Jornalismo é a arte de separar o joio do trigo. E publicar o joio. (Mark Twain)

Ursinhos carinhosos – 1º Capítulo

Este é o primeiro capítulo de uma série de três que o Ideias e etc publicará a partir deste domingo. Esta é uma experiência que eu sempre quis fazer na web: folhetim. Este é um texto bem diferente dos costumeiramente publicados por aqui, é uma ficção com humor. Eu me diverti muito escrevendo e espero que você se divirta lendo. Não deixe de comentar. Sua opinião é muito importante. Muito obrigado! Agora, eu deixo vocês na companhia do Urso…

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O meu apelido é Urso. O nome de batismo pouca gente conhece ou lembra. Melhor assim, pois é uma criação tenebrosa de minha mãe. O monstrengo é a misturas das sílabas do nome de meu pai, do avô materno e de um tio distante. Tudo isso com dois “y” no meio. Durante muito tempo, trabalhei como animador de festa de crianças. É possível conhecer muito da alma humana exercendo esse ofício. As descobertas, infelizmente, não são muito boas.

O apelido surgiu por causa desse trabalho. Naquela época, o SBT exibia o desenho animado “Ursinhos Carinhosos” e eles se transformaram em uma verdadeira febre. As meninas só queriam saber desses seres esquisitões. O dono do Buffet resolveu criar uma festa temática usando os personagens. O conjunto da obra era o suprassumo da cafonice, mas ele estava pouco se importando. Costumava dizer: “O importante é o sorriso das crianças e os cifrões a mais no meu cofre. Principalmente os cifrões”. E arrotava alto.

O sujeito tinha pirraça comigo. Ele tratava mal os seus funcionários e eu nunca tolerei esse comportamento. Certa vez, um dos animadores fantasiados de Power Rangers – os personagens mudavam conforme a moda -, foi flagrado roubando um risoles, apenas um risoles! Foi o bastante para o homem passar um pito público no pobre coitado. Falou que o salgadinho não era pro bico dele. Só não foi demitido porque as crianças poderiam sentir falta do Power Rangers Azul.

Eu não aguentei. Tomei as dores do meu colega. Falei que era um absurdo ele dar aquele esporro por causa do salgadinho. O homem me olhou nos olhos e falou soltando uma chuva de perdigotos:

– Qualé, ô meu? Tá se sentindo super heroi só por que está vestido de Power Rangers? Se toca, cidadão!  E só uma coisa: não gosto de funcionário meu incomodado. Se não estiver satisfeito, a porta da rua é serventia da casa!

Preferi continuar no trabalho, afinal de contas estava precisando muito daquela merreca que ganhava. Minha vingança consistia em xingá-lo muito. Em pensamento e, baixinho, quando estava com a roupa dos personagens. Durante as festas, também aprontava. Esperava um raro momento de folga, ia até a cozinha e, aproveitando que o zelo com os alimentos não era muito grande, soltava algumas cusparadas dentro da garrafa de refrigerante de 2 litros. O leitor pode considerar minha atitude um pouco infantil, mas convenhamos: tudo naquele ambiente era infantil. Até a idade mental do dono do buffet…

Apesar desses pesares, gostava do meu trabalho de então. Fantasiado de Ursinho Carinhoso, dava para observar muito do comportamento humano; começando pelas próprias crianças. Era engraçado ver a reação delas quando aparecia os personagens. Ficavam com os olhinhos muito arregalados, quase sem piscar.

A maioria nutria um medo fenomenal da gente. Medo justificável. O dono do buffet não investia muito nas fantasias e nós ficávamos parecendo verdadeiras anomalias ambulantes. Para você ter uma idéia: os olhos do meu personagem eram vermelhos e um convidado sacana me apelidou de “Ursinho Maconheiro”. Era muito comum eu me aproximar de uma criança para brincar e ela imediatamente abrir o berreiro:

– Quero minha mããããããããããeeeeeeeeeee!

