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Archive for the ‘Notas curtas’ Category

Balanço do 2º turno – uma nota naúfraga

O segundo turno começou e já está quase acabando e eu nem comentei ainda o resultado do primeiro turno que teve a eleição do palhaço Tiririca por incríveis  – porém críveis -, 1 milhão 353 mil e 820 votos.  Ganhou, mas pode não levar pois os promotores ainda desconfiam que Tiririca é analfabeto. É aquela história de fechar a porteira depois que a boiada fugiu…

Eu tinha planejado um texto mais elaborado sobre esta campanha, porém, francamente, o (baixo) nível, as miudezas da disputa eleitoral – quantas bolinhas acertaram a careca do José Serra mesmo? – e quetais me desanimaram profundamente. Acompanho o noticiário político quase como um naúfrago; levado pelas ondas do oceano, sem grandes esperanças de navegar em mares calmos nos próximos tempos.

É só o que me ocorre escrever.

Ainda o diploma de jornalismo…

Fuçando no blog da revista Imprensa, que o leitor pode acessar na coluna de “sites favoritos”, achei o cartum abaixo. Ele é divertido e, ao mesmo tempo, um retrato do que pode estar acontecendo nas redações brasileiras…

Mas existe uma pequena centelha de luz no fim do túnel. A PEC (Projeto de Emenda a Constituição) que restabelece a obrigatoriedade do diploma está na pauta de votação da Comissão de Constituição e Justiça. Sinceramente, não sei até que ponto eu me iludo com isso. Os interesses organizados contra são fortes, articulados, e não são fáceis de derrotar…

Mínimas para tirar a poeira

Eita blog desatualizado, hein? Pois é, leitor. Minha vida nas últimas semanas teve alguns solavancos – positivos, é bom frisar-, e o tempo que eu tinha de sobra para escrever ficou muito escasso. Mas hoje resolvi largar mão de ser preguiçoso e atualizar o blog. Ao que interessa, portanto.

Mínimas do Senado (e de todo o resto…)

Recentemente, a revista Veja descobriu que o jornal O Estado do Maranhão, cujo dono é o Sarney, só defende o seu dono…   o Sarney. Fico imaginando a ginástica mental que o repórter fez para chegar a tão surpreendente conclusão. Fiquei realmente chocado com tal achado. A reportagem é minha candidata ao Prêmio Esso. De melhor reportagem óbvia do ano.

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O Suplicy é meio lento, mas quando fala é relevante. A descompostura que ele passou, na segunda, ao bigodudo foi genial. Não por nada, interrompeu o discurso do Maranhense-mor sobre Euclides da Cunha. O autor de Os Sertões não merecia isso.

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Pergunta importante: quando vão começar um movimento para tirar o Sarney da Acadêmia Brasileira de Letras?

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Sério: uma das coisas mais divertidas dos últimos tempos é o Twitter. E serve como um profundo estudo antropológico da sociedade contemporânea. Um exemplo é a Xuxa reclamando da esculhambação com os erros gramaticais cometidos por sua filha, Sasha. Alegou que a garota foi alfabetizada em inglês. Alguém precisa avisar a apresentadora que, no Brasil, se fala e escreve em português. Aliás, pelo jeito que escreve, a rainha dos baixinhos (seqüelados…) também foi alfabetizada em inglês.

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Recomendo o livro Os segredos das redações, do Leandro Fortes. É uma das leituras mais legais que fiz sobre jornalismo nos últimos tempos. Muito útil para estudantes e profissionais já formados. Compre, peça emprestado, roube, mas não deixe de ler. Quando tiver mais tempo, faço uma resenha digna dessa obra

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Certa vez, eu li uma piada muito legal num livro sobre um tablóide alemão. Vou adaptá-la para melhor compreensão dos amigos leitores.

São Pedro estava observando o céu junto com um anjo. De repente, os dois vêem um fogo de artifício. O anjo pergunta:

– O que é isso, São Pedro?

– Ah, meu filho, isso sempre acontece quando uma pessoa mente na Terra. É um aviso divino.

