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Os três blogueiros contra o pensamento único


Sempre foi muito complicada a vida daqueles que tinham pontos de vista que destoavam da grande imprensa. Por mais que os grandes jornais “vendam”, para o grande público, uma pretensa “pluralidade de opiniões” ela sempre foi muito mais um elemento de marketing do que uma realidade nos jornalões brasileiros. A internet surgiu como uma excelente válvula de escape na luta contra o pensamento único. Hoje, qualquer um que tenha acesso a internet pode, em questão de segundos, ter um blog. E essa regra não vale apenas para anônimos. Grandes jornalistas também usam esse recurso para expressar posições que fujam do mais do mesmo que a mídia estampa diariamente. Um bom exemplo para ilustrar são os jornalistas Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e Luis Carlos Azenha. Todos os três tiveram, ou ainda têm, passagens por grandes veículos de comunicação, mas encontraram na internet um porto seguro para opinar livremente. Vale analisar cada blog individualmente.

Comecemos pelo Conversa afiada do Paulo Henrique Amorim. Dos três, PHA é o mais caústico. O jornalista chama a grande imprensa de PIG (Partido da Imprensa Golpista); não economisa palavras para fustigar José Serra, chamado por ele, ironicamente, de “presidente eleito”. FHC, por sua vez, é o faról de Alexandria. A Revista Veja ganhou o certeiro apelido de “A última flor do fáscio”. Mas o endereço não sobrevive apenas da pena ferina de Amorim. Se Daniel Dantas pegou muita gente de surpresa, não se pode dizer isso de PHA que tem verdadeira fixação pelo orelhudo, apelido que a Revista Carta Capital deu ao DD. Motivo: Dantas teria grampeado o seu telefone e o da sua filha. Aliás, foi para mim uma surpresa perceber tanta caústicidade em um jornalista que, na época da Globo, fazia sóbrias análises econômicas. Em tempo: a emissora dos Marinho também não passa incólume pelo Conversa Afiada.

Outro que não poupa a Globo é Luis Carlos Azenha. Um dos alvos preferenciais do seu Vi o mundo é o diretor executivo de jornalismo Ali “No Brasil, não existe racismo” Kamel. Um dos meus momentos preferidos foi quando ele perguntou para um negro se existe racismo no Brasil. Obviamente, a resposta foi afirmativa. Azenha, então, mostrou a capa do livro de Kamel, o inacreditável “Não somos racistas” e sugeriu para o rapaz usar o livro como bandeira sempre que fosse vítima de racismo. Aqui, o leitor pode conferir o vídeo. Aliás, essa é uma característica interessante do trabalho do Azenha. Dos três, ele é quem melhor explora todo o potêncial multímidia da internet, realizando vídeos e aúdios. Um ponto fraco é o design do site. Muito confuso, com editorias pouco claras, além de ser um desafio reconhecer os conteúdos novos.

O terceiro blogueiro, Luis Nassif, tem o blog mais simples do ponto de vista do design, mas nem por isso o seu conteúdo tem menos potêncial explosivo. Muito pelo contrário. A sua série de reportagens sobre a Revista Veja é um exemplo. Nesse trabalho que ainda não chegou ao fim–e se depender do jornalismo praticado pela última flor do fáscio, dificílmente será possivel colocar um ponto final–, Nassif relaciona uma espantosa coleção de mazelas, seja colunistas que servem como lobistas de banqueiros, seja a lista de “mais vendidos” usada em benefício de uma editora, cuja diretora namorava o redator chefe da revista, ou, então, os ataques a reputação de terceiros. Essa é apenas uma pequena lista, leitor. O atestado de óbito completo da Veja está aqui. Para aliviar de toda essa podridão, o blog oferece aos seus leitores algumas crônicas muito bonitas escritas por seu proprietário.

Cada qual ao seu modo, esses três jornalistas contribuem, e muito, para a reflexão crítica da nossa realidade. E eles só podem existir porque a internet, apesar de ainda estar limitada a uma pequena elite, se pensarmos o todo da população brasileira, é um território livre, onde a ingerência dos grandes barões da mídia está confinada aos sites das suas publicações. Eles, felizmente, não podem controlar tudo o que se poduz fora do mainstream. Um grande alento na luta contra o pensamento único.

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