Pinto

O Brasil Real esconde histórias que o Brasil Imaginário, eixo Rio-São Paulo-FashionWeek-Daslu, prefere não enxergar. Uma das mais impressionantes é protagonizada pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, do Pará. Repórter destemido, Lúcio Flávio sempre se dedicou a investigar as mazelas da região: das quadrilhas que extraem madeira ilegal da Amazônia aos desmandos dos donos do poder. E faz isso longe da grande imprensa. As suas reportagens são publicadas no Jornal Pessoal, uma espécie de tablóide quinzenal editado pelo próprio jornalista, com tiragem aproximada de 2000 exemplares. A publicação sobrevive sem anúncios pois o repórter acredita que eles limitam a liberdade editorial.

Mas Lúcio Flávio está pagando um alto preço por sua independência. Em seus 18 anos de vida, o jornal já recebeu 33 processos, tendo sido condenado quatro vezes. Seu crime: investigar os poderosos da região. Entre eles, a família Maiorana, dona da TV Liberal, que por sua vez é afiliada da Rede Globo. O repórter descobriu que o patriarca dos Maiorana esteve envolvido com o contrabando, uma prática que era comum na região. Além dos inúmeros processos, o clã respondeu com a truculência típica dos coronéis. O próprio Lúcio Flávio relata o que aconteceu quando cruzou com um membro da família Maiorana num restaurante:

A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.

Vale repetir: Maiorana saiu impune, mesmo com as provas da agressão. Um elemento tragicômico dessa história é  o fato do agressor do jornalista ser presidente da comissão em defesa da Liberdade de imprensa da OAB Pará. Imaginem se ele fosse contra…

Ainda no território do direito, vale destacar outro ponto importante: nenhum advogado da região aceitou defender o jornalista. Vou repetir novamente, grifando com o itálico: Nenhum advogado da região aceitou defender o jornalista. Motivo? Deixemos que o Lúcio Flávio responda: “Alguns profissionais que contatei alegaram ser colaboradores do jornal O Liberal, outros diziam estar sem tempo e alguns marcavam encontro, que não se realizavam. Como bom entendedor, entendi”

Recentemente, a família Maiorana ganhou um processo na justiça contra o jornalista. Na sentença, o juiz determinou uma indenização de R$ 30.000 mais as custas do processo. E não ficou só nisso: proibiu qualquer expressão agressiva ou difamatória contra o patriarca Maiorana ou contra os seus filhos. Só eu estou sentindo o fedor de censura prévia?

O silêncio covarde da imprensa sobre esse episódio também não cheira bem. E olha que estamos falando de um profissional que foi correspondente do Jornal O Estado de S. Paulo durante 18 anos e tem quatro prêmios Esso no currículo. Também foi agraciado com o Colombe d’Oro per la Pace um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália e com o Prêmio internacional da Liberdade de imprensa, entregue em Nova York no ano de 2005. Se por aqui ficamos nesse mutismo covarde, com as honrosas exceções de praxe, nos Estados Unidos o caso Lúcio Flavio mereceu um editorial do jornal Washington Post, que dispensa apresentações.

Mais informações sobre o caso Lúcio Flávio: Clicando aqui, o leitor encontra um texto do próprio Lúcio Flávio sobre a sentença que o condenou. Neste link, o leitor encontra uma bela reportagem sobre o drama vivido pelo jornalista. Clicando aqui, você encontra um texto sobre o editorial do Washington Post (tentei achar o texto no site do Post, mas não consegui…). Se clicar aqui, o leitor encontrará o texto que me alertou para esta situação, escrito pelo sempre contundente Idelber Avelar. E, por último, mas o mais importante de todos, o link para o site do Jornal Pessoal, onde é possível entender o porquê que o Lúcio Flávio Pinto incomoda tanto os poderosos Paraenses.

Missa macabra

Quarta feira, 6 de maio de 2009. Igreja Nossa Senhora de Fátima, bairro do Sumaré, São Paulo, capital. Nessa data e local, foi realizado um dos eventos mais surreais que eu tive notícia nos últimos tempos: uma missa em memória do delegado Sérgio Paranhos Fleury, notório torturador dos anos de chumbo. As revistas Época e Caros Amigos trazem excelentes relatos sobre esse, digamos, evento cristão…

Antes dos detalhes da missa, é importante traçar um breve perfil do homenageado. Também conhecido como “Doutor Barreto”, codinome que o delegado utilizava nas sessões de tortura, Fleury era um dos mais temidos agentes da repressão. Sua ficha corrida justificava a fama. O delegado participou ativamente da operação que matou Carlos Marighela; foi o mentor do “esquadrão da morte”, grupo de policiais que fazia sua própria lei, julgando, condenando e matando centenas de pessoas. Fleury construiu um sistema repressivo dentro do próprio aparato repressivo, onde os presos políticos entravam vivos e saíam mortos, enterrados em valas comuns.

