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Arquivo para a categoria ‘Política e/ou politicagem’

Carta aberta a Vladimir Herzog

São Paulo, 26 de novembro de 2010

Caro Vlado,

Resolvi escrever esta carta aberta para você. Eu também sou  jornalista e acho que a sua vida, e as circunstâncias de sua morte, nunca devem ser esquecidas. Elas trazem lições fundamentais para toda a sociedade. Para quem pretende se aventurar no jornalismo e até para quem não tem o hábito de ler jornais e revistas. O  que aconteceu contigo transcende a categoria profissional. E por uma razão muito simples: você é o exemplo maior das consequências nefastas da tortura perpetrada por um regime ditatorial.

E pensar que naquele fatídico 25 de outubro de 1975 você, certo que não devia nada para ninguém, se apresentou espontaneamente para os seus carrascos. E não havia mesmo razão para se preocupar. Afinal de contas sua ficha era limpa. Você foi morto por suas idéias, por fazer oposição a um regime que matava e torturava.

Um fator complicador era o seu cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura. Isso irritou muito a linha dura, Vlado. A tua morte serviu de mensagem do submundo dos porões aos generais que mandavam no país, e que iniciaram o processo de abertura “lenta, gradual e segura”. O recado foi: “Nós estamos vivos e não queremos largar o osso” .

Te torturaram, Vlado. Alguns dos teus amigos, que também foram presos e torturados, ouviram os seus gritos.  Os assassinos ligaram o rádio bem alto, mas não pararam com o suplício. A morte foi, de certa forma, um alívio diante daquela selvageria. E então começou o teatro e uma reviravolta nesse drama.

Os seus assassinos, certos que estavam sendo muito inteligentes, pegaram o teu corpo e iniciaram uma simulação de suicídio. Amarraram um cinto no seu pescoço – vestimenta que não fazia parte do uniforme dos presos! -, e a outra ponta foi presa nas grades de ferro da janela. Colocaram-no de joelhos e, por mais insólito que possa parecer hoje, tiraram uma foto.

Bendita foto!

Sim, bendita foto, Vlado! Essa imagem escancara, como poucas na história da fotografia, a truculência de uma ditadura e mais do que isso: a certeza da impunidade. Qualquer pessoa de inteligência média saca rapidamente que o ambiente foi forjado. Na verdade, não precisa nem ser muito inteligente né?E a mistificação não terminou aí: chamaram um médico legista amigo do aparelho repressivo, que chama-se ironicamente Harry Shibata, e este sujeito assinou o laudo pericial sem nem ver o teu corpo…

Mas esta fantasia toda não adiantou de nada. A sociedade não aguentava mais tanta truculência, tanto medo; as incertezas de viver no sufoco. No dia 31 de outubro de 1975, houve uma missa ecumênica em sua memória. O marco inicial de uma longa estrada que culminaria no fim do regime militar em 1985.  É bom deixar registrado que muitas pessoas inocentes ainda iriam morrer. No ano seguinte ao teu assassinato, o operário Manoel Fiel Filho também foi morto em circunstâncias muito parecidas com as suas. E no mesmo DOI-CODI.

É possível tirar algumas lições desse episódio. Para mim, uma das mais importantes é que sempre devemos enfrentar as adversidades com coragem. Não podemos ter medo de denunciar o que está errado; não podemos ter medo de expressar nossas ideias, mesmo que elas contrariem interesses maiores. Esse ainda é um grande problema do jornalismo brasileiro, Vlado.  Aqui entre nós, devo te confessar que algumas vezes tenho receio das consequências de algumas coisas que escrevo. Mas então lembro do que sucedeu contigo, lembro da coragem de outros colegas nossos e respiro fundo. É um esforço que vale a pena, certo? Muito obrigado pela atenção e por seu exemplo.

Sem mais,

Marcelo Martins.

*****

Comentário: a crônica  foi escrita para a disciplina de Técnicas de documentário. O filme produzido nela não foi lá essas coisas, mas o texto eu acho que ficou aceitável. Eu não nasci para o audiovisual mesmo…

Balanço do 2º turno – uma nota naúfraga

O segundo turno começou e já está quase acabando e eu nem comentei ainda o resultado do primeiro turno que teve a eleição do palhaço Tiririca por incríveis  – porém críveis -, 1 milhão 353 mil e 820 votos.  Ganhou, mas pode não levar pois os promotores ainda desconfiam que Tiririca é analfabeto. É aquela história de fechar a porteira depois que a boiada fugiu…

Eu tinha planejado um texto mais elaborado sobre esta campanha, porém, francamente, o (baixo) nível, as miudezas da disputa eleitoral - quantas bolinhas acertaram a careca do José Serra mesmo? – e quetais me desanimaram profundamente. Acompanho o noticiário político quase como um naúfrago; levado pelas ondas do oceano, sem grandes esperanças de navegar em mares calmos nos próximos tempos.

É só o que me ocorre escrever.

A bancada dos toscos (Ou: Pior que tá, pode ficar)

Vota no abestado, vota...

