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[Idéias avulsas] Hotel Ruanda


[Publicado no dia 14/11/2007 ás 13h e 49 no Idéias avulsas]

Em 1994, morreram em Ruanda 800 mil pessoas no genocidío perpetrado pela maioria Hutu contra a minoria Tutsi. A imprensa e a comunidade internacional perceberam tarde demais a dimensão da tragédia. Aos poucos, entretanto, estão sendo feitos esforços para contar essa história sem cair na mistificação que atribui o genocídio a um conflito tribal com origens imemoriais. Um excelente livro sobre o assunto é “Gostaríamos de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias” do americano Philip Gourevitch, lançado no Brasil pela Companhia das letras. Nessa obra, Gourevitch conta muitas histórias sobre o genocídio, uma delas inspirou o filme Hotel Ruanda.

O filme do americano Terry George, conta a história real do gerente de hotel Paul Rusesabagina que, embora seja Hutu, não embarcou na selvageria que cegou sua etnia. Atuando como um diplomata, Paul logo percebe que os genocídas tinham um fraco por dinheiro e bebida alcoólica. Graças ao seu esforço, 1000 pessoas foram salvas. Enquanto fazia esse trabalho, o gerente do hotel procurou chamar a atenção do resto do mundo para o drama do seu país. Em vão. Como dissemos, a comunidade internacional percebeu tarde o tamanho da tragédia.

Aqui, reside um dos grandes méritos do filme: a sua fidelidade histórica. O enredo tinha tudo para virar um melodrama, mas ele não descamba para o sentimentalismo fácil. Consegue aliar, com grande maestria, o entretenimento e a história. E o melhor: sem os exageros tão típicos de hollywood. Um dos momentos mais emocionantes do filme acontece quando surge o que seria uma tropa de ajuda internacional. Os hóspedes vibram imaginando que o seu suplíco tinha chegado ao fim. Ledo engano. Na verdade, aqueles soldados vieram apenas escoltar os europeus e americanos, para os seus países de origem, deixando os Ruandeses ao Deus dará. Uma cena que sintetiza muito bem o tratamento dado pela comunidade internacional ao genocídio

É claro que o filme, sozinho, não mostrará todos os nuances da tragédia, mas serve como uma porta de entrada fidedigna para conhecer essa episódio trágico da história da humanidade. Além de retratar na tela grande, um evento que mereceu apenas algumas notas de rodapé da imprensa. Abaixo o leitor poderá assistir ao trailer do filme:

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  1. Vinícius Mendes
    14/12/2008 às 5:11 pm

    Poxa Marcelo, obrigado pela dica. Eu mesmo não sabia que tinha um filme retratando a verdadeira face da guerra civil na Ruanda, e acho que é um exemplo a ser seguido para tratar de outras guerras civis que acontecem pelo mundo e que, de certa forma, são isoladas pelos poderosos. Muito bom mesmo meeu querido!

    Abraço!

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