Ah, as mães… protagonizavam cenas bizarras. A  mãe do aniversariante se sentia a dona do pedaço. Mandava na gente mais que o dono do Buffet. Queria uma atenção especial para o seu rebento, transformá-lo em uma verdadeira estrela mirim. Depois, as crianças tornam-se esses pequenos monstros cheios de vontades, mimadas, sem nenhum caráter, para só então os pais se perguntarem onde foi que erraram.

Outra figura muito característica é a tia solteirona. Esse tipo humano tem verdadeira veneração pelo bebê alheio, sempre o acha a coisinha mais linda da face da terra. Adora crianças e é capaz de pagar qualquer mico para fazê-las sorrir. Cansei de dançar lambada com uma dessas tias gordas – geralmente são gordas, bem gordas -, além de outros micos indescritíveis que elas pagam felizes da vida. Sempre tive bastante simpatia pelas tias solteironas.

Mas um dia a festa sempre acaba… no meu caso, o fim do meu trabalho como animador de festa de crianças foi infeliz. O nosso calcanhar de Áquiles sempre foram os tios beberrões que, sem ter muito o que fazer, enchiam a cara e o nosso saco. Foi o que aconteceu. Num determinado dia, uma dessas figuras detestáveis resolveu se divertir às minhas custas. Nem bem chegou no aniversário e já mandou a primeira:

– Olha, crianças, eu não disse  que teria uns ursinhos viados na festa?

Fiquei em estado de alerta. Ele nem estava muito bêbado e já estava aprontando. Imagine quando começasse a entornar a cerveja, que tinha em grande quantidade. Como sempre, eu estava certo. Algum tempo depois, enquanto fazia um pequeno show musical, o tal homem continuou atazanando:

– Ei, ursão boboca, vê se rebola direito, caralho!  Rebola, urso, rebola!

Alguns pais recriminaram o sujeito por causa do palavrão, mas ele estava pouco se importando. Conheço bem o tipo. Eles querem aparecer, não importa se agradando ou infernizando. O nosso duelo final aconteceu enquanto eu observava algumas crianças brincando na piscina de bolinhas. Foi quando senti uma mão apalpando minha bunda. Senti o bafo de alcoól e aquela voz que já tinha provocado tanto:

– Peguei no teu fiofó, urso. Agora rebola, ursão, rebola!

Tentei resistir ao assédio educadamente:

– Me solta, senhor, estou trabalhando…

– Trabalhando, é? Desde quando se vestir como um urso viado é trabalho?

Por alguns segundos, consegui me afastar daquela situação insana do homem com as duas mãos apertando a minha busanfa e refletir. Comecei a pesar os prós e contras daquela vida que levava; pensei no salário que recebia, se era realmente feliz. Cheguei a conclusão que não. Recebia muito pouco para aguentar um pinguço grudado no meu cu. Aliás, por dinheiro nenhum eu toleraria essa situação. Foi quando virei outro animal, um cavalo, e dei um coice no infeliz. A força do golpe, somada com a lei da inércia, fez com que o homem desgrudasse de mim e quase desabasse em cima de umas crianças que faziam uns desenhos no rosto. Passou bem ao lado, numa cena digna de filme pastelão.

O homem levantou cambaleando, trançando as pernas e furioso. Gritava que iria me matar. Tente imaginar a cena, leitor. Um urso rosa trocando sopapos com um velho bêbado no meio de uma festa de crianças. Se o embate fosse unicamente com o pudim de cana, eu ganharia fácil. A fantasia de urso absorvia grande parte dos golpes que, graças as condições físicas do meu desafiante, eram naturalmente fracos. O problema é que logo surgiram uns parentes do beberrão e eles tinham porte de lutador de Jiu-Jitsu. Tomei a atitude mais lógica: corri feito um doido!