Tiririca, Simony, Ronaldo Esper, Kiko, Leandro, Maguila, Frank Aguiar, Marcelinho Carioca, Dinei, Juca Chaves, Mulher Pêra, Aguinaldo Timóteo, Romário, Tati Quebra Barraco, Netinho, o filho do Raul Gil, o marido da Mara Maravilha… este é o elenco de A Fazenda 3? Não, mas bem que poderia ser. Na verdade, essas figuras acima estão em busca de um cargo público nas eleições deste ano.

Este fenômeno, entretanto, não é recente. O próprio Aguinaldo Timóteo, que busca uma vaga para o Congresso Nacional usando como programa de governo sua amizade com Clodovil (?!!!!),  é um veterano nessa, digamos, carreira. O que parece ser novidade é a quantidade e, principalmente, a qualidade dos candidatos. Para pior, claro.

(Parêntesis: se tem uma propaganda que me irrita profundamente é a do marido da Mara Maravilha. No horário eleitoral, o sujeito fica calado deixando sua campanha aos cuidados de sua mulher. Quando ela fala, diz que se deve votar no seu esposo por ele ser um “servo de Deus”. Para início de conversa, o Estado brasileiro é laico, ou seja, o Brasil não tem nenhuma religião oficial. Depois, essa mistura de política com religião nunca deu muito certo. É a junção de uma escolha absolutamente particular – ter ou não ter uma fé religiosa -, com algo que é de interesse público, o processo eleitoral. Um completo absurdo. E o que dizer de um deputado que tem como mote de campanha a valorização do evangelho? Melhor fechar o parêntesis e voltar para nossa prosa)

Apesar dos pesares, é bom pensar um pouco antes de arremessar o tomate podre neles. Tiririca e companhia estão apenas usando de sua popularidade, em alguns casos bastante duvidosa, para conseguir a sua bocada dos cofres públicos. O raciocínio pode parecer cínico, mas ele só existe porque em outras eleições alguns desses candidatos foram eleitos com uma grande quantidade de votos. Os eleitores têm uma grande parcela de culpa nesse cartório.

Contudo, os grandes culpados por esse descalabro são os partidos políticos. Afinal, segundo a lei brasileira, só através deles alguém pode se candidatar numa eleição. E o cálculo político por trás dessa iniciativa é sórdido. Primeiro, essas celebridades são chamadas “puxadores de votos”, em outras palavras, sua função dentro do processo eleitoral é usar a sua popularidade para receber o maior número de sufrágios possível.

Para tanto, recebem números de fácil memorização. O Tiririca, por exemplo, é 2222 (pode anotar, se quiser…) O motivo? Simples. Graças ao bisonho quociente eleitoral, quanto mais votos um partido político receber mais chances de eleger deputados ele tem. E, caso tenha se entusiasmado e anotado o número do palhaço, saiba que as chances de você ajudar a eleger um mensaleiro é muito grande. É só reparar nos companheiros de partido de Tiririca…

E a pouca vergonha continua depois da eleição. Essas (pseudo) celebridades têm, com poucas exceções, um nível baixíssimo de cultura e de ensino. Não existe nessa afirmação nenhum intuito de diminui-los, é apenas uma constatação que torna ainda mais calhorda a atitude dos partidos políticos. Para você ter uma idéia, clique aqui e veja uma entrevista inacreditável com o Tiririca publicada na Folha.com. Ela fala por si só.

A primeira conseqüência desse baixo nível cultural é simples de entender: sem nenhuma noção sobre política ou sobre o funcionamento das casas legislativas, essas personalidades viram verdadeiros mísseis teleguiados nas mãos das raposas velhas da política, fantoches que serão utilizados para fazer valer os seus interesses. Sem falar que o debate público que, via de regra, não é lá muito produtivo, fica ainda mais medíocre.

Existe alguma solução para esse drama? O primeiro caminho mais óbvio, que seria simplesmente proibir a candidatura dessa fauna, me parece pouco democrático. Nossa constituição garante que todos podem votar e se candidatar e, apesar de tudo, essa ainda é uma das maravilhas da democracia.

Só existe uma maneira para remediar essa solução e ela está em você, leitor/eleitor. Sim, em você mesmo. Na sua consciência. Na hora de votar em um candidato tosco, pense duas vezes. Só quando essas figuras começarem a não conseguir mais se eleger é que os partidos políticos – os verdadeiros vilões desse dramalhão-, vão se tocar desse absurdo. Esse é um sonho utópico, sei bem disso. Talvez, só no longo prazo o brasileiro vai se tocar que não deve fazer piada com o seu voto.

Por enquanto, proponho uma brincadeira: vamos fazer um bolão para ver quantos e quais dos candidatos toscos elencados no primeiro parágrafo vão se eleger no dia 2 de outubro. Minhas apostas são: Tiririca, Ronaldo Esper, um dos KLB’s, não importa qual, Frank Aguiar, Aguinaldo Timóteo Netinho e Romário. Com a apuração encerrada, o Idéias e etc divulgará o resultado da brincadeira. Se nenhum deles se eleger, nós ganharemos um congresso um pouco menos esculhambado que o habitual; se eles se elegerem, nós vamos ganhar uma TV Câmara bem mais divertida que o costumeiro. Façam suas apostas!