Um pouco depois, os dois assistem um show pirotécnico. Parecia Copacabana em pleno reveillon, mas sem ninguém ser atingido pelos fogos na areia. O anjo, muito curioso, pergunta:

– E agora, São Pedro?

– Ah, isso é a Revista Veja sendo impressa, meu filho…

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O tablóide original é o Bild da Alemanha. O livro é do jornalista Günter Walraff que passou uma temporada como repórter, disfarçado, do jornal. Descobriu cada podridão. A obra chama-se Fábrica de mentiras. Aliás, recomendo muito outro livro dele, até melhor, chamado Cabeça de turco onde ele se fantasiou de Turco para mostrar a vida desses imigrantes na super racista Alemanha. Chocante. E imperdível.

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Esqueci de contar um detalhe: no livro, o Walraff relata que são os próprios jornalistas do Bild que contam a piada. E morrem de dar risada.

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Acabou de me ocorrer que eu já tenho o título para um possível livro sobre a Veja.  O Walraff não se incomodaria com o plágio.

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Falei no começo que as mínimas eram sobre o Senado, mas acabei falando pouco dos nossos parlamentares. Hhhhhmmmm… o amigo leitor não liga pra isso, né?

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Eu já falei mal da Veja hoje?

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Eu gosto desse estilo fragmentado. Dá menos trabalho com a coesão textual.

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Eu já falei mal do Gilmar Mendes hoje?

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Caramba, o que foi a vitória do Rubinho no Domingo passado? Bem bacana. Mas se a estatística estiver certa a próxima é só daqui a cinco anos. Na F-1 senior.

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Por hoje chega. Não sei quando volto. Nem sei se vão deixar esse blog continuar depois do post de hoje…

Nova página no Idéias e etc

O nome da página é “Preciosidades” e nela vai caber de tudo: documentários, reportagens, tosqueiras, fotos, e etc, etc, etc… Conforme ela for sendo atualizada, eu aviso por aqui. E o leitor também está convidado a dar as suas sugestões. Elas serão sempre bem-vindas. Para o lançamento, disponibilizei dois documentários, na íntegra, que são absolutamente imperdíveis: “Nada além do cidadão Kane”, sobre a TV Globo e “A revolução não será televisionada” sobre o golpe que Hugo Chavez sofreu na Venezuela em 2002.

Espero que gostem.

Categorias:Notas curtas

Uma dica e um cartum

Comecemos pela dica: a TV Cultura exibirá hoje o programa “Grandes Personagens Brasileiros” e contará a história de um personagem que honra o nome do programa: Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil. Na minha opinião, ele é um dos mais importantes cartunistas Brasileiros. Morto pela AIDS em 1988, ele viveu quase toda a sua vida profissional soltando petardos contra a ditadura militar.

Agora, o cartum…

Gilmar e a lei - Autor desconhecido

Gilmar e a lei - Autor desconhecido

Jornalista, só com diploma! [Atualizado]

Atualização do dia 17/06/2009 às 7h e 32 minutos O STF acabou de julgar faz alguns instantes o processo envolvendo a regulamentação da profissão de jornalista. O resultado, de certa forma, não surpreendeu este Idéias e etc: 8 x 1 com apenas o ministro Marco Aurélio de Mello fugindo do coro dos contentes. Esta é uma quarta feira melancólica para todos os jornalistas que amam o seu ofício e consideram importante estar bem preparado para exercê-lo.

Lamentável.

P.S.: Estou pensando seriamente em pedir para que a minha faculdade imprima o meu diploma em papel higiênico, assim ele terá alguma utilidade…

Atualização do dia 12/06/2009 às 10 h e 10 minutos: Parece até mentira, mas o julgamento do processo envolvendo o diploma para jornalistas não foi julgado no dia 1º, nem posteriormente no dia 15 de Abril. Passou Maio inteirinho e o julgamento ficou para o dia 9 desse mês. Novamente, ficou apenas na intenção. Ao que parece, a nova data é o dia 17 de junho, próxima quarta feira. Pelo menos, é o que informa todos os sites especializados.