Enquanto corria, percebi que a violência tinha se espalhado pela festa inteira. Crianças brigavam com crianças; brigadeiros e cajuzinhos viraram mísseis teleguiados, adultos aproveitavam para tirar satisfação por ressentimentos antigos. Era possível sentir o ódio no ar. Felizmente, consegui entrar na sala onde os animadores se trocavam e tranquei a porta. O meu esconderijo durou pouco tempo. O dono do Buffet me delatou e logo cinco ou seis brutamontes estavam esmurrando a porta. Coloquei uma mesa para ajudar na resistência. Do lado de fora, ouvia:

– Nós vamos te pegar, seu desgraçado! Você não pode ficar para sempre escondido aí!

Era verdade. Cada murro ou pontapé fazia com que a frágil porta envergasse alguns centímetros. Era uma questão de tempo. Eu já podia ver o meu corpo sendo massacrado pelos brutamontes. Com essa aflição em mente, me acocorei num canto no fundo da sala e, mesmo não sendo nada religioso, rezei com um fervor de causar inveja no Papa. Mas parecia que ninguém ouvia minhas preces. A fúria dos golpes aumentava cada vez mais. Agora, já existia uma pequena fresta…  Bastou mais um chute para a porta ceder e a mesa voar longe.

[Continua…]

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Categorias:Crônicas/ Contos

Trajetória da Folha Dirigida é marcada por começo modesto

Por: Marcelo Martins, Eduardo Vasconcelos e Simone Lima

Antônio Steter fala da trajetória da Folha Dirigida.

Uma sala com 24 metros no centro do Rio e apenas três pessoas na equipe. Esse foi o começo do jornal Folha Dirigida fundado, em 1985, pelo jornalista Adolfo Martins que tem no currículo a criação da editoria de educação do Jornal dos Sports. Nesse periódico, Martins chegou a apresentar um projeto editorial de uma publicação voltada para concursos públicos. A direção não acreditou que a ideia fosse viável.

O jeito foi tentar o voo solo. A primeira edição, entretanto, indicava que o jornal encontraria muitas dificuldades. Dos 3.000 exemplares do primeiro número foram vendidos apenas 260 jornais. Aos poucos, após conversas com revendedores e jornaleiros, a publicação foi conseguindo se estabelecer no mercado. Hoje, a tiragem mensal é 1.768.000 de exemplares mensais e é vendida em 32.000 bancas. O grupo conta com publicações na área de turismo e realiza uma feira anual sobre carreira pública.

O jornal ser sediado no Rio de Janeiro não é mero acaso geográfico. Segundo o diretor da sucursal de São Paulo, Antônio Steter, o fato da cidade ter sido capital federal até o começo da década de 60 gerou um vínculo histórico com o funcionalismo público. “Você costuma ter dentro das famílias cariocas, um componente da família que já tenha trabalhado ou esteja trabalhando para o governo” Por ser mais industrializada, São Paulo não depende tanto do Estado. Mas esta situação está mudando “ Hoje, o jovem quando saí da faculdade não tem emprego. Enquanto que a carreira pública não depende de ele conhecer o patrão, de ele ser amigo de ninguém. Depende só dele”, garante.

O mundo é um balcão de negócios

Relações comerciais. Este é o único vínculo que Lourenço, o protagonista do filme “O Cheiro do ralo”, vivido por Selton Mello, consegue estabelecer com outra pessoa. Na verdade, não é possível falar de um vínculo propriamente dito. Dono de uma loja que compra produtos usados, o personagem humilha e se diverte às custas dos seus clientes. Não existe nenhuma lógica em suas decisões. É capaz de pagar uma boa importância por um objeto sem nenhum valor e desprezar algo realmente valioso. Tudo é feito sem nenhuma compaixão, seguindo apenas a sua lógica canhestra.