Entidade surge para confrontar grande mídia

Altercom é fundada por sessenta empresários da imprensa alternativa em São Paulo. Associação reivindica divisão igualitária da verba pública

Altercom. Esta é a sigla da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação, entidade fundada em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 2010. A organização reúne sessenta empresários donos de jornais, revistas, editoras, sites e produtoras de vídeo da chamada imprensa alternativa.

O projeto ainda é embrionário, mas já tem objetivos bem definidos. Segundo Eduardo Guimarães, ativista político e um dos sócios-fundadores da Altercom, “a ideia é a de uma organização que seja o contraponto de outras da grande mídia, tal como Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão] e ANJ [Associação Nacional de Jornais] só que dando vez e voz à mídia dita alternativa”, explica.

A principal reivindicação da entidade está relacionada com a divisão das verbas públicas oriundas da propaganda do governo que, de modo geral, fica concentrada na grande mídia. Sem esse dinheiro, parte das publicações não conseguem sobreviver, pois os anúncios da iniciativa privada quase inexistem nesse tipo de meio.

Para Hamilton Octávio de Souza, editor-chefe da revista Caros Amigos, um dos principais veículos desse segmento, a distribuição igualitária da verba torna o jornalismo mais democrático. “Por que as verbas públicas vão para a TV Globo e por que não vão para os veículos pequenos? A preocupação principal não é a orientação ideológica, o importante é fazer pressão para que você consiga ampliar a participação democrática dos meios, que eles possam sobreviver e possam ter uma atuação”, garante.

Ainda segundo Hamilton Octávio, a linha ideológica das publicações, que fazem parte da Altercom, foi um dos pontos discutidos nas reuniões sobre a entidade. Existiam dois pontos de vista distintos: para o primeiro, apenas órgãos com uma postura muito clara de esquerda poderia entrar. O segundo defendia que não deveria existir discriminação ideológica. Essa última visão ganhou o debate. “No grupo tem alguns veículos que não são de esquerda e não defendem o socialismo. Mas são veículos pequenos e são contra o monopólio da grande imprensa”, diz Octávio.

A discussão acima permite levantar uma questão importante: quais são as características de um meio de comunicação para ser considerado imprensa alternativa? Para o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, autor do livro “Jornalistas e Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa”, que é resultado do seu doutorado sobre a atuação desse tipo de publicação durante a ditadura militar de 1964, as características mudam dependendo do período estudado. “Em cada tempo é uma definição. Mesmo assim, em termos gerais, pode-se dizer que uma publicação é alternativa quando seu conteúdo se contrapõe à ideologia e aos valores dominantes na grande mídia”, analisa Kucinski.

A revista Caros Amigos é um dos exemplos mais duradouros de imprensa alternativa no Brasil. Foi fundada em abril de 1997, pelo jornalista Sérgio de Sousa, que passou por várias dessas publicações durante o regime militar. Para Octávio, a revista surgiu com a intenção de se contrapor ao neoliberalismo. “Você estava em um momento em que o pensamento único imperava em todos os ambientes. A Caros começa a reunir pessoas que querem escrever com total liberdade, podendo criticar e refletir sobre essa situação”, garante.

A revista pode ser dividida em dois blocos: o primeiro é formado pelos colaboradores que vão do senador Eduardo Suplicy ao ex-presidente de Cuba Fidel Castro. O segundo é composto das entrevistas e reportagens produzidas pela redação. Quando assumiu o cargo de editor, há um ano, Hamilton Octávio resolveu privilegiar esse último segmento. “O leitor se cansa dos colaboradores e eles acabam sendo muito repetitivos. Você já sabe o que cada um vai escrever. Como é que você chama o leitor para a revista? Pelos artigos dos colaboradores é muito pouco, você tem que chamar pelas reportagens e entrevistas.”

Juntando assinantes e bancas de jornal, Caros Amigos vende 20 mil exemplares por mês no Brasil todo. Outra fonte de renda, a captação de anúncios, é bastante irregular. “Tem edições que têm oito, outras têm seis anúncios pagos e outras que não têm nenhum anúncio. Na média do ano, temos seis páginas de anúncios por edição”, contabiliza. É esse dinheiro que permite gerar algum superávit para saldar a dívida com bancos e gráficas. As dificuldades não impedem o editor de exaltar a qualidade da revista. “Nós sabemos que o que estamos fazendo tem um sentido político relevante. É um material sério, honesto, importante para o conhecimento da sociedade brasileira”, finaliza.