Os militares souberam ser gratos por tanta…   dedicação. Em 1973, o delegado foi condenado pelos assassinatos praticados pelo esquadrão da morte. O regime, então, criou a chamada “Lei Fleury” que proibia a prisão dos réus primários. A legislação, praticamente criada sob encomenda, garantiu ao torturador a liberdade. O “Doutor Barreto”, entretanto, teve um fim trágico e misterioso. Foi encontrado afogado perto do seu iate. Mas como o regime não permitiu que se fizesse autópsia, até hoje existe a forte suspeita que o delegado tenha sido “afogado”, do mesmo modo que ele ajudava os presos políticos a se suícidar nos porões do regime.

Agora, voltemos para a missa. Segundo a contabilidade de Época, cerca de cem pessoas se reuniram para rezar por Fleury; Caros Amigos é mais econômica, fala em cerca de setenta pessoas. Os números, nesse caso, importam pouco. É mais interessante descobrir quem se dispõe a sair de casa para rezar pela alma perdida de um assassino, de um torturador. Um trecho da reportagem de Época ajuda a elucidar parte do mistério:

(…) postado na frente da portinha lateral da igreja, por onde todos entram, está o delegado Carlos Alberto Augusto, do 12º Distrito Policial, conhecido como “Carteira Preta”. Promotor da homenagem a Fleury, ele cumprimenta todos efusivamente e entrega uma espécie de marcador de livro. (…) Augusto organizou tudo: convidou as pessoas, mandou imprimir o folheto, pagou pela missa, por uma organista – que não apareceu – e por um quadro de folhas e flores amarelas e roxas que formava a bandeira do Brasil, colocado ao lado do altar durante a curta celebração. O quadro é ornamentado com uma faixa (daquelas que se usam em velórios) com a frase “Herói nacional”

E quem é esse tal de Carlos Alberto Augusto? Dessa vez, quem responde é a Caros Amigos. Segundo a revista, nos anos de chumbo o sujeito tinha o apelido de “Carlinhos metralha” e, tal e qual Fleury, também era um torturador. Isso explica muita coisa…  Mesmo assim, é difícil acreditar que uma figura como Fleury consiga reunir tantos admiradores. A Caros também traz uma entrevista absolutamente inacreditável com Frei Ives Terral, o responsável por essa celebração. Só lendo para crer.

Esse episódio me lembrou de uma missa que eu fui na mesma Igreja Nossa Senhora de Fátima. Era o tempo em que o Pinochet, um dos mais sanguinários ditadores sul-americanos, estava nas últimas. Naquela parte da celebração em que a comunidade faz a sua prece, o padre, candidamente, pediu para que os fiéis rezassem por Pinochet. Num primeiro momento, pensei ter entendido errado. Mas posteriormente o pároco repetiu o absurdo mais uma vez. Não posso afirmar com absoluta certeza que se trata da mesma pessoa, mas não me espantaria nem um pouco…

É importante fazer justiça: não é toda igreja que é ou foi conivente com a ditadura militar. Durante o regime, alguns setores da igreja católica tiveram um papel importantíssimo na luta contra o arbítrio. Um dos mais lembrados é Dom Paulo Evaristo Arns que, muitas vezes, peitava de frente os aparelhos repressivos. Os frades dominicados também tiveram um papel relevante ao ajudar muitos presos políticos a fugir do país. E pagaram um alto preço por isso. Essa história esta lindamente contada no livro “Batismo de sangue” de Frei Betto. Nele, o leitor fica sabendo das torturas que Fleury infringiu em Frei Tito e das conseqüências, devastadoras, que tiveram no religioso. Mesmo longe do país, no seu exílio forçado na França, Tito sofria com  alucinações onde via o seu carrasco em todo lugar.

Frei Tito não aguentou tanto sofrimento e se suícidou.

Transporte público em São Paulo: uma visão panorâmica.

Este pequeno artigo foi escrito para a disciplina de assessoria de imprensa. Não é o melhor texto que escrevi na faculdade, mas é o único a mão para ser publicado. Neste  mês as atualizações prometem ser bastante rarefeitas, graças a quantidade incrível de trabalhos acadêmicos. Por isso, aproveito eles para ir atualizando essas Idéias e etc.

O transporte público faz parte da vida de milhares de paulistanos. Este é o meu caso. Sou usuário de quase todas as alternativas que a cidade oferece e, com o passar do tempo, formei uma opinião sobre a qualidade do serviço prestado.Vou analisar cada meio de transporte individualmente. Com exceção dos trens metropolitanos por quase nunca tê-los utilizado. Comecemos pelas lotações.

