Os políticos e a imprensa


Roberto Marinho e o vovô ACM: retrato de uma amizade antiga.

Roberto Marinho e o vovô ACM: retrato de uma amizade antiga.

Na última terça-feira, a Comissão de Constitução e Justiça (CCJ) do senado aprovou um parecer do senador Pedro Simon em que é dito o óbvio: políticos não podem ser donos de meios de comunicação. O objetivo é impedir a renovação das concessões para emissoras de rádio e tevê cujos proprietários sejam parlamentares.

O que pode parecer óbvio em qualquer outro lugar do planeta Terra encontra, aqui no Brasil, um entrave gigantesco. Por um pequeno detalhe: segundo o Comunique-se, 20 dos nobres  senadores são donos de algum órgão de comunicação; na Câmara dos deputados, 50 dos representantes do povo estão na mesma condição. E eles já começaram a reclamar. O primeiro foi ACM Jr, dono de jornais e acionista de uma retransmissora da TV Globo na Bahia, herdada de seu avô. Para a imprensa, o neto de Toninho Malvadeza resmungou:

Essa interpretação dada ao texto constitucional é totalmente equivocada. Hoje há uma proibição de que parlamentares com mandato sejam gestores de empresas de comunicação, não proprietários. O que aconteceu na CCJ na terça-feira foi um absurdo

Será mesmo? Vamos dar uma olhada na carta magna Brasileira. Os grifos são meus:

Deputados e senadores não poderão, desde a posse, ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada

O texto é clarissímo e não permite outro entendimento. Só mesmo o ACM Jr, pelo jeito portador de uma dislexia crônica, para interpretar as linhas acima de outra maneira. Com todo o respeito aos disléxicos.

É uma grande piada que, em pleno século XXI, o congresso Brasileiro ainda esteja ás voltas com questões como essa. Só no país da jabuticaba, políticos podem ser donos de meios de comunicação e se utilizarem dessa influência para aumentar e/ou manter o seu poder.

Apesar das boas intenções do senador Pedro Simon, vejo com bastante ceticismo as chances de alguma mudança real. Aplicar, com rigor, essa lei mexeria diretamente com os interesses dos parlamentares e, também, com o de boa parte da mídia corporativa. Só sendo muito ingênuo para imaginar que esse tipo de projeto possa ser aprovado no plenário do Senado, ainda mais com o Zé Sarney, dono de uma retransmissora da Globo no Maranhão, presidindo casa.

Mas vamos sonhar essa utopia e imaginemos que o Senado e a Câmara aprovem o parecer do Simon. O que muda? Nada, absolutamente nada. O Malvadeza Jr pode se afastar do controle da Globo na Bahia, mas as coisas podem continuar como estão. Basta que ele coloque um laranja no seu lugar e este fará exatamente o que ele determinar; com apenas alguns telefonemas, ele seguirá mandando na linha editorial de suas emissoras. Na prática, tudo continuará igualzinho.

Aliás, o parecer do Simon só foi aprovado porque na dia da votação participaram apenas 4 parlamentares. E a sessão deve ter sido ultra-secreta, pois o senador Wellington Salgado fez a seguinte reclamação aos jornalistas: “Nem eu, que sou vice-presidente da comissão, sabia que esse assunto estava na pauta” Em tempo: o nobre senador é o feliz proprietário de uma retransmissora do SBT no triângulo mineiro.

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  1. Malu
    23/04/2009 às 5:11 pm

    http://newscamp.wordpress.com/

    Dá uma oolhada nisso , parece interessante
    Malu

  2. malubranco
    19/04/2009 às 11:33 pm

    Marcelo,
    vc tá afiado, heim velho…
    abs Malu

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