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Comentário: A reportagem acima foi escrita para a disciplina de jornal laboratório e, dentro de um semestre complicado em termos de trabalho,  foi uma das melhores coisas que fiz. O texto da matéria é praticamente o mesmo que eu entreguei para os professores, a única mudança está no verbo usado no título. Na versão original, optei por “contrapor”, mas tantos amigos, como professores acharam essa solução fraca. E eu concordei com eles. Existem outros pequenos defeitos na matéria acima, em especial no lead que poderia ser mais forte – ter “news” como diria o meu amigo Eduardo Vasconcelos. Mas estamos na faculdade para isso mesmo, né? Aprender, acertar, errar, crescer nessa profissão complicada que é o jornalismo. Em tempo: uma das coisas mais batutas dessa reportagem foi conhecer a redação da Caros Amigos. Ela não é nem sombra do que já foi um dia, porém a conversa com os seus atuais responsáveis foi bem bacana.

Uma causa nobre

Para mim, poucas causas merecem um abaixo assinado. Ela precisa ser urgente, fazer a diferença para a sociedade e, sobretudo, precisa ser nobre. Muito nobre.  Hoje, eu participei de um abaixo assinado. E a causa não poderia ser mais nobre: a abertura dos arquivos da ditadura militar.

Descobri sua existência através de um comercial que foi veículado antes dos trailers do cinema. O filme, estrelado por Fernanda Montenegro, é uma porrada! A atriz encarna Sonia de Moraes Engel que foi assassinada pelo regime de 64. Simples, direto, emocionante. E a grande dama do teatro brasileiro não cobrou nada para fazer essa peça publicitária. Outros atores também doaram o seu talento por essa causa: Glória Pires, José Mayer, Mauro Mendonça, Osmar Prado e Eliane Giardini. Cada um interpreta um desaparecido político que, ao fim de um breve histórico, pergunta olhando para a cara do espectador: essa tortura nunca vai acabar?

Ótima pergunta. Sim, porque parece que o governo federal empurrou com a barriga essa história até onde foi possível. E foi uma das grandes frustrações que tive com a atual administração. Sinceramente, não esperava grandes mudanças no terreno econômico, mas o presidente deveria ter culhões para iniciar esse processo. Lula seria um dos poucos com cacife popular, e moral, para isso. Mas preferiu não colocar a mão nessa cumbuca.

E já que estamos em ano eleitoral, eu adoraria ver a posição dos presidenciáveis sobre o tema. Tanto Serra como Dilma, em especial esta segunda, que teve uma posição destacada na luta contra o regime, deveriam responder claramente essa questão. Embora, para ser franco, não vejo muito sinal de mobilização do poder público.

É por isso que essa campanha, capitaneada pela OAB-RJ, é tão importante. Só a mobilização e a conscientização da sociedade pode gerar alguma mudança. Abaixo, você ficará com o comercial estrelado por Fernanda Montenegro que dispensa maiores apresentações. Clicando aqui você pode assistir aos outros filmes. Para participar desse abaixo assinado é muito fácil. Basta clicar no gif que está na coluna ao lado, dentro da caixinha “Causa nobre” que abrigará todas as campanhas que este blog julgar relevantes.

Novo layout

Ah, sim, você leitor habitual deve ter reparado que o Idéias e etc está de cara nova. Gostei muito deste template e resolvi experimentá-lo. Embora seja impossível mexer no cabeçalho, ele me pareceu muito moderno e simples, o que me pareceu um ótimo custo/benefício. Mas como esse blogueiro é democrático, gostaria de ouvir o que você, simpático freguês, achou do novo visual. A caixa de comentários é serventia da casa.

Molusco Movie

Poster do filme

Poster do filme

Sim, este é mais um texto sobre o filme “Lula, o filho do Brasil”. Um pouquinho atrasado, reconheço, mas mesmo assim este blog não poderia deixar de comentá-lo. Nunca antes na história do cinema nacional, um filme foi tão criticado antes de ser exibido para o grande público. Talvez, “Tropa de elite” seja uma comparação possível, porém existe uma diferença fundamental entre as duas películas. O filme do Capitão Nascimento gerou polêmica depois de ter “vazado” na internet. Ou seja, as pessoas puderam falar dele com algum conhecimento de causa. Já o Molusco Movie foi malhado antes de ter entrado em circuito nacional.O Idéias e etc, por achar que é preciso conhecer alguma coisa para criticar, preferiu guardar sua opinião para depois de ter assistido ao filme. No inicio do ano, o ritual fundamental foi cumprido. A resenha foi dividida em duas partes: a primeira é dedicada ao filme e a segunda trata das polêmicas geradas pela fita.

O filme

A história não poderia ser mais manjada. Os familiares do Lula, e os seus amigos íntimos – incluindo o pessoal do governo -, devem conhecê-la de cor e salteado. Está tudo lá: a miséria da família no Nordeste, a vinda para São Paulo no Pau de arara; o alcoolismo do pai do presidente, que fazia com que ele fosse muito violento com a mulher e os filhos, o trabalho como torneiro mecânico, o acidente; a morte da primeira mulher, a Dona Marisa, a presidência do Sindicato dos Metalurgicos, as greves do ABC, o PT… quer dizer, o PT não aparece não, mas sobre isso eu comento daqui a pouco.

