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Archive for the ‘Primeiros rascunhos’ Category

Revista País Sustentável

Em 2009, eu e os amigos Eduardo Vasconcelos e Vinicius Mendes, produzimos a revista laboratório País Sustentável. Foi uma experiência e tanto. Durante todo esse tempo, a publicação era um PDF insosso. Agora, graças ao site Calaméo, transformamos o arquivo em uma estimulante revista digital. E de graça. Um dos destaques  é uma entrevista com José Luiz Penna, presidente do PV (Partido Verde) que na época mostrava-se encantado com uma nova correligionária: Marina Silva. O tempo passou e o encantamento também. Marina acabou saindo do partido em pé de guerra com Penna. A entrevista é um registro interessante de como pode mudar a mentalidade dos políticos. Vale ler as outras reportagens também. Em tempo: a crônica da página final “Palavra mágica” já foi publicada aqui no Ideias e etc.

Clique aqui e leia nossa revista que também estará disponível no menu ao lado.

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Categorias:Primeiros rascunhos

Trajetória da Folha Dirigida é marcada por começo modesto

Por: Marcelo Martins, Eduardo Vasconcelos e Simone Lima

Antônio Steter fala da trajetória da Folha Dirigida.

Uma sala com 24 metros no centro do Rio e apenas três pessoas na equipe. Esse foi o começo do jornal Folha Dirigida fundado, em 1985, pelo jornalista Adolfo Martins que tem no currículo a criação da editoria de educação do Jornal dos Sports. Nesse periódico, Martins chegou a apresentar um projeto editorial de uma publicação voltada para concursos públicos. A direção não acreditou que a ideia fosse viável.

O jeito foi tentar o voo solo. A primeira edição, entretanto, indicava que o jornal encontraria muitas dificuldades. Dos 3.000 exemplares do primeiro número foram vendidos apenas 260 jornais. Aos poucos, após conversas com revendedores e jornaleiros, a publicação foi conseguindo se estabelecer no mercado. Hoje, a tiragem mensal é 1.768.000 de exemplares mensais e é vendida em 32.000 bancas. O grupo conta com publicações na área de turismo e realiza uma feira anual sobre carreira pública.

O jornal ser sediado no Rio de Janeiro não é mero acaso geográfico. Segundo o diretor da sucursal de São Paulo, Antônio Steter, o fato da cidade ter sido capital federal até o começo da década de 60 gerou um vínculo histórico com o funcionalismo público. “Você costuma ter dentro das famílias cariocas, um componente da família que já tenha trabalhado ou esteja trabalhando para o governo” Por ser mais industrializada, São Paulo não depende tanto do Estado. Mas esta situação está mudando “ Hoje, o jovem quando saí da faculdade não tem emprego. Enquanto que a carreira pública não depende de ele conhecer o patrão, de ele ser amigo de ninguém. Depende só dele”, garante.

O mundo é um balcão de negócios

Relações comerciais. Este é o único vínculo que Lourenço, o protagonista do filme “O Cheiro do ralo”, vivido por Selton Mello, consegue estabelecer com outra pessoa. Na verdade, não é possível falar de um vínculo propriamente dito. Dono de uma loja que compra produtos usados, o personagem humilha e se diverte às custas dos seus clientes. Não existe nenhuma lógica em suas decisões. É capaz de pagar uma boa importância por um objeto sem nenhum valor e desprezar algo realmente valioso. Tudo é feito sem nenhuma compaixão, seguindo apenas a sua lógica canhestra.

Aos poucos, entretanto, algo de curioso acontece. Lourenço se apaixona por uma garçonete; na verdade, pela bunda da mulher. A fixação é tanta que todos os dias ele almoça no estabelecimento em que ela trabalha, sempre arrumando um jeito de ver, um pouco mais, a parte da anatomia que tanto venera.

Não há afeto nessa relação. Para Lourenço, o mundo é um imenso balcão de negócios. O seu desejo é comprar a bunda, como se fosse um objeto qualquer que um cliente desesperado tenha levado para sua apreciação. Este é um ponto interessante do filme. O protagonista estabelece uma relação de poder com os seus clientes, pois sabe que eles, via de regra, estão desesperados em busca de dinheiro. E não poupa sadismo. A relação mais insólita acontece com uma mulher que precisa de grana para se drogar. Em determinado momento, ela aparece sem nenhum objeto para trocar. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, Lourenço pede que ela fique pelada e começa a se masturbar.

