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Confirmado: houve mesmo censura ao “Comitê de imprensa”


"Mamãe mandou eu censurar..."

"Mamãe mandou eu censurar..."

Até pouco tempo atrás, o episódio da censura ao Comitê de imprensa podia ser tratado na condicional: o Ministro Gilmar Mendes teria pedido a retirada do programa do ar. Afinal de contas, não existia uma prova concreta  da gatunagem. Agora, não é preciso ter toda essa cautela. O depoimento do diretor da TV Câmara é o batom que faltava nessa cueca encardida. Vejamos o que Manuel Roberto Seabra disse ao site Comunique-se:

A gente recebeu muitas reclamações sobre a matéria. Ela teria sido ofensiva e saía do tema. Houve uma tentativa de responder a isso, ouvindo as partes atingidas: o ministro Gilmar e um representante da CPI dos grampos. A idéia era inserir isso no programa, como um direito de resposta. Os assessores deles ligaram e reclamaram. Tentamos entrevistar o ministro Gilmar e o representante da CPI, mas como isso não se consumou, resolvemos voltar com o link no ar

Primeiro, o diretor prova que não é capaz de estabelecer um juizo sobre o programa. Como assim “teria sido ofensivo e saído do tema”? Ele não assistiu ao Comitê? Provavelmente não. Se tivesse visto, logo perceberia que o programa não ofendeu ninguém e jamais saiu do tema proposto. Depois, chega a ser divertida a descrição do seu esforço em falar com o Gilmar Mendes e um representante da CPI dos grampos. O leitor já viu programa de debates que ouve o outro lado? Já imaginaram se, por exemplo, o roda-viva tivesse de ouvir todo mundo que o seu entrevistado cita criticamente? O programa atravessaria madrugada a dentro. Se a emissora tinha tanto interesse em ouvir “as partes atingidas” seria muito simples: bastava mandar os repórteres entrevistarem os dito cujos e exibiria essa matéria no próximo Comitê de imprensa. Com essa solução óbvia, nem precisava censurar. Mas nem isso a equipe de reportagem da TV Câmara foi capaz de fazer. E olha que o Gilmar Mendes concede trocentas entrevistas por semana…

O Luis Carlos Azenha ainda nota algo interessante: o texto lido na abertura do Comitê endossa parte das denúncias de Veja contra o delegado Protógenes. Mas nem por isso o diretor da Câmara fez algum esforço para ouví-lo. Dois pesos e duas medidas. Sobre as declarações absurdas do diretor da TV Câmara, Leandro Fortes voltou à carga no site de Carta Capital:

O que ofende a todos nós, jornalistas, é essa tentativa primária de encerrar um assunto gravíssimo, baseado em prova documental (as imagens do site com e sem o link censurado), a partir de uma defesa confusa, contraditória e tardia, elaborada sem o menor compromisso com o jornalismo, a ética e a boa educação. Leio, estarrecido, que por causa desse episódio, a TV Câmara pretende “reformular” o programa “Comitê de Imprensa”, até então considerado um fórum plural e democrático de discussão entre jornalistas de diversos veículos, pensamentos e opiniões. Segundo Manuel Seabra, o programa terá pautas “mais fechadas”, seja lá o que isso signifique. E os apresentadores (quais? Não era só um?) estarão avisados “para evitar novos ataques pessoais”. Só pode ser piada. O que farão os apresentadores? Darão choques elétricos nos entrevistados? Vão acionar aquele “piiii!” usado para camuflar os palavrões proferidos pelos participantes do Big Brother Brasil?

No fim do seu texto, o repórter ainda cobra das entidades da categoria uma posição mais firme nesse episódio. O Idéias e etc assina embaixo. O Comitê de imprensa, pelo menos, já pode ser assistido no site da TV Câmara. O programa, que foi exibido na semana seguinte ao censurado, debateu algumas “denúncias de interferência no trabalho jornalístico” apartir de uma pesquisa da Sociedade Interamericana de Imprensa. Um tema muito apropriado.

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  1. Eduardo
    29/03/2009 às 4:42 am

    Boa, Marcelo!

    “Mamãe mandou eu censurar…”
    Hahuhuahuahua… Contenhá-se, mano!

    Cara, gostei da sua análise. Legal que vc acompanhou as repercuções do assunto e foi postando a cada novo passo dessa história.

    Sinceramente, Gilmar Mendes já encheu. Tava na hora de alguém censurá-lo! Melhor, já passou da hora.

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