Antes, vamos falar um pouco dos pontos fortes do filme. Entre eles, a atuação do elenco é um dos grandes destaques. Todo mundo perfeito. Glória Pires como Dona Lindu dispensa maiores comentários. Cleo Pires, que interpreta a primeira mulher de Lula, também está muito boa, mas isso também não é novidade – se é que o amigo leitor me entende. Em tempo: não é estranho que o Lula namore a Cleo e seja filho da Glória Pires? É um incestuoso mesmo…

Brincadeiras à parte, o ator que interpreta o presidente, o novato Rui Ricardo Diaz, está simplesmente excelente.  Ele podia cair facilmente no grande equívoco da caricatura. Afinal, poucas personalidades são tão imitadas quanto Lula. Mas Diaz conseguiu fugir desse perigo. Está contido, equilibrado, no timing certo. Os outros detalhes técnicos também estão legais. É um filme bem editado, com algumas cenas grandiosas, como a enchente que a família foi vítima quando moravam em uma favela e as reconstituições das greves do ABC.

Mas cadê os defeitos mesmo? Justamente, onde deveria residir o grande trunfo do filme: o roteiro. Convenhamos: a história do Lula é impressionante. Já vi até gente da oposição reconhecendo isso. Alguém que saí do nada e consegue chegar ao cargo máximo de uma nação como o Brasil merece ter a sua vida retratada na tela grande. Com os 12 milhões de reais que custou o filme, a produção esmerada e o elenco bem escalado o resultado só poderia ser um filmaço. Poderia…

…mas não é. E o culpado, como disse, é o roteiro. A história presidencial não é falsificada. O problema é que o protagonista é bom demais para ser verdade. É apresentado como se não tivesse defeitos ou falhas, ou seja, sem nuances de personalidade. É excelente filho, marido, sindicalista… A pílula ficou dourada demais até para os padrões de uma cinebiografia.

Fica a impressão que o longa foi elaborado para agradar a todos: tucanos, petistas, comunistas, lulistas, malufistas e outros “istas”. Nem o PT aparece, pois o filme acaba com a morte da Dona Lindu -desculpa estragar o final…-, e o partido só seria lançado alguns anos depois. Eis um ponto crucial. Ao meu ver, os aspectos políticos são jogados para escanteio. Vários minutos são gastos mostrando a relação do protagonista com a sua mãe, e a sua atuação no sindicato é mostrada timidamente. Sem o mesmo impacto . O fato do PT não aparecer nem na sua fundação é extremamente sintomático disso. É como se o Zezé di Camargo e Luciano quisessem que o seu “2 filhos de Francisco” agradasse também aos que detestam a dupla. Seria um esforço em vão. Afinal, por melhor que seja o filme, a trilha sonora é repleta de músicas interpretadas pelos estridentes cantores. Essa tentativa de despolitzar “Lula, o filho do Brasil” acabou sendo o seu grande calcanhar de Aquiles. Resultado: um filme mediano. Nem tão bom quanto o enaltecido pelos produtores, nem tão ruim quanto o pintado por boa parte da imprensa tupiniquim. Nota 6,0.

As polêmicas

Foram muitas as polêmicas que cercaram o filme presidencial. Era até compreensível, afinal estamos falando de um personagem que, apesar da alta popularidade, está longe de ser um consenso nacional. Alguns amam, outros odeiam e muitos amam odiar. Abaixo, segue um inventário com as principais polêmicas comentadas pelo Idéias e etc:

Lula, o filho do Brasil é chapa-branca

Crítica procedente. Como dito acima, o filme acaba por dourar demais a pílula presidencial ao centrar a trama nas relações do protagonista com sua progenitora, minimizando os aspectos políticos.

Lula, o filho do Brasil e os patrocínios

Antes mesmo que as primeiras cenas surgirem na tela, o distinto espectador é informado, por meio de um letreiro, que o filme foi feito sem o auxílio da renúncia fiscal. Ou seja, sem o uso do dinheiro público. A seguir, aparece o logotipo das 18 empresas que investiram na película. É uma relação que não faria feio no macacão de um piloto de F1. Ao todo, foi captado 12 milhões de reais. Nada mal para os padrões nacionais; um trocado para os estúdios de Hollywood, ainda mais em tempos de Avatar.

Tudo certo, mas… e a polêmica? Pois bem, alguns gaiatos reclamaram que muitas das empresas que patrocinaram o filme teriam negócios com o governo, ou teriam sido “coagidas” a patrocinar para não ficarem mal na fita com o presidente. Ora, ora, ora… vamos largar de hipocrisia, ok? Qual empresa hoje não gostaria de fazer negócios com o governo? Isso vale para qualquer governo: estadual, municipal ou federal. A grande imprensa que polemizou é a primeira a se estapear em troca de um anúncio de alguma estatal para suas páginas. Esses jornais e revistas não adoram se proclamar os paladinos da livre iniciativa? Ou será que livre iniciativa no dos outros é refresco?