Além da bunda, existem outras fixações. Uma delas é um ralo que, para o constrangimento do protagonista, exala mau cheiro. Ele até tenta resolver o problema, mas é incapaz de se entender com os encanadores. Outro exemplo é um olho de vidro que Lourenço mente para os clientes dizendo ser do seu pai. Aliás, Freud talvez fosse capaz de explicar a necessidade que o personagem tem de reconstruir o seu progenitor através dos objetos comprados dos seus clientes.

É em meio a essas fixações e tensões que o filme se desenrola. Uma briga com a bunda, melhor dizendo, com a garçonete tira o personagem dos eixos e provoca uma reviravolta na trama. Uma mudança também acontece na relação de poder mantida com os clientes – o que acaba culminando no final impactante.

Com sua trama no mínimo peculiar, “O Cheiro do ralo” possibilita ao público uma reflexão inusitada sobre a nossa sociedade e as relações de consumo. Tudo isso com interpretações convincentes, especialmente de Selton Mello, que está excelente como o perturbado e perturbador Lourenço.

Trailer

Comentário: Esta resenha foi escrita na mesma leva da carta para Vladimir Herzog e para a mesma disciplina. Considero este texto um pouco inferior ao anterior e por algum tempo pensei em não publicá-lo no blog. Mas resolvi reavaliar esta decisão e  deixar que o leitor diga o que achou destas mal traçadas linhas…

Carta aberta a Vladimir Herzog

São Paulo, 26 de novembro de 2010

Caro Vlado,

Resolvi escrever esta carta aberta para você. Eu também sou  jornalista e acho que a sua vida, e as circunstâncias de sua morte, nunca devem ser esquecidas. Elas trazem lições fundamentais para toda a sociedade. Para quem pretende se aventurar no jornalismo e até para quem não tem o hábito de ler jornais e revistas. O  que aconteceu contigo transcende a categoria profissional. E por uma razão muito simples: você é o exemplo maior das consequências nefastas da tortura perpetrada por um regime ditatorial.

E pensar que naquele fatídico 25 de outubro de 1975 você, certo que não devia nada para ninguém, se apresentou espontaneamente para os seus carrascos. E não havia mesmo razão para se preocupar. Afinal de contas sua ficha era limpa. Você foi morto por suas idéias, por fazer oposição a um regime que matava e torturava.

Um fator complicador era o seu cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura. Isso irritou muito a linha dura, Vlado. A tua morte serviu de mensagem do submundo dos porões aos generais que mandavam no país, e que iniciaram o processo de abertura “lenta, gradual e segura”. O recado foi: “Nós estamos vivos e não queremos largar o osso” .

Te torturaram, Vlado. Alguns dos teus amigos, que também foram presos e torturados, ouviram os seus gritos.  Os assassinos ligaram o rádio bem alto, mas não pararam com o suplício. A morte foi, de certa forma, um alívio diante daquela selvageria. E então começou o teatro e uma reviravolta nesse drama.

Os seus assassinos, certos que estavam sendo muito inteligentes, pegaram o teu corpo e iniciaram uma simulação de suicídio. Amarraram um cinto no seu pescoço – vestimenta que não fazia parte do uniforme dos presos! -, e a outra ponta foi presa nas grades de ferro da janela. Colocaram-no de joelhos e, por mais insólito que possa parecer hoje, tiraram uma foto.

Bendita foto!

Sim, bendita foto, Vlado! Essa imagem escancara, como poucas na história da fotografia, a truculência de uma ditadura e mais do que isso: a certeza da impunidade. Qualquer pessoa de inteligência média saca rapidamente que o ambiente foi forjado. Na verdade, não precisa nem ser muito inteligente né?E a mistificação não terminou aí: chamaram um médico legista amigo do aparelho repressivo, que chama-se ironicamente Harry Shibata, e este sujeito assinou o laudo pericial sem nem ver o teu corpo…

Mas esta fantasia toda não adiantou de nada. A sociedade não aguentava mais tanta truculência, tanto medo; as incertezas de viver no sufoco. No dia 31 de outubro de 1975, houve uma missa ecumênica em sua memória. O marco inicial de uma longa estrada que culminaria no fim do regime militar em 1985.  É bom deixar registrado que muitas pessoas inocentes ainda iriam morrer. No ano seguinte ao teu assassinato, o operário Manoel Fiel Filho também foi morto em circunstâncias muito parecidas com as suas. E no mesmo DOI-CODI.