Devo confessar que estou bem pessimista. O relator da causa não poderia ter sido mais mal escolhido: Gilmar Mendes. Sua relação fraterna com os grandes barões da mídia, que, via de regra, são contrários ao diploma de jornalista, já é motivo suficiente para deixar qualquer um desanimado. Também desconfio profundamente do seu amor aos jornalistas independentes. Não se esqueçam que o assessor do Supremo meritíssimo acionou a polícia federal contra um jornalista…

Mas, mesmo assim, é preciso manter um fiapo de esperança. É por isso que decidi ressucitar esse texto, como forma de marcar posição em defesa do diploma de jornalismo. Tomara que a Fenaj e as entidades da categoria consigam sensibilizar os meritíssimos do STF.

Tomara…

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O dia 1 de Abril de 2008 promete fortes emoções aos jornalistas do Brasil. O Supremo Tribunal Federal julgará a validade, ou não, da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo. Eu pretendia escrever um texto mais elaborado sobre o assunto, mas mudei meus planos depois que a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) enviou o Flyer abaixo. Ele diz tudo o que precisa ser dito sobre essa questão. Qualquer coisa que eu acrescentasse seria redundante. Eu só faço figas para que os distintos ministros do STF tomem a medida mais acertada, ou seja, mantenha a relevância da formação superior em jornalismo. A imprensa Brasileira agradecerá.

fenaj-flyer-eletronico-jornalista-so-com-diploma-2009

Atualização do dia 03/04/2009 às 10h e 59 minutos: Acabou que o dia não teve tantas emoções, apesar de mais um editorial infame do jornal Folha de S. Paulo defendendo o fim da exigência do diploma para jornalistas. Segundo a imprensa, o julgamento ficou para o dia 15 de Abril. Fiquei pensando: será que os supremo meritíssimos só trabalham de 15 em 15 dias? Importante: não é só a questão do diploma que está em jogo, mas a lei de imprensa, um dos últimos entulhos autoritários que sobraram da ditadura militar, também está na pauta de julgamento.

FENAJ se pronuncia sobre a suprema censura

Ontem, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) se pronunciou sobre a censura ao programa Comitê de imprensa que teria sido executada a pedido do presidente do STF, Gilmar Mendes. No texto, encaminhado a secretária da presidência da Câmara dos deputados, a entidade cobra providências para elucidar o caso. Segue a íntegra da nota:

Brasília, 23 de março de 2009.

Ofício Nº 008/2009 – FENAJ

Ao jornalista Sérgio Chacon

Secretário de Comunicação Social

C/c Manuel Roberto Seabra Pereira

Diretor da TV Câmara

e Michel Temer

Presidente da Câmara dos Deputados

Senhor Secretário,

A FENAJ recebeu, no último dia 19, cópia de carta aberta distribuída pelo jornalista Leandro Fortes denunciando ação de censura com a suspensão da veiculação do programa “Comitê de Imprensa”, produzido pela TV Câmara e gravado no dia 11 de março. O jornalista também informa que o link para o citado programa foi retirado da página da TV Câmara na internet e que tais atitudes teriam sido tomadas em função de solicitação do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.

Preocupados com as implicações destas denúncias, caso sejam confirmadas, solicitamos desta Secretaria esclarecimentos sobre os fatos relatados. A liberdade de imprensa e o direito à livre manifestação são conquistas inalienáveis da sociedade brasileira e têm na Câmara dos Deputados um aliado imprescindível na proteção e defesa desses direitos sociais. Atitudes de cerceamento e censura se de fato forem confirmadas, são antagônicas com a função e o papel que se espera de integrantes da Suprema Corte do País e de funcionários e parlamentares da Câmara Federal.

Nesse sentido, na expectativa de receber as informações solicitadas, que com certeza irão esclarecer e repelir as supostas ações de censura renovamos votos de elevadas estima.