Quanta hipocrisia…

Lula, o filho do Brasil e a campanha eleitoral

Esta é a grande polêmica do filme. Muitos consideram que a vida do Lula na telona é uma pré-campanha discarada da ministra Dilma Rousseff. Isso é procedente ou estamos assistindo a um clássico episódio de paranóia tucana? Para responder essa pergunta, é preciso retroceder um pouco no tempo. Vamos até o ano de 2004, nos EUA, onde aconteceu algo que pode ser muito esclarecedor.

Coincidentemente, os americanos também estavam as vésperas de uma eleição presidencial. Entre os candidatos, George W Bush, que ocupava a Casa  Branca e, convenhamos, não era nenhum exemplo de popularidade, em seu país e no resto do mundo. Pudera. Cada dia que passava, as notícias de soldados mortos no Iraque complicavam ainda mais a vida do sujeito.

Com esse cenário de fundo, e faltando poucos meses para a eleição, estréia nos cinemas um documentário que chacoalhou o mundo: Fahrenheit 11 de setembro, de Michael Moore. Para quem não assistiu, o filme é uma cacetada de alto a baixo em Bush Jr. Entre outras coisas, Moore mostra que o exército escolheu os soldados, para a campanha no Iraque,  nos Estados mais pobres da federação. E essa é a denúncia mais leve do filme. Fahrenheit 9/11 ganhou a Palma de ouro em Canne e foi saudado pelo público e por boa parte da crítica – os republicanos, não sei porque, detestaram o filme. Michael Moore nunca escondeu o seu desejo de influenciar nas eleições que aconteceriam em novembro daquele ano. Queria a vitória do candidato democrata. Infelizmente, o resultado não foi bem o sonhado por Moore…

Agora, voltemos para 2010 e para o Brasil. Antes de mais nada, eu entendo que estamos lidando com culturas e circunstâncias diferentes. Mas o episódio envolvendo o filme de Moore traz algumas lições: primeiro, mostra que o poder do cinema de influenciar não é tão grande assim. Em tese, um documentário, por lidar com a “realidade” e ter um apelo jornalístico, teria muito mais capacidade de influenciar que a ficção, onde os espectadores sempre ficam com a impressão de terem sido enganados. E, na maioria das vezes, foram mesmo.

No caso do filme do Lula, é preciso fazer um malabarismo mental para provar essa tese. Vamos lá: o filme beneficia a Dilma, porque lá em outubro as pessoas vão lembrar que ela é a candidata do Lula, logo vão sufragá-la porque ficaram profundamente emocionadas pelo filme. Sinceramente? Acho complicado. Precisaria de uma pesquisa para comprovar essa teoria. Para mim, o filme pode influenciar, no máximo aquela parcela do eleitorado que já tem uma queda pelo Lula, mas essas pessoas já iriam votar na Dilma, independente do filme. E olhe lá. Uma eleição não segue uma lógica tão simplista. São muitos os fatores envolvidos nesse processo. Se bobear, ninguém vai lembrar do filme, e dessas polêmicas, em Outubro.

Em tempo: o amigo leitor ficou interessado em assistir ao filme do presidente? Se a resposta for positiva, recomendo correr. Ao que parece, a bilheteria não foi nenhuma maravilha. Em São Paulo, na rede Cinemark, uma das maiores do país, o filme só está sendo exibido no cinema do shopping Interlar Aricanduva com sessões ás 12h 25 e 15h 10.

Ainda o diploma de jornalismo…

Fuçando no blog da revista Imprensa, que o leitor pode acessar na coluna de “sites favoritos”, achei o cartum abaixo. Ele é divertido e, ao mesmo tempo, um retrato do que pode estar acontecendo nas redações brasileiras…

Mas existe uma pequena centelha de luz no fim do túnel. A PEC (Projeto de Emenda a Constituição) que restabelece a obrigatoriedade do diploma está na pauta de votação da Comissão de Constituição e Justiça. Sinceramente, não sei até que ponto eu me iludo com isso. Os interesses organizados contra são fortes, articulados, e não são fáceis de derrotar…

Mínimas para tirar a poeira

Eita blog desatualizado, hein? Pois é, leitor. Minha vida nas últimas semanas teve alguns solavancos – positivos, é bom frisar-, e o tempo que eu tinha de sobra para escrever ficou muito escasso. Mas hoje resolvi largar mão de ser preguiçoso e atualizar o blog. Ao que interessa, portanto.

Mínimas do Senado (e de todo o resto…)

Recentemente, a revista Veja descobriu que o jornal O Estado do Maranhão, cujo dono é o Sarney, só defende o seu dono…   o Sarney. Fico imaginando a ginástica mental que o repórter fez para chegar a tão surpreendente conclusão. Fiquei realmente chocado com tal achado. A reportagem é minha candidata ao Prêmio Esso. De melhor reportagem óbvia do ano.

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O Suplicy é meio lento, mas quando fala é relevante. A descompostura que ele passou, na segunda, ao bigodudo foi genial. Não por nada, interrompeu o discurso do Maranhense-mor sobre Euclides da Cunha. O autor de Os Sertões não merecia isso.