É possível tirar algumas lições desse episódio. Para mim, uma das mais importantes é que sempre devemos enfrentar as adversidades com coragem. Não podemos ter medo de denunciar o que está errado; não podemos ter medo de expressar nossas ideias, mesmo que elas contrariem interesses maiores. Esse ainda é um grande problema do jornalismo brasileiro, Vlado.  Aqui entre nós, devo te confessar que algumas vezes tenho receio das consequências de algumas coisas que escrevo. Mas então lembro do que sucedeu contigo, lembro da coragem de outros colegas nossos e respiro fundo. É um esforço que vale a pena, certo? Muito obrigado pela atenção e por seu exemplo.

Sem mais,

Marcelo Martins.

*****

Comentário: a crônica  foi escrita para a disciplina de Técnicas de documentário. O filme produzido nela não foi lá essas coisas, mas o texto eu acho que ficou aceitável. Eu não nasci para o audiovisual mesmo…

Entidade surge para confrontar grande mídia

Altercom é fundada por sessenta empresários da imprensa alternativa em São Paulo. Associação reivindica divisão igualitária da verba pública

Altercom. Esta é a sigla da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação, entidade fundada em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 2010. A organização reúne sessenta empresários donos de jornais, revistas, editoras, sites e produtoras de vídeo da chamada imprensa alternativa.

O projeto ainda é embrionário, mas já tem objetivos bem definidos. Segundo Eduardo Guimarães, ativista político e um dos sócios-fundadores da Altercom, “a ideia é a de uma organização que seja o contraponto de outras da grande mídia, tal como Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão] e ANJ [Associação Nacional de Jornais] só que dando vez e voz à mídia dita alternativa”, explica.

A principal reivindicação da entidade está relacionada com a divisão das verbas públicas oriundas da propaganda do governo que, de modo geral, fica concentrada na grande mídia. Sem esse dinheiro, parte das publicações não conseguem sobreviver, pois os anúncios da iniciativa privada quase inexistem nesse tipo de meio.

Para Hamilton Octávio de Souza, editor-chefe da revista Caros Amigos, um dos principais veículos desse segmento, a distribuição igualitária da verba torna o jornalismo mais democrático. “Por que as verbas públicas vão para a TV Globo e por que não vão para os veículos pequenos? A preocupação principal não é a orientação ideológica, o importante é fazer pressão para que você consiga ampliar a participação democrática dos meios, que eles possam sobreviver e possam ter uma atuação”, garante.

Ainda segundo Hamilton Octávio, a linha ideológica das publicações, que fazem parte da Altercom, foi um dos pontos discutidos nas reuniões sobre a entidade. Existiam dois pontos de vista distintos: para o primeiro, apenas órgãos com uma postura muito clara de esquerda poderia entrar. O segundo defendia que não deveria existir discriminação ideológica. Essa última visão ganhou o debate. “No grupo tem alguns veículos que não são de esquerda e não defendem o socialismo. Mas são veículos pequenos e são contra o monopólio da grande imprensa”, diz Octávio.

A discussão acima permite levantar uma questão importante: quais são as características de um meio de comunicação para ser considerado imprensa alternativa? Para o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, autor do livro “Jornalistas e Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa”, que é resultado do seu doutorado sobre a atuação desse tipo de publicação durante a ditadura militar de 1964, as características mudam dependendo do período estudado. “Em cada tempo é uma definição. Mesmo assim, em termos gerais, pode-se dizer que uma publicação é alternativa quando seu conteúdo se contrapõe à ideologia e aos valores dominantes na grande mídia”, analisa Kucinski.

