A bancada dos toscos (Ou: Pior que tá, pode ficar)
Tiririca, Simony, Ronaldo Esper, Kiko, Leandro, Maguila, Frank Aguiar, Marcelinho Carioca, Dinei, Juca Chaves, Mulher Pêra, Aguinaldo Timóteo, Romário, Tati Quebra Barraco, Netinho, o filho do Raul Gil, o marido da Mara Maravilha… este é o elenco de A Fazenda 3? Não, mas bem que poderia ser. Na verdade, essas figuras acima estão em busca de um cargo público nas eleições deste ano.
Este fenômeno, entretanto, não é recente. O próprio Aguinaldo Timóteo, que busca uma vaga para o Congresso Nacional usando como programa de governo sua amizade com Clodovil (?!!!!), é um veterano nessa, digamos, carreira. O que parece ser novidade é a quantidade e, principalmente, a qualidade dos candidatos. Para pior, claro.
(Parêntesis: se tem uma propaganda que me irrita profundamente é a do marido da Mara Maravilha. No horário eleitoral, o sujeito fica calado deixando sua campanha aos cuidados de sua mulher. Quando ela fala, diz que se deve votar no seu esposo por ele ser um “servo de Deus”. Para início de conversa, o Estado brasileiro é laico, ou seja, o Brasil não tem nenhuma religião oficial. Depois, essa mistura de política com religião nunca deu muito certo. É a junção de uma escolha absolutamente particular – ter ou não ter uma fé religiosa -, com algo que é de interesse público, o processo eleitoral. Um completo absurdo. E o que dizer de um deputado que tem como mote de campanha a valorização do evangelho? Melhor fechar o parêntesis e voltar para nossa prosa)
Apesar dos pesares, é bom pensar um pouco antes de arremessar o tomate podre neles. Tiririca e companhia estão apenas usando de sua popularidade, em alguns casos bastante duvidosa, para conseguir a sua bocada dos cofres públicos. O raciocínio pode parecer cínico, mas ele só existe porque em outras eleições alguns desses candidatos foram eleitos com uma grande quantidade de votos. Os eleitores têm uma grande parcela de culpa nesse cartório.
Contudo, os grandes culpados por esse descalabro são os partidos políticos. Afinal, segundo a lei brasileira, só através deles alguém pode se candidatar numa eleição. E o cálculo político por trás dessa iniciativa é sórdido. Primeiro, essas celebridades são chamadas “puxadores de votos”, em outras palavras, sua função dentro do processo eleitoral é usar a sua popularidade para receber o maior número de sufrágios possível.
Para tanto, recebem números de fácil memorização. O Tiririca, por exemplo, é 2222 (pode anotar, se quiser…) O motivo? Simples. Graças ao bisonho quociente eleitoral, quanto mais votos um partido político receber mais chances de eleger deputados ele tem. E, caso tenha se entusiasmado e anotado o número do palhaço, saiba que as chances de você ajudar a eleger um mensaleiro é muito grande. É só reparar nos companheiros de partido de Tiririca…
E a pouca vergonha continua depois da eleição. Essas (pseudo) celebridades têm, com poucas exceções, um nível baixíssimo de cultura e de ensino. Não existe nessa afirmação nenhum intuito de diminui-los, é apenas uma constatação que torna ainda mais calhorda a atitude dos partidos políticos. Para você ter uma idéia, clique aqui e veja uma entrevista inacreditável com o Tiririca publicada na Folha.com. Ela fala por si só.
A primeira conseqüência desse baixo nível cultural é simples de entender: sem nenhuma noção sobre política ou sobre o funcionamento das casas legislativas, essas personalidades viram verdadeiros mísseis teleguiados nas mãos das raposas velhas da política, fantoches que serão utilizados para fazer valer os seus interesses. Sem falar que o debate público que, via de regra, não é lá muito produtivo, fica ainda mais medíocre.
Existe alguma solução para esse drama? O primeiro caminho mais óbvio, que seria simplesmente proibir a candidatura dessa fauna, me parece pouco democrático. Nossa constituição garante que todos podem votar e se candidatar e, apesar de tudo, essa ainda é uma das maravilhas da democracia.
Só existe uma maneira para remediar essa solução e ela está em você, leitor/eleitor. Sim, em você mesmo. Na sua consciência. Na hora de votar em um candidato tosco, pense duas vezes. Só quando essas figuras começarem a não conseguir mais se eleger é que os partidos políticos – os verdadeiros vilões desse dramalhão-, vão se tocar desse absurdo. Esse é um sonho utópico, sei bem disso. Talvez, só no longo prazo o brasileiro vai se tocar que não deve fazer piada com o seu voto.
Por enquanto, proponho uma brincadeira: vamos fazer um bolão para ver quantos e quais dos candidatos toscos elencados no primeiro parágrafo vão se eleger no dia 2 de outubro. Minhas apostas são: Tiririca, Ronaldo Esper, um dos KLB’s, não importa qual, Frank Aguiar, Aguinaldo Timóteo Netinho e Romário. Com a apuração encerrada, o Idéias e etc divulgará o resultado da brincadeira. Se nenhum deles se eleger, nós ganharemos um congresso um pouco menos esculhambado que o habitual; se eles se elegerem, nós vamos ganhar uma TV Câmara bem mais divertida que o costumeiro. Façam suas apostas!