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Pergunta importante: quando vão começar um movimento para tirar o Sarney da Acadêmia Brasileira de Letras?

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Sério: uma das coisas mais divertidas dos últimos tempos é o Twitter. E serve como um profundo estudo antropológico da sociedade contemporânea. Um exemplo é a Xuxa reclamando da esculhambação com os erros gramaticais cometidos por sua filha, Sasha. Alegou que a garota foi alfabetizada em inglês. Alguém precisa avisar a apresentadora que, no Brasil, se fala e escreve em português. Aliás, pelo jeito que escreve, a rainha dos baixinhos (seqüelados…) também foi alfabetizada em inglês.

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Recomendo o livro Os segredos das redações, do Leandro Fortes. É uma das leituras mais legais que fiz sobre jornalismo nos últimos tempos. Muito útil para estudantes e profissionais já formados. Compre, peça emprestado, roube, mas não deixe de ler. Quando tiver mais tempo, faço uma resenha digna dessa obra

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Certa vez, eu li uma piada muito legal num livro sobre um tablóide alemão. Vou adaptá-la para melhor compreensão dos amigos leitores.

São Pedro estava observando o céu junto com um anjo. De repente, os dois vêem um fogo de artifício. O anjo pergunta:

- O que é isso, São Pedro?

- Ah, meu filho, isso sempre acontece quando uma pessoa mente na Terra. É um aviso divino.

Um pouco depois, os dois assistem um show pirotécnico. Parecia Copacabana em pleno reveillon, mas sem ninguém ser atingido pelos fogos na areia. O anjo, muito curioso, pergunta:

- E agora, São Pedro?

- Ah, isso é a Revista Veja sendo impressa, meu filho…

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O tablóide original é o Bild da Alemanha. O livro é do jornalista Günter Walraff que passou uma temporada como repórter, disfarçado, do jornal. Descobriu cada podridão. A obra chama-se Fábrica de mentiras. Aliás, recomendo muito outro livro dele, até melhor, chamado Cabeça de turco onde ele se fantasiou de Turco para mostrar a vida desses imigrantes na super racista Alemanha. Chocante. E imperdível.

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Esqueci de contar um detalhe: no livro, o Walraff relata que são os próprios jornalistas do Bild que contam a piada. E morrem de dar risada.

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Acabou de me ocorrer que eu já tenho o título para um possível livro sobre a Veja.  O Walraff não se incomodaria com o plágio.

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Falei no começo que as mínimas eram sobre o Senado, mas acabei falando pouco dos nossos parlamentares. Hhhhhmmmm… o amigo leitor não liga pra isso, né?

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Eu já falei mal da Veja hoje?

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Eu gosto desse estilo fragmentado. Dá menos trabalho com a coesão textual.

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Eu já falei mal do Gilmar Mendes hoje?

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Caramba, o que foi a vitória do Rubinho no Domingo passado? Bem bacana. Mas se a estatística estiver certa a próxima é só daqui a cinco anos. Na F-1 senior.

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Por hoje chega. Não sei quando volto. Nem sei se vão deixar esse blog continuar depois do post de hoje…

A agonia de Lúcio Flávio Pinto

O Brasil Real esconde histórias que o Brasil Imaginário, eixo Rio-São Paulo-FashionWeek-Daslu, prefere não enxergar. Uma das mais impressionantes é protagonizada pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, do Pará. Repórter destemido, Lúcio Flávio sempre se dedicou a investigar as mazelas da região: das quadrilhas que extraem madeira ilegal da Amazônia aos desmandos dos donos do poder. E faz isso longe da grande imprensa. As suas reportagens são publicadas no Jornal Pessoal, uma espécie de tablóide quinzenal editado pelo próprio jornalista, com tiragem aproximada de 2000 exemplares. A publicação sobrevive sem anúncios pois o repórter acredita que eles limitam a liberdade editorial.

Mas Lúcio Flávio está pagando um alto preço por sua independência. Em seus 18 anos de vida, o jornal já recebeu 33 processos, tendo sido condenado quatro vezes. Seu crime: investigar os poderosos da região. Entre eles, a família Maiorana, dona da TV Liberal, que por sua vez é afiliada da Rede Globo. O repórter descobriu que o patriarca dos Maiorana esteve envolvido com o contrabando, uma prática que era comum na região. Além dos inúmeros processos, o clã respondeu com a truculência típica dos coronéis. O próprio Lúcio Flávio relata o que aconteceu quando cruzou com um membro da família Maiorana num restaurante:

A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.