A revista Caros Amigos é um dos exemplos mais duradouros de imprensa alternativa no Brasil. Foi fundada em abril de 1997, pelo jornalista Sérgio de Sousa, que passou por várias dessas publicações durante o regime militar. Para Octávio, a revista surgiu com a intenção de se contrapor ao neoliberalismo. “Você estava em um momento em que o pensamento único imperava em todos os ambientes. A Caros começa a reunir pessoas que querem escrever com total liberdade, podendo criticar e refletir sobre essa situação”, garante.

A revista pode ser dividida em dois blocos: o primeiro é formado pelos colaboradores que vão do senador Eduardo Suplicy ao ex-presidente de Cuba Fidel Castro. O segundo é composto das entrevistas e reportagens produzidas pela redação. Quando assumiu o cargo de editor, há um ano, Hamilton Octávio resolveu privilegiar esse último segmento. “O leitor se cansa dos colaboradores e eles acabam sendo muito repetitivos. Você já sabe o que cada um vai escrever. Como é que você chama o leitor para a revista? Pelos artigos dos colaboradores é muito pouco, você tem que chamar pelas reportagens e entrevistas.”

Juntando assinantes e bancas de jornal, Caros Amigos vende 20 mil exemplares por mês no Brasil todo. Outra fonte de renda, a captação de anúncios, é bastante irregular. “Tem edições que têm oito, outras têm seis anúncios pagos e outras que não têm nenhum anúncio. Na média do ano, temos seis páginas de anúncios por edição”, contabiliza. É esse dinheiro que permite gerar algum superávit para saldar a dívida com bancos e gráficas. As dificuldades não impedem o editor de exaltar a qualidade da revista. “Nós sabemos que o que estamos fazendo tem um sentido político relevante. É um material sério, honesto, importante para o conhecimento da sociedade brasileira”, finaliza.

*****

Comentário: A reportagem acima foi escrita para a disciplina de jornal laboratório e, dentro de um semestre complicado em termos de trabalho,  foi uma das melhores coisas que fiz. O texto da matéria é praticamente o mesmo que eu entreguei para os professores, a única mudança está no verbo usado no título. Na versão original, optei por “contrapor”, mas tantos amigos, como professores acharam essa solução fraca. E eu concordei com eles. Existem outros pequenos defeitos na matéria acima, em especial no lead que poderia ser mais forte – ter “news” como diria o meu amigo Eduardo Vasconcelos. Mas estamos na faculdade para isso mesmo, né? Aprender, acertar, errar, crescer nessa profissão complicada que é o jornalismo. Em tempo: uma das coisas mais batutas dessa reportagem foi conhecer a redação da Caros Amigos. Ela não é nem sombra do que já foi um dia, porém a conversa com os seus atuais responsáveis foi bem bacana.

Palavra mágica

A crônica que segue foi escrita no semestre passado para o PIC (Projeto Integrado de Comunicação), que consiste na produção de uma revista experimental. O tema central foi sustentabilidade e terceiro setor. O assunto não era muito animador, convenhamos. Mesmo assim, houve bastante empenho da minha parte e também do meu grupo, composto dos amigos Eduardo Vasconcelos e Vinicius Mendes . O resultado foi a revista País Sustentável. A nossa matéria de capa foi uma entrevista com o José Luiz Penna, vereador por São Paulo e presidente do Partido Verde (PV). O resultado ficou muito legal. Se der, coloco aqui no blog. É um texto bastante longo… Por enquanto, fiquem com a crônica abaixo, que na revista ocupava a última página.

Repita comigo: sustentabilidade. Novamente, agora bem devargazinho, saboreando cada sílaba dessa palavra mágica: sus-ten-ta-bi-li-da-de. Ô, palavra que soa bem, né? Até um gago se esbalda falando tão belo léxico. E, como podem ver, com poderes mágicos.
Não acredita, leitor? Pode deixar que eu provo.

Pense no seu banco, por exemplo. Você não aguenta mais o gerente, os juros extorsivos cobrados no cartão de crédito e no cheque especial. Só de pensar na fila quilométrica para pagar as contas, a sua paciência se esvai como que por encanto. De repente, esse mesmo banco resolve ser “sustentável”. Desenvolve uma série de comerciais realçando a nova proposta. Até o talão de cheque passa a ser impresso no ecologicamente correto papel reciclado. Os juros, o gerente e a fila estão lá, mas… você não olha pra eles com
o mesmo rancor de antes. Por mais que o extrato indique que a sua conta esteja numa situação insustentável.