Aos poucos, entretanto, algo de curioso acontece. Lourenço se apaixona por uma garçonete; na verdade, pela bunda da mulher. A fixação é tanta que todos os dias ele almoça no estabelecimento em que ela trabalha, sempre arrumando um jeito de ver, um pouco mais, a parte da anatomia que tanto venera.

Não há afeto nessa relação. Para Lourenço, o mundo é um imenso balcão de negócios. O seu desejo é comprar a bunda, como se fosse um objeto qualquer que um cliente desesperado tenha levado para sua apreciação. Este é um ponto interessante do filme. O protagonista estabelece uma relação de poder com os seus clientes, pois sabe que eles, via de regra, estão desesperados em busca de dinheiro. E não poupa sadismo. A relação mais insólita acontece com uma mulher que precisa de grana para se drogar. Em determinado momento, ela aparece sem nenhum objeto para trocar. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, Lourenço pede que ela fique pelada e começa a se masturbar.

Além da bunda, existem outras fixações. Uma delas é um ralo que, para o constrangimento do protagonista, exala mau cheiro. Ele até tenta resolver o problema, mas é incapaz de se entender com os encanadores. Outro exemplo é um olho de vidro que Lourenço mente para os clientes dizendo ser do seu pai. Aliás, Freud talvez fosse capaz de explicar a necessidade que o personagem tem de reconstruir o seu progenitor através dos objetos comprados dos seus clientes.

É em meio a essas fixações e tensões que o filme se desenrola. Uma briga com a bunda, melhor dizendo, com a garçonete tira o personagem dos eixos e provoca uma reviravolta na trama. Uma mudança também acontece na relação de poder mantida com os clientes – o que acaba culminando no final impactante.

Com sua trama no mínimo peculiar, “O Cheiro do ralo” possibilita ao público uma reflexão inusitada sobre a nossa sociedade e as relações de consumo. Tudo isso com interpretações convincentes, especialmente de Selton Mello, que está excelente como o perturbado e perturbador Lourenço.

Trailer

Comentário: Esta resenha foi escrita na mesma leva da carta para Vladimir Herzog e para a mesma disciplina. Considero este texto um pouco inferior ao anterior e por algum tempo pensei em não publicá-lo no blog. Mas resolvi reavaliar esta decisão e  deixar que o leitor diga o que achou destas mal traçadas linhas…

Aquelas resoluções e as perspectivas para 2011

No dia 29 de dezembro do ano passado, este blog publicou uma série de frases á guisa de resoluções para este ano. 366 dias depois, é chegado o momento de fazer um balanço delas, do que foi cumprido e daquilo que virou apenas uma promessa desvairada…

Escrever mais regularmente neste blog.

Ao todo, foram nove textos em 2010. Com certeza, quando imaginei que deveria ser mais regular, não imaginava um número tão esquálido.  Desde o lançamento do Idéias e etc, foi o ano em que escrevi menos. Motivo? Poderia colocar a culpa na faculdade e no trabalho mas, para ser justo, a grande culpada atende pelo nome de preguiça! É uma vilã terrível, medonha mesmo. Ás vezes, até tive algumas idéias de textos, porém elas ficaram em algum lugar entre a determinação de escrever e o ânimo para começar a juntar as letrinhas. O ano que se avizinha, entretanto, não permitirá preguiça. Tenho um TCC pra fazer – mais sobre isso daqui a pouco! -, e precisarei de toda a disposição que tiver. Quanto ao blog, farei o possível para mantê-lo atualizado. Por mais irregular que isso pareça agora…

Transferir para o papel algumas idéias de texto de ficção que eu tenho.

Resolução parcialmente cumprida. Sim, algumas coisas já foram para o papel. Na verdade, para um arquivo de computador. Tenho alguns textos começados e outros ainda dentro da minha cabeça insana. Talvez, mostre alguns deles em breve nessas paragens. Outros, entretanto, permanecerão aguardando o momento de encontrar a luz do dia.