Cordialmente,

Sérgio Murillo de Andrade

Presidente da FENAJ

Enquanto isso, na Sabatina da Folha

Hoje, o jornal Folha de S. Paulo promoveu uma sabatina com o Gilmar Mendes. Este blog acompanhou alguns momentos do evento através da transmissão pela TV UOL. A entrevista surpreendeu pouco como se imaginava. Algumas perguntas essenciais – envolvendo as denúncias de Carta Capital foram feitas, mas sem a necessária incisividade. O supremo meritíssimo, aliás, não perdeu a oportunidade de fustigar, discretamente, alguns jornalistas críticos ao seu trabalho, mas sem citar nomes, apenas com insinuações vagas.  A censura ao programa Comitê de imprensa também não foi abordada. Nenhuma surpresa, portanto. O meritíssimo também se negou a tecer sua suprema opinião sobre o delegado Protógenes. Ao final do evento, alguns estudantes fizeram um protesto contra o GM, mas este saiu pelas portas do fundo.

Seleta de links

Errata do dia 10/02/2009: Duas correções na nota sobre o blog do Tomás Chiaverini: grafei o seu nome errado, com um “h” a mais e chamei o seu livro “cama de cimento” de “casa de cimento”. O próprio Tomás, nos comentários, notou essas pequenas lambanças. Correções feitas.

Durante as férias, um dos meus passatempos preferidos foi percorrer a blogosfera em busca de endereços interessantes. Posso adiantar que o resultado dessa pesquisa foi muito positivo. Dois desses achados serão apresentados logo abaixo. Esses blogs ainda não entraram no radar do grande público, mas valem ser visitados sempre que possível. O terceiro blog pertence ao jornal Folha de S. Paulo, mas, por ser segmentado, não está entre os campeões de audiência do site. Por fim, uma nota lamentando o encerramento de um blog e uma piadinha só para não perder o hábito.

Antes da estante – Blog do Tomás Chiaverini

O blog Antes da estante é um verdadeiro achado. O próprio nome já dá uma idéia do que aguarda o leitor. O jornalista Tomás Chiaverini conta os bastidores da elaboração de um livro-reportagem sobre as festas rave. Chiaverini transforma o seu blog num grande divã onde despeja suas agruras, inseguranças, alegrias, tristezas, e, para a alegria dos seus leitores, alguns casos saborosos ocorridos na apuração da reportagem. Nas férias, li o blog na íntegra e, se puder, recomendo que o leitor faça o mesmo. Mas se a preguiça e/ou a falta de tempo forem maiores, leia pelo menos os posts onde o autor conta sua experiência com o ecstasy. Sim, o jornalista experimentou a balinha para poder sentir na pele as sensações de um ravers, ou seja, um freqüentador de rave. O relato está aqui, aqui, aqui e aqui. Apesar de jovem, esse é o seu segundo livro, o primeiro é “Cama de cimento” sobre os moradores de rua. Como sou um sujeito muito sortudo, achei esse livro numa promoção. Quando eu ler, faço uma resenha aqui no Idéias e etc. Mas se seguir o padrão de qualidade do blog tem tudo para ser excelente.

Nota de rodapé – Blog do Thiago Domenici

Para quem não sabe, Thiago Domenici foi secretário de redação da revista Caros Amigos. Alguns meses depois da morte do fundador, Sérgio de Souza, Domenici foi demitido pelo telefone em circunstâncias muito estranhas. Segundo ele, os motivos foram algumas mudanças que ocorreram na revista sob a nova direção. Sua carta de despedida pode ser lida aqui. Para a revista, o motivo foi uma recusa de Domenici em entrevistar a ministra Dilma Roussef. De qualquer modo, o seu blog vale ser visitado de vez em quando pois o jornalista é muito bem informado em questões importantes como os direitos humanos. Thiago Domenici também é um dos responsáveis por um documentário sobre o caso Escola Base, disponibilizado na íntegra no youtube e que você pode assistir logo abaixo. É uma excelente ajuda-memória para quem é ou pretende ser jornalista…