Não é por outro motivo que as empresas sérias- e mesmo aquelas que não são tão sérias assim- , façam questão de ter algum projeto na área. Qualquer projeto. Vale tudo. Desde arrumar a pracinha em frente à indústria até gastar os tubos patrocinando alguma iniciativa ambiental de longo alcance. Todo mundo quer aparecer bonito nessa fotografia. Ás vezes, a coisa beira ao ridículo. Certa vez,  numa propaganda de agrotóxicos, a empresa fez questão de realçar o seu compromisso com à natureza. É sério! O reclame tinha aquele texto já manjado: “A empresa X produz os melhores agrotóxicos para a sua lavoura. Sem destruir à natureza. e blá blá blá….” Claro, qualquer pessoa, que não teve os neurônios devastados pela ação do pesticida, sabe o quanto é difícil acreditar nessa ladainha, mas o importante é parecer sustentável.

O mesmo vale para as pessoas. E, principalmente, para aquelas pessoas que vão disputar as eleições no próximo ano. É o efeito Marina Silva. Todos os candidatos vão disputar para saber quem conhece mais sobre sustentabilidade. Nos horários eleitorais, vão posar como guerreiros pela causa ambiental; o apoio das ONGs ambientais será tão valioso como o do PMDB, embora estas não cobrem um preço tão alto depois da eleição… Portanto, é preciso cuidado para saber quem está apenas discursando em busca do seu valioso voto, de quem realmente está disposto a tratar com seriedade essa questão. É preciso separar o joio do trigo.

Convém não generalizar também no caso das empresas – incluindo os bancos, por quê não? Muitas dessas entidades preocupam-se realmente com o meio ambiente e desenvolvem medidas racionais para melhorar a vida de todos. Só não podemos ser ingênuos
de acreditar em toda fantasia exposta nos comerciais. E, principalmente, não se deixar enfeitiçar pelo poder e musicalidade da palavra sustentabilidade. Embora, devo reconhecer, essa é uma tarefa bem difícil. Ela vai bem em tudo. Basta colocar sustentabilidade ao lado… “Cartão de crédito da sustentabilidade”, “Arroz sustentabilidade”, “Universidade da sustentabilidade” e etc, etc… Repita comigo,  leitor, bem devagarinho, sentindo todas as sílabas: sus-ten-ta-bi-li-da-de

Princípio de incêndio

O texto que segue foi escrito para um trabalho da disciplina de Jornalismo Político e Econômico do quarto semestre. Em uma primeira versão do texto, a professora mandou fazer alguns ajustes de ritmo. Estava certa. O desenvolvimento da história estava meio emperrado mesmo. Voltei para a crônica, tirei o excesso de gordura e reescrevi alguns parágrafos. O resultado é o que segue.  Em tempo: ela é baseada em fatos reais.

Labaredas no Bourbon Ag. Estado

Sábado, 10 de outubro de 2009, 18 horas da tarde. Estou quase no fim de um típico programa paulistano: Shopping Center. Mais precisamente o Shopping Bourbon, na Zona Oeste de São Paulo. Para ficar ainda mais típico, assisti um filme. Nacional. O assunto foi o ataque do PCC a São Paulo no ano de 2006. Agora, estou folheando um livro sobre canções. Sou uma metamorfose ambulante. Interrompo a leitura por uns instantes e percebo alguma coisa estranha no ar.

Todos os clientes estão saindo da livraria. Do lado de fora, mais movimentação. Ainda tento voltar para o livro, mas o meu sexto sentido recomenda abandoná-lo na primeira estante e sair da loja. Obedeço ao meu instinto. Quando já estou do lado de fora, um funcionário informa que está tendo um incêndio no estacionamento do shopping.

Bendito sexto sentido!