Tentar diminuir a imensa pilha de livros que eu tenho acumulados para ler.
Comprar alguns livros que eu quero muito ler e, assim, aumentar a pilha de livros acumulados para ler.

Resoluções plenamente cumpridas! Aliás, é o tipo de coisa que nem preciso de resolução para cumprir…

Ignorar as Xerox dos professores medíocres.

Cumprida integralmente! Tirei poucas xerox, apenas aquelas que me interessaram. Mas perdi a metade delas em alguma esquina da vida…

Ter alguma idéia genial para o TCC em 2011.
Tentar ter alguma idéia para o TCC 2011.

A primeira resolução ficou apenas em um sonho. Nada mais. Nenhuma idéia genial foi proporcionada pelos meus neurônios. Até tive algumas idéias, conversei sobre elas com professores e amigos; mas nada ainda muito definido, termino o ano sem saber direito qual o tema do meu TCC. Pretendo resolver essa pendenga em janeiro. Custe o que custar!

Sair mais com os meus amigos.

Resolução não cumprida. Infelizmente.  Até poderia tentar “enfeitar” a verdade, digamos assim, mas ficaria feio ser desmentido pelos amigos nos comentários. Eu não saí o suficiente com eles. E isso é mais culpa minha do que deles… Posso até escrever sobre isso… Quem sabe eu não mude essa situação no ano que se apresenta? Não, essas não são resoluções para 2011, ok?

Tentar me irritar menos com as presepadas cometidas pela imprensa (Será difícil, 2010 é ano eleitoral…)
Tentar não me irritar com as presepadas dos políticos no horário eleitoral. (Quase impossível…)
Tentar não me irritar com nenhuma presepada…
Evitar usar a palavra presepada.

Resolvi juntar essas resoluções-presepadas em um único bloco. Em um ano com direito a bolinhas de papel; convicções religiosas como tema de campanha e Tiririca ganhando a eleição, acho que não preciso dizer mais nada… Foi uma presepada atrás da outra!

Assinar um jornal diário ou revista semanal.

Resolução não cumprida! Assinava a excelente revista Brasileiros, que tem periodicidade mensal, porém a falta de tempo fez com que eu não renovasse a assinatura. Ainda tenho algumas edições não lidas…

Não fazer resoluções em 2011.

Esse texto não é uma resolução, mas uma prestação de contas, com você que me dá a honra de acessar esse blog e, principalmente, comigo mesmo. Não pretendo mais fazer resoluções. O meu amigo Vinicius Mendes escreveu no comentários das primeiras resoluções que não mais estabelecia metas. Eis as suas palavras: “Descobri que a vida te leva para outros rumos que você não espera, mas acaba aceitando por uma imposição bem maior que a nossa vontade” Faz todo o sentido. Em 2011, e daqui para a frente, deixarei que a vida me surpreenda, mostre os seus caminhos inusitados.

Um feliz 2011 para todos!

Categorias:Inclassificáveis

Carta aberta a Vladimir Herzog

São Paulo, 26 de novembro de 2010

Caro Vlado,

Resolvi escrever esta carta aberta para você. Eu também sou  jornalista e acho que a sua vida, e as circunstâncias de sua morte, nunca devem ser esquecidas. Elas trazem lições fundamentais para toda a sociedade. Para quem pretende se aventurar no jornalismo e até para quem não tem o hábito de ler jornais e revistas. O  que aconteceu contigo transcende a categoria profissional. E por uma razão muito simples: você é o exemplo maior das consequências nefastas da tortura perpetrada por um regime ditatorial.

E pensar que naquele fatídico 25 de outubro de 1975 você, certo que não devia nada para ninguém, se apresentou espontaneamente para os seus carrascos. E não havia mesmo razão para se preocupar. Afinal de contas sua ficha era limpa. Você foi morto por suas idéias, por fazer oposição a um regime que matava e torturava.