O caso Escola Base 1º parte

O caso Escola Base 2º parte

Novo em Folha – Blog do programa de treinamento do jornal Folha de S. Paulo

Há vinte anos, a Folha de S. Paulo mantém um programa de treinamento intensivo em jornalismo diário. Através de um processo seletivo, o programa seleciona os participantes que terão uma série de palestras e atividades sobre a rotina de um grande jornal. O blog Novo em Folha, além de acompanhar a rotina dos participantes, discute muitas das questões do dia-a-dia do jornalista, através de casos apresentados pelos próprios leitores do blog, ou vividos pela equipe do jornal. Outro ponto forte são as dicas de cursos, livros  e links úteis na internet. Apesar de ser focado em jornalismo, nem é preciso dizer que o blog não traz uma perspectiva crítica do trabalho da imprensa Brasileira. Nem esse é o objetivo. De todo modo, o endereço merece fazer parte da visita constante daqueles que querem ser jornalistas.

O (novo) fim do Blog do Mino Carta

Em outubro de 2008, comemorei nesse blog o retorno de Mino Carta para a blogosfera. Nem bem o seu blog completou quatro meses  o jornalista resolveu encerrar os trabalhos novamente. Mas dessa vez ele deixará, também, de escrever os editoriais da revista Carta Capital. Os motivos foram esmiuçados no texto de despedida do seu blog, mas são dois em síntese: o primeiro foi um desalento com o governo Lula, que mereceu do jornalista e da sua revista, um grande apoio tanto na primeira quanto na segunda eleição. Apesar de grande amigo do presidente, Mino acha que o governo Lula acabou fazendo conciliação demais e política social de menos. O que, aqui entre nós, eu concordo em gênero, número e grau. O outro motivo está relacionado com a polêmica envolvendo Cesare Battisti. Mino Carta, que é Italiano de nascimento, é um fervoroso defensor da deportação do sujeito e desceu o cacete em Tarso Genro no seu blog. A reação dos leitores aumentou ainda mais o seu desalento. Esses fatores combinados fizeram com que, segundo suas próprias palavras, a sua crença no jornalismo falisse. Tenho para mim que essa é apenas uma fase. O próprio Mino anunciou que está escrevendo um livro sobre o Brasil. Quando terminar de escrevê-lo, o vírus do jornalismo, inoculado no seu sangue há tanto tempo, fará com que o velho e bom Mino Carta retorne ao batente.

Os jornalistas na visão do Barão de Itararé

Achei no blog Humor do Novaes uma máxima divertidíssima do Barão de Itararé sobre os meus coleguinhas. Para quem não sabe, Barão de Itararé é o nome artistíco de Aparício Torelly, um dos grandes humoristas brasileiros. Aqui você pode ler sua biografia. Vejam a máxima e me digam se não é perfeita…

baraoeosjornalistas

Ainda falando em reality shows…

No texto passado, eu comentei sobre os reality shows que eram inteligentes e, também, sobre aqueles que desafiavam o intelecto alheio. Visitando o site do Duke -link na parte de “sites favoritos”-,  achei o cartum abaixo que resume muito bem a questão toda. É simplesmente genial…

bigbosta

Notas sobre as semanais

Esta semana algumas revistas retomaram alguns assuntos já discutidos pelo Idéias e etc. Vale a pena o registro.

Veja

A revista Veja continua a mesma. Infelizmente. Semana passada, publicou a seguinte nota sobre o colégio Visconde de Porto Seguro, na seção “sobe e desce”: “A escola paulistana obrigará os alunos a assinar um panfleto de propaganda petista” Apenas isso. Nenhum detalhe sobre que panfleto seria esse, o seu conteúdo, de que maneira os alunos seriam obrigados a assinar o “panfleto”, nada. A direção do colégio, claro, não gostou e mandou uma carta aos pais dos alunos sobre o ocorrido. Nela, dá uma pista do que pode ter gerado essa nota simplesmente inacreditável. Reproduzimos um trecho com os grifos do original:

Analisando os materiais novos adotados para 2009, sob supervisão do centro pedagógico, deduzimos que o motivo do ataque tenha sido a leitura complementar, na 2º e 3º séries do ensino médio, Atualidades em sala de aula: Carta na escola. Trata-se de uma seleção mensal de matérias anteriormente publicadas na Revista Carta Capital.