Todos os clientes afluem para a escada rolante. Apesar de tensão no ar, todos tentam manter a calma… Sinto uma descarga de adrenalina invadir  minha corrente sanguínea… Estou no terceiro piso… Longe, muito longe do térreo… O coração parece querer romper à caixa torácica e pular pra fora… É quase possível apalpar o medo no ar… Nessa hora, por mais desagradável que seja você lembra das grandes tragédias… o incêndio no Shopping em Guarulhos no ano de 1996… centenas de pessoas morreram… Medo, muito medo… Sinto no ambiente um cheiro que me remete a canela… É estranhamente agradável… Pode ser algum material em combustão… Não quero ficar aqui para saber… A escada rolante segue muito devagar… As pessoas tentam manter a calma… Venço mais um lance das escadas rolantes… vou para o próximo e finalmente chego ao térreo.

Fora do shopping, parecia que o filme que eu acabara de ver se materializou na minha frente. Muitas viaturas com as sirenes ligadas, tanto do corpo de bombeiros quanto da polícia. Trânsito interrompido. Helicópteros no ar. E, claro, muitos jornalistas. Como será que souberam tão rápido desse incêndio? Deve ser o cheiro de tragédia no ar…

Sem o tráfego dos carros, é possível ocupar o meio da rua. Agora dá pra ver o shopping e… Ué, não dá pra ver nenhuma labareda… Deve ser o famoso “princípio de incêndio”, que os meus coleguinhas gostam de dizer quando a tragédia não é tão trágica assim. É interessante acompanhar o trabalho dos repórteres. Eles abordam vários clientes que explicam o sucedido. O da TV Record, por exemplo, entrevista uma moça com os cabelos tingidos de vermelho, que segura um copo de Milk Shake.

Resolvo dar uma volta. No passeio, começo a entender porque os teóricos da comunicação falam que o jornalismo precisa se reinventar. As pessoas, com os seus celulares em punho, filmam o incidente como se tivessem acompanhando um evento na Disney. É impossível competir com as engenhocas tecnológicas. O jeito, então, é aproveitá-las para fortalecer a cobertura. Vários telejornais usaram imagens produzidas por celulares para explicar o que aconteceu no Bourbon.

Em meio a esses devaneios, presenciei uma cena curiosa: uma mulher, com sua filha no colo, resolveu explicar para a criança o que estava acontecendo. Como se fosse uma guia turística:

– Olha só, princesa, o carro dos bombeiros… Quantos policiais e carros dos bombeiros, né? Olha, olha só, um repórter… não é engraçado? Faz tchauzinho pra câmera, faz!

Só faltou mandar jogar pipoca…

Depois de alguns minutos sem o shopping desabar na cabeça de ninguém, as pessoas retornam para dentro do estabelecimento. Resolvo acompanhá-las. O cenário dentro do Bourbon lembra muito o de uma guerra civil. Quase todas as lojas estão com as suas portas fechadas, com grades e tudo. Nada lembra o ambiente elegante de alguns minutos atrás. Mesmo assim, as pessoas voltam. É à força do consumismo. A necessidade de comprar supera até a segurança pessoal, afinal de contas até aquele momento ninguém sabia se a estrutura tinha sido danificada, ou não.

E nem todos os clientes souberam do sucedido. Na saída do supermercado, que fica dentro do Shopping, um cliente, com o carrinho cheio de compras, fica espantado com o que vê:

– O que aconteceu?

Com grande senso profissional, explico com as informações que eu tinha até então: houve um princípio de incêndio no estacionamento. Ele faz cara de espantado e disse que ninguém tinha avisado nada dentro do supermercado. Deve ser para não atrapalhar as compras, penso. Mas não digo… (Segundo a imprensa, o incêndio do sábado foi causado porque na cobertura do shopping existia um depósito de telhas de resina, um produto inflamável) Cansando de tanta “aventura”, vou para casa onde assisto à cobertura da televisão sobre o acontecimento. Ao que me consta, não apareci de papagaio de pirata em nenhuma reportagem. Ainda bem! E já penso em voltar um dia para continuar a leitura que foi interrompida pelo princípio de incêndio.