Andar com os perueiros pode ser uma aventura e tanto. Certa vez, voltando para casa depois da faculdade, percebi que a lotação estava andando rápido demais. O trajeto que, normalmente, é feito em 15 minutos foi completado em 6 minutos. Essa pressa é bem comum e não se restringe ao velocímetro. Já aconteceu de pedir para descer num ponto e o motorista só parar no seguinte. Os idosos também sofrem. Muitas vezes, os perueiros não têm paciência para esperá-los descer e o acidente é inevitável.

Cartum de Henfil

Cartum de Henfil

Muitas das críticas aos perueiros pode ser feita aos motoristas de ônibus. E podemos acrescentar outras tantas. Além da demora nos pontos de ônibus, eles costumam ignorar o sinal dos idosos e, quando estes conseguem embarcar, encontram o seu lugar reservado por lei, ocupado por outra pessoa indevidamente.Outro problema é a falta de conforto do veículo. Embora grande parte da frota tenha sido renovada, ainda circula pela cidade ônibus com bancos duros que, por motivos óbvios, tornam a viagem bem desconfortável. Já alguns ônibus da nova frota tem menos assentos, o que deixa muitos passageiros de pé o trajeto inteiro.

De todos os meios de transporte, o metrô é o mais bem resolvido. Rápido e seguro, ele tem a vantagem de levar uma quantidade maior de passageiros que as outras alternativas disponíveis. As estações são, de modo geral, bem sinalizadas o que facilita sua utilização. Mas também existem os problemas. A quantidade de estações ainda é considerada pequena para uma cidade com o tamanho de São Paulo. O horário do rush é um constante desafio a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Aliás, esse é um problema comum a todos os meios de transporte de São Paulo. Outra reclamação comum é quanto ao preço da tarifa, considerada cara pela população, ainda mais diante da qualidade do serviço prestado.Poderíamos continuar enumerando outras fragilidades do sistema, mas seria muito monótono para o leitor. É bom ressaltar que esta é uma visão pessoal, e panorâmica, dos meios de transporte da cidade; cada cidadão poderia escrever um texto diferente, contendo críticas bem diversas. Também é bom lembrar da responsabilidade do poder público que, entre outras atrbuições, tem o dever de oferecer um transporte de qualidade para toda a população. Ainda falta muito para que o governo cumpra com sua obrigação.

Carta aberta ao ministro Joaquim Barbosa

São Paulo, 23 de Abril de 2009

Excelentíssimo ministro Joaquim Barbosa,

Posso chamá-lo apenas de Joaquim e sem tantos formalismos? Muito obrigado. Resolvi escrever essa missiva virtual para comentar contigo o seu imbróglio de ontem com o Supremo Presidente Gilmar Mendes. Antes, deixe-me contar como eu assisti essa cena. Estava zapeando pelos canais quando pareceu que o meu controle remoto pifou e parou na TV Justiça. Foi quando você iniciou aquela descompostura genial no presidente do STF. Suas palavras merecem ser reproduzidas com todo o destaque:

Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim.Vossa Excelência não está na rua, não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite, respeite!

Resolvi juntar todas as suas falas num único bloco e excluí o outro debatedor. O resultado dessa edição é um retrato, sem retoques, do presidente do STF. Com poucas palavras, você disse tudo Joaquim. Realmente, não me lembro de outro presidente da corte que tivesse uma atração tão grande pelos holofotes da mídia e, aqui entre nós, muitos jornalistas também o procuram feito abutres sedentos por carniça. Muita gente já notou isso, mas parecia que ninguém no Supremo estava atento a esse fenômeno.

Para mim, este é o lado fascinante nesse episódio. É perceber que você vai para as ruas e notou o quanto o judiciário brasileiro está desmoralizado. A cobertura da grande imprensa privilegiou apenas o bate-boca em si; sem aprofundar as questões que você levanta, sobre o comportamento do Gilmar Mendes e, principalmente, sobre a desmoralização do judiciário. Também dúvido muito que algum grande jornal Brasileiro se preocupe em checar se o presidente do STF tem capangas ou não…

E o que dizer dos seus colegas ministros, hein? Depois da sessão com o arranca rabo, eles se reuniram numa sala para discutir se dariam uma bronca pública em você. Acabaram apenas soltando uma nota apoiando o presidente do STF e “lamentando” o episódio. Eles ainda não perceberam que estão ajudando a carregar o caixão da justiça Brasileira. E, segundo informa o blog do Josias de Souza, citando como fonte algum dos seus colegas ministros, eles estão planejando te dar um gelo. Sabe criança quando briga com um amiguinho e fica de mal? É a mesma coisa.