Um fator complicador era o seu cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura. Isso irritou muito a linha dura, Vlado. A tua morte serviu de mensagem do submundo dos porões aos generais que mandavam no país, e que iniciaram o processo de abertura “lenta, gradual e segura”. O recado foi: “Nós estamos vivos e não queremos largar o osso” .

Te torturaram, Vlado. Alguns dos teus amigos, que também foram presos e torturados, ouviram os seus gritos.  Os assassinos ligaram o rádio bem alto, mas não pararam com o suplício. A morte foi, de certa forma, um alívio diante daquela selvageria. E então começou o teatro e uma reviravolta nesse drama.

Os seus assassinos, certos que estavam sendo muito inteligentes, pegaram o teu corpo e iniciaram uma simulação de suicídio. Amarraram um cinto no seu pescoço – vestimenta que não fazia parte do uniforme dos presos! -, e a outra ponta foi presa nas grades de ferro da janela. Colocaram-no de joelhos e, por mais insólito que possa parecer hoje, tiraram uma foto.

Bendita foto!

Sim, bendita foto, Vlado! Essa imagem escancara, como poucas na história da fotografia, a truculência de uma ditadura e mais do que isso: a certeza da impunidade. Qualquer pessoa de inteligência média saca rapidamente que o ambiente foi forjado. Na verdade, não precisa nem ser muito inteligente né?E a mistificação não terminou aí: chamaram um médico legista amigo do aparelho repressivo, que chama-se ironicamente Harry Shibata, e este sujeito assinou o laudo pericial sem nem ver o teu corpo…

Mas esta fantasia toda não adiantou de nada. A sociedade não aguentava mais tanta truculência, tanto medo; as incertezas de viver no sufoco. No dia 31 de outubro de 1975, houve uma missa ecumênica em sua memória. O marco inicial de uma longa estrada que culminaria no fim do regime militar em 1985.  É bom deixar registrado que muitas pessoas inocentes ainda iriam morrer. No ano seguinte ao teu assassinato, o operário Manoel Fiel Filho também foi morto em circunstâncias muito parecidas com as suas. E no mesmo DOI-CODI.

É possível tirar algumas lições desse episódio. Para mim, uma das mais importantes é que sempre devemos enfrentar as adversidades com coragem. Não podemos ter medo de denunciar o que está errado; não podemos ter medo de expressar nossas ideias, mesmo que elas contrariem interesses maiores. Esse ainda é um grande problema do jornalismo brasileiro, Vlado.  Aqui entre nós, devo te confessar que algumas vezes tenho receio das consequências de algumas coisas que escrevo. Mas então lembro do que sucedeu contigo, lembro da coragem de outros colegas nossos e respiro fundo. É um esforço que vale a pena, certo? Muito obrigado pela atenção e por seu exemplo.

Sem mais,

Marcelo Martins.

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Comentário: a crônica  foi escrita para a disciplina de Técnicas de documentário. O filme produzido nela não foi lá essas coisas, mas o texto eu acho que ficou aceitável. Eu não nasci para o audiovisual mesmo…

Balanço do 2º turno – uma nota naúfraga

O segundo turno começou e já está quase acabando e eu nem comentei ainda o resultado do primeiro turno que teve a eleição do palhaço Tiririca por incríveis  – porém críveis -, 1 milhão 353 mil e 820 votos.  Ganhou, mas pode não levar pois os promotores ainda desconfiam que Tiririca é analfabeto. É aquela história de fechar a porteira depois que a boiada fugiu…

Eu tinha planejado um texto mais elaborado sobre esta campanha, porém, francamente, o (baixo) nível, as miudezas da disputa eleitoral – quantas bolinhas acertaram a careca do José Serra mesmo? – e quetais me desanimaram profundamente. Acompanho o noticiário político quase como um naúfrago; levado pelas ondas do oceano, sem grandes esperanças de navegar em mares calmos nos próximos tempos.

É só o que me ocorre escrever.