Loira

O texto que segue foi escrito a lápis, numa quarta-feira a noite,  na metade do único papel que eu tinha a mão – esqueci o caderno em casa…-, na disciplina de Oficina de Redação. O assunto da aula era descrição e eu desembestei a escrever as linhas que seguem. Depois, o professor mandou que eu declamasse as mal traçadas para os colegas. Publico o texto exatamente como foi escrito, sem qualquer tipo de correção gramatical ou de estilo. Em tempo: o fim do texto só me ocorreu minutos depois da leitura para a classe…

Ela era alta, magra, incríveis olhos azul piscina. Era loira e o seu sorriso meigo iluminava o ambiente. Não tinha quem ficasse triste na sua presença. O seu abraço acalmava o mais estressado operador de Wall Street. O corpo não trazia grandes atributos, mas até nisso ela tinha charme. Ela era inteirinha proporcional. Não tinha quem não ficasse impressionado por sua figura. Além de todas virtudes, era uma pessoa boa. Amiga de seus amigos. O seu rosto era pura fotogenia. Até o mais incompetente fotográfo conseguia retratos fantásticos. O seu book na agência de modelos era o mais disputado. Todos os clientes queriam ela para desfilar os seus produtos. Não tinha ninguém mais rica. Outro dia, apareceu morta em um banheiro. Parece que foi o seu namorado. Ficou mundialmente conhecida como a loira do banheiro.

Categorias:Primeiros rascunhos

Transporte público em São Paulo: uma visão panorâmica.

Este pequeno artigo foi escrito para a disciplina de assessoria de imprensa. Não é o melhor texto que escrevi na faculdade, mas é o único a mão para ser publicado. Neste  mês as atualizações prometem ser bastante rarefeitas, graças a quantidade incrível de trabalhos acadêmicos. Por isso, aproveito eles para ir atualizando essas Idéias e etc.

O transporte público faz parte da vida de milhares de paulistanos. Este é o meu caso. Sou usuário de quase todas as alternativas que a cidade oferece e, com o passar do tempo, formei uma opinião sobre a qualidade do serviço prestado.Vou analisar cada meio de transporte individualmente. Com exceção dos trens metropolitanos por quase nunca tê-los utilizado. Comecemos pelas lotações.

Andar com os perueiros pode ser uma aventura e tanto. Certa vez, voltando para casa depois da faculdade, percebi que a lotação estava andando rápido demais. O trajeto que, normalmente, é feito em 15 minutos foi completado em 6 minutos. Essa pressa é bem comum e não se restringe ao velocímetro. Já aconteceu de pedir para descer num ponto e o motorista só parar no seguinte. Os idosos também sofrem. Muitas vezes, os perueiros não têm paciência para esperá-los descer e o acidente é inevitável.

Cartum de Henfil

Cartum de Henfil

Muitas das críticas aos perueiros pode ser feita aos motoristas de ônibus. E podemos acrescentar outras tantas. Além da demora nos pontos de ônibus, eles costumam ignorar o sinal dos idosos e, quando estes conseguem embarcar, encontram o seu lugar reservado por lei, ocupado por outra pessoa indevidamente.Outro problema é a falta de conforto do veículo. Embora grande parte da frota tenha sido renovada, ainda circula pela cidade ônibus com bancos duros que, por motivos óbvios, tornam a viagem bem desconfortável. Já alguns ônibus da nova frota tem menos assentos, o que deixa muitos passageiros de pé o trajeto inteiro.

De todos os meios de transporte, o metrô é o mais bem resolvido. Rápido e seguro, ele tem a vantagem de levar uma quantidade maior de passageiros que as outras alternativas disponíveis. As estações são, de modo geral, bem sinalizadas o que facilita sua utilização. Mas também existem os problemas. A quantidade de estações ainda é considerada pequena para uma cidade com o tamanho de São Paulo. O horário do rush é um constante desafio a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Aliás, esse é um problema comum a todos os meios de transporte de São Paulo. Outra reclamação comum é quanto ao preço da tarifa, considerada cara pela população, ainda mais diante da qualidade do serviço prestado.Poderíamos continuar enumerando outras fragilidades do sistema, mas seria muito monótono para o leitor. É bom ressaltar que esta é uma visão pessoal, e panorâmica, dos meios de transporte da cidade; cada cidadão poderia escrever um texto diferente, contendo críticas bem diversas. Também é bom lembrar da responsabilidade do poder público que, entre outras atrbuições, tem o dever de oferecer um transporte de qualidade para toda a população. Ainda falta muito para que o governo cumpra com sua obrigação.