Vale repetir: Maiorana saiu impune, mesmo com as provas da agressão. Um elemento tragicômico dessa história é  o fato do agressor do jornalista ser presidente da comissão em defesa da Liberdade de imprensa da OAB Pará. Imaginem se ele fosse contra…

Ainda no território do direito, vale destacar outro ponto importante: nenhum advogado da região aceitou defender o jornalista. Vou repetir novamente, grifando com o itálico: Nenhum advogado da região aceitou defender o jornalista. Motivo? Deixemos que o Lúcio Flávio responda: “Alguns profissionais que contatei alegaram ser colaboradores do jornal O Liberal, outros diziam estar sem tempo e alguns marcavam encontro, que não se realizavam. Como bom entendedor, entendi”

Recentemente, a família Maiorana ganhou um processo na justiça contra o jornalista. Na sentença, o juiz determinou uma indenização de R$ 30.000 mais as custas do processo. E não ficou só nisso: proibiu qualquer expressão agressiva ou difamatória contra o patriarca Maiorana ou contra os seus filhos. Só eu estou sentindo o fedor de censura prévia?

O silêncio covarde da imprensa sobre esse episódio também não cheira bem. E olha que estamos falando de um profissional que foi correspondente do Jornal O Estado de S. Paulo durante 18 anos e tem quatro prêmios Esso no currículo. Também foi agraciado com o Colombe d’Oro per la Pace um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália e com o Prêmio internacional da Liberdade de imprensa, entregue em Nova York no ano de 2005. Se por aqui ficamos nesse mutismo covarde, com as honrosas exceções de praxe, nos Estados Unidos o caso Lúcio Flavio mereceu um editorial do jornal Washington Post, que dispensa apresentações.

Mais informações sobre o caso Lúcio Flávio: Clicando aqui, o leitor encontra um texto do próprio Lúcio Flávio sobre a sentença que o condenou. Neste link, o leitor encontra uma bela reportagem sobre o drama vivido pelo jornalista. Clicando aqui, você encontra um texto sobre o editorial do Washington Post (tentei achar o texto no site do Post, mas não consegui…). Se clicar aqui, o leitor encontrará o texto que me alertou para esta situação, escrito pelo sempre contundente Idelber Avelar. E, por último, mas o mais importante de todos, o link para o site do Jornal Pessoal, onde é possível entender o porquê que o Lúcio Flávio Pinto incomoda tanto os poderosos Paraenses.

O velório do diploma de jornalismo

Ontem, dia 17 de junho de 2009, o STF deixou momentaneamente de ser um tribunal e se transformou num cemitério. O defunto atende pelo nome de diploma superior para jornalismo. O coveiro-mor é Gilmar Mendes, que relatou o processo, mas o meritíssimo não carregou esse caixão sozinho: junto com ele estavam boa parte das entidades patronais da categoria, ABERT (Associação Brasileira de rádio e televisão) e ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e, também, muitos coleguinhas que encarnaram, felizes e saltitantes, o papel de pelegos comemorando o fim do diploma. A única e honrosa exceção é o ministro Marco Aurélio de Melo que votou pela manutenção da regulamentação.

As conseqüências desse enterro prometem ser sinistras para o jornalismo tupiniquim. Quem defende essa idéia é Leandro Fortes, um dos melhores repórteres em atividade no país, e professor de jornalismo. Em seu novo blog aqui no WordPress, Fortes lembra que os maiores prejudicados pelo fim do diploma serão os meios de comunicação regionais. É fácil entender o motivo: com o diploma, existia pelo menos uma garantia de qualidade na informação produzida por esses meios de comunicação. Com o fim da exigência, as redações desses veículos, que, via de regra, são controlados por políticos, serão tomadas de assalto por partidários do dono da empresa, sem nenhum compromisso com o jornalismo. O vaticínio de Leandro Fortes é assustador:

Eu, que venho de redações pequenas e mal amanhadas da Bahia, fico imaginando como é que essa resolução vai repercutir nas redações dos pequenos jornais do interior do Brasil, estes já contaminados até a medula pelos poderes políticos locais. Arrisco um palpite: serão infestados por jagunços, capangas, cabos eleitorais e familiares.

Mas nem todos são tão pessimistas. Luis Nassif, por exemplo, consegue enxergar alguma luz na escuridão. Para ele, existe um grande mercado que pode abrir para aqueles que ostentam o diploma de jornalista:

(…)há um enorme mercado que se abre com o fim da obrigatoriedade do diploma – beneficiando especialmente os com-diploma. Daqui para frente, cada vez mais as empresas e associações serão produtoras de informação, acabando com essa intermediação espúria da mídia. Hoje em dia há assessorias com mais jornalistas que as redações. Preparam releases, enviam para o jornal, o editor passa para um repórter dar uma guaribada e publicar como se fosse matéria própria.

Como estudante de jornalismo, gostaria de acreditar mais no otimismo do Luis Nassif do que no pessimismo do Leandro Fortes. Infelizmente, eu não consigo. Acho a visão do repórter de Carta Capital mais realista e vou além: o mercado, que já é altamente restrito, promete ficar ainda mais comprometido. De toda forma, não será a decisão de ontem que vai impedir que eu seja jornalista. Acredito no meu potencial, com o diploma valendo alguma coisa, ou não.

Para dar uma aliviada no clima funéreo desse texto, achei a imagem abaixo em um blog. Ela diz muito do que será o jornalismo daqui para frente…

diploma

P.S.: Criei uma enquete sobre o assunto na barra ao lado. Participe!

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