Mas isso não é motivo para que você fique preocupado ou triste, Joaquim. Gente da melhor qualidade está do seu lado. Dois juristas já se manifestaram sobre o episódio e, apesar de acharem que você foi muito temperamental, concordam que o principal culpado é o Gilmar Mendes. Vale ler o artigo do Wálter Fanganiello Maierovitch e, também, a entrevista do Dalmo de Abreu Dallari onde este acusa o Supremo Presidente de usar práticas coronelistas na presidência do STF.

Encerro essa missiva agradecendo você pela sua coragem. Valeu mesmo, Joaquim! Lavou um pouco a alma ver alguém, da sua envergadura, não se curvar perante a truculência e o autoritarismo. Dá até um pouco de esperança no Brasil. Com a sua licença, disponibilizo aos leitores o vídeo com a cena antológica:

Sem mais,

Marcelo Martins

P.S.: Ah, já ia me esquecendo: dentro em breve, vocês vão julgar a questão do diploma para exercer o jornalismo. Ao meu ver, ele é de vital importância para a democracia. E o relator da causa é o próprio GM. Acho que vale a pena desafiá-lo mais uma vez. Não seria uma boa, hein, hein… hheeeeeeiiiiinnn???????

Os políticos e a imprensa

Roberto Marinho e o vovô ACM: retrato de uma amizade antiga.

Roberto Marinho e o vovô ACM: retrato de uma amizade antiga.

Na última terça-feira, a Comissão de Constitução e Justiça (CCJ) do senado aprovou um parecer do senador Pedro Simon em que é dito o óbvio: políticos não podem ser donos de meios de comunicação. O objetivo é impedir a renovação das concessões para emissoras de rádio e tevê cujos proprietários sejam parlamentares.

O que pode parecer óbvio em qualquer outro lugar do planeta Terra encontra, aqui no Brasil, um entrave gigantesco. Por um pequeno detalhe: segundo o Comunique-se, 20 dos nobres  senadores são donos de algum órgão de comunicação; na Câmara dos deputados, 50 dos representantes do povo estão na mesma condição. E eles já começaram a reclamar. O primeiro foi ACM Jr, dono de jornais e acionista de uma retransmissora da TV Globo na Bahia, herdada de seu avô. Para a imprensa, o neto de Toninho Malvadeza resmungou:

Essa interpretação dada ao texto constitucional é totalmente equivocada. Hoje há uma proibição de que parlamentares com mandato sejam gestores de empresas de comunicação, não proprietários. O que aconteceu na CCJ na terça-feira foi um absurdo

Será mesmo? Vamos dar uma olhada na carta magna Brasileira. Os grifos são meus:

Deputados e senadores não poderão, desde a posse, ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada

O texto é clarissímo e não permite outro entendimento. Só mesmo o ACM Jr, pelo jeito portador de uma dislexia crônica, para interpretar as linhas acima de outra maneira. Com todo o respeito aos disléxicos.

É uma grande piada que, em pleno século XXI, o congresso Brasileiro ainda esteja ás voltas com questões como essa. Só no país da jabuticaba, políticos podem ser donos de meios de comunicação e se utilizarem dessa influência para aumentar e/ou manter o seu poder.

Apesar das boas intenções do senador Pedro Simon, vejo com bastante ceticismo as chances de alguma mudança real. Aplicar, com rigor, essa lei mexeria diretamente com os interesses dos parlamentares e, também, com o de boa parte da mídia corporativa. Só sendo muito ingênuo para imaginar que esse tipo de projeto possa ser aprovado no plenário do Senado, ainda mais com o Zé Sarney, dono de uma retransmissora da Globo no Maranhão, presidindo casa.

Mas vamos sonhar essa utopia e imaginemos que o Senado e a Câmara aprovem o parecer do Simon. O que muda? Nada, absolutamente nada. O Malvadeza Jr pode se afastar do controle da Globo na Bahia, mas as coisas podem continuar como estão. Basta que ele coloque um laranja no seu lugar e este fará exatamente o que ele determinar; com apenas alguns telefonemas, ele seguirá mandando na linha editorial de suas emissoras. Na prática, tudo continuará igualzinho.

Aliás, o parecer do Simon só foi aprovado porque na dia da votação participaram apenas 4 parlamentares. E a sessão deve ter sido ultra-secreta, pois o senador Wellington Salgado fez a seguinte reclamação aos jornalistas: “Nem eu, que sou vice-presidente da comissão, sabia que esse assunto estava na pauta” Em tempo: o nobre senador é o feliz proprietário de uma retransmissora do SBT no triângulo mineiro.

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