OVNI cai, mata banqueiro e provoca tumulto em SP

O texto que segue foi produzido para a disciplina “Técnicas de captação jornalísitica”  do  segundo  semestre. O objetivo era produzir uma notícia, incluindo no texto algumas técnicas aprendidas recentemente, como o lead, o primeiro parágrafo do texto jornalístico que resume, em seis perguntas-O que?, Quem?, Quando?, Onde? ,Como?, Por que?-, o essencial dos fatos. Quanto ao tema, a professora liberou geral. Era possível pegar algum acontecimento atual ou simplesmente inventar tudo. Preferi esse segundo caminho, até porque, dependendo de onde eu for trabalhar, pode servir como um ótimo treino. Quanto ao texto em si, eu me diverti muito fazendo, e o resultado ficou bem nonsense. Em tempo: as imagens não fizeram parte do trabalho.

Existe vida em outros planetas? A pergunta que mobilizou a humanidade durante milênios finalmente encontrou uma resposta. Um disco voador com 1 metro de diâmetro, caiu no fim da tarde de ontem, na Avenida Paulista, em SP, na altura do MASP (Museu de Arte de São Paulo). A nave atingiu o carro do banqueiro José Bamerindus, de 54 anos, que morreu na hora. O incidente provocou congestionamento de 275 Km e muito pânico entre motoristas e pedestres.

As testemunhas ouvidas pela reportagem foram unânimes em descrever o evento como espantoso. O gerente comercial Claudio Caixa, 56, relatou o momento da queda: “Foi tudo muito rápido. Só vi uma luz vermelha e verde caindo do céu verticalmente e atingindo o carro. Pensei que fosse o fim do mundo” A publicitária Márcia Marca, que estava próxima do local da colisão, falou que o barulho foi ensurdecedor. “Parecia um terremoto. A nave caindo emitiu um som grave inexplicável” conta.

O corpo de bombeiros encontrou muita dificuldade para se aproximar do local do acidente. A coluna de fumaça que saiu do epicentro da tragédia atingiu 20 metros de altura e podia ser vista de vários pontos da cidade. Alguns populares se mobilizaram para ajudar a conter o incêndio que poderia atingir outros carros e edíficios. Mas não foram apenas atos nobres. Cinco pessoas foram presas por tentarem se apoderar da nave espacial em formato oval. Houve tumulto e empurra-empurra.

Um grupo de ufólogos Americanos que, por coincidência, estavam proferindo uma palestra sobre vida em outros planetas, num hotel próximo do local do acidente, também tentaram se aproximar. Foram impedidos pela polícia. Jack Star, um dos mais importantes do evento, ficou revoltado: “Essa nave não é patrimônio dos Brasileiros. É de toda humanidade. Sempre sonhei em chegar perto de um OVNI, quando o destino me permite a realização desse sonho, um policial estúpido me impede. Isso não vai ficar assim” desafia. Quando perguntado se a nave era próxima do que Star imaginava, o ufólogo surpreende: “Não. É completamente diferente do que indicava nossas pesquisas. Não dá pra explicar. Estou muito, mais muito feliz apesar de tudo”

A alegria do cientista contrastava com a tristeza da família de José Bamerindus. A viúva, Maria Bamerindus, 50, reclamou do que chamou de “desprezo” com a vida do seu marido. “O Zé fez muito por esse Brasil. Foi um homem honesto e digno. Morreu e todo mundo só fala desse trambolho que caiu em cima dele. Aposto que tem mais gente chorando pelo ET do que por ele” O filho e único herdeiro, João Bamerindus, 31, também aparentava tristeza, porém não escondeu o espanto com o acidente: “Não deixa de ser uma maneira inovadora de morrer” Quando perguntado se o seu pai acreditava na vida em outros planetas, João é categórico: “Não. Meu pai só acreditava no dinheiro e no seu banco” O enterro de José Bamerindus acontecerá hoje, ás 16 horas, no cemitério do Morumbi.

Os destroços da nave e os restos mortais dos alienígenas foram levados para um local incerto. Houve desencontro de informações entre as autoridades sobre o paradeiro do OVNI . O governo do Estado afirmou que a nave estava na USP. Já o ministério da defesa garantiu que a mesma estava sendo levada para Brasília. Até o fechamento dessa edição, não foi possivel descobrir o paradeiro da aeronave.


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