Num outro momento, a direção do colégio diz que a escolha do material aconteceu depois de uma análise da equipe pedagógica, em que o material de Carta Capital foi considerado o melhor, comparado com dois outros produtos do gênero, entre eles o Veja na sala de aula – creeeedddoooo!-, por ser o que melhor “atende ao nível de aprofundamento desejado para nossos pré-vestibulandos”.Não é preciso fazer um grande esforço de raciocínio para entender o porquê da reação de Veja.

Mas o barulho promovido pela diretoria do colégio Visconde de Porto Seguro surtiu um efeito inesperado. Na edição dessa semana, Veja publicou a seguinte nota na seção de cartas. Os grifos são meus:

VEJA errou
VEJA errou ao dar um Desce para o Colégio Visconde de Porto Seguro (seção Panorama, edição 2 086, 12 de novembro) sob a justificativa de que “a escola paulistana obrigará os alunos a assinar um panfleto de propaganda petista”. As informações de que a revista dispunha sobre o assunto não eram sólidas o bastante para fazer tal afirmação. VEJA se desculpa com a direção, professores, alunos e pais de alunos pelo julgamento curto e drástico passado sobre as escolhas didáticas de uma instituição com 130 anos de tradição do melhor ensino em São Paulo. A questão da doutrinação a que estão sendo submetidos os alunos de tantas e boas escolas brasileiras é bem mais séria e não pode ser objeto de uma nota breve. Esse fenômeno exige análise profunda e continuada da imprensa e deveria também atrair a atenção de pais de alunos e educadores.

O pedido de desculpas deve ser lido com muita cautela. Primeiro, porque não faz nenhuma referêcia a carta do colégio, apenas diz que “as informações que a revista dispunha não eram sólidas o bastante para fazer tal afirmação”. Isso, dito numa revista semanal de informação, é o equivalente a um atestado de incompetência. É tão vazia de sentido quanto a nota que o originou. Segundo, é um pedido de desculpas muito específico, ao colégio Visconde de Porto Seguro; não uma reavaliação da tese de “doutrinação comunista na sala de aula”. As frases finais, grifadas por mim, são claras em sinalizar que esse episódio não significará uma mudança na linha editorial de Veja. Resumindo: a revista da Abril não aprendeu nada com o episódio.

Carta Capital

Capa de Carta Capital dessa semana

Capa de Carta Capital

A revista Carta Capital continua a mesma. Felizmente. Nessa semana, a revista voltou a colocar o Supremo Presidente Gilmar Mendes em sua capa. (Imagem ao lado) Na reportagem, continua o processo de desmascaramento da figura do supremo meritíssimo, iniciado na matéria de 8 de outubro de 2008, comentada aqui no Idéias e etc nas Notas anistiadas. O resultado é de arrepiar. Novamente, prefiro não estragar a surpresa do leitor pedindo para você clicar aqui e ler o texto na íntegra. Você nunca mais verá o Gilmar Mendes da mesma maneira: em vez da impoluta figura com toga, você verá o coronel Gilmar Mendes. O homem que faz de tudo para manter o poder de sua família em Diamantino, pequena cidade do Mato Grosso. Descobrirá como o meritíssimo atuou para trazer um frigorífico para sua cidade; apesar das irregularidades fiscais do mesmo. Tudo isso para manter o poder do seu irmão, ex-prefeito da cidade. Saberá, também, que o grupo político de Gilmar mendes perdeu a eleição este ano, mas o novo prefeito, que não faz parte da turma, é ameaçado de morte, por um outro irmão de Mendes – é grande a família! Ao mesmo tempo, não ficará muito surpreso ao saber que os processos que correm contra a família do presidente do STF tramitam ainda mais devagar, do que é padrão na justiça Brasileira. Isso quando tramitam. Surpreso, mesmo, você ficará ao ler a história de uma jovem, que estava empenhada em fazer uma denúncia contra o irmão de Mendes. Ela sumiu misteriosamente. Apareceu, alguns anos depois, morta. As circunstâncias do crime não foram investigadas.

A reportagem é um espanto da primeira à última linha.