A bancada dos toscos (Ou: Pior que tá, pode ficar)

Vota no abestado, vota...

Tiririca, Simony, Ronaldo Esper, Kiko, Leandro, Maguila, Frank Aguiar, Marcelinho Carioca, Dinei, Juca Chaves, Mulher Pêra, Aguinaldo Timóteo, Romário, Tati Quebra Barraco, Netinho, o filho do Raul Gil, o marido da Mara Maravilha… este é o elenco de A Fazenda 3? Não, mas bem que poderia ser. Na verdade, essas figuras acima estão em busca de um cargo público nas eleições deste ano.

Este fenômeno, entretanto, não é recente. O próprio Aguinaldo Timóteo, que busca uma vaga para o Congresso Nacional usando como programa de governo sua amizade com Clodovil (?!!!!),  é um veterano nessa, digamos, carreira. O que parece ser novidade é a quantidade e, principalmente, a qualidade dos candidatos. Para pior, claro.

(Parêntesis: se tem uma propaganda que me irrita profundamente é a do marido da Mara Maravilha. No horário eleitoral, o sujeito fica calado deixando sua campanha aos cuidados de sua mulher. Quando ela fala, diz que se deve votar no seu esposo por ele ser um “servo de Deus”. Para início de conversa, o Estado brasileiro é laico, ou seja, o Brasil não tem nenhuma religião oficial. Depois, essa mistura de política com religião nunca deu muito certo. É a junção de uma escolha absolutamente particular – ter ou não ter uma fé religiosa -, com algo que é de interesse público, o processo eleitoral. Um completo absurdo. E o que dizer de um deputado que tem como mote de campanha a valorização do evangelho? Melhor fechar o parêntesis e voltar para nossa prosa)

Apesar dos pesares, é bom pensar um pouco antes de arremessar o tomate podre neles. Tiririca e companhia estão apenas usando de sua popularidade, em alguns casos bastante duvidosa, para conseguir a sua bocada dos cofres públicos. O raciocínio pode parecer cínico, mas ele só existe porque em outras eleições alguns desses candidatos foram eleitos com uma grande quantidade de votos. Os eleitores têm uma grande parcela de culpa nesse cartório.

Contudo, os grandes culpados por esse descalabro são os partidos políticos. Afinal, segundo a lei brasileira, só através deles alguém pode se candidatar numa eleição. E o cálculo político por trás dessa iniciativa é sórdido. Primeiro, essas celebridades são chamadas “puxadores de votos”, em outras palavras, sua função dentro do processo eleitoral é usar a sua popularidade para receber o maior número de sufrágios possível.

Para tanto, recebem números de fácil memorização. O Tiririca, por exemplo, é 2222 (pode anotar, se quiser…) O motivo? Simples. Graças ao bisonho quociente eleitoral, quanto mais votos um partido político receber mais chances de eleger deputados ele tem. E, caso tenha se entusiasmado e anotado o número do palhaço, saiba que as chances de você ajudar a eleger um mensaleiro é muito grande. É só reparar nos companheiros de partido de Tiririca…

E a pouca vergonha continua depois da eleição. Essas (pseudo) celebridades têm, com poucas exceções, um nível baixíssimo de cultura e de ensino. Não existe nessa afirmação nenhum intuito de diminui-los, é apenas uma constatação que torna ainda mais calhorda a atitude dos partidos políticos. Para você ter uma idéia, clique aqui e veja uma entrevista inacreditável com o Tiririca publicada na Folha.com. Ela fala por si só.

A primeira conseqüência desse baixo nível cultural é simples de entender: sem nenhuma noção sobre política ou sobre o funcionamento das casas legislativas, essas personalidades viram verdadeiros mísseis teleguiados nas mãos das raposas velhas da política, fantoches que serão utilizados para fazer valer os seus interesses. Sem falar que o debate público que, via de regra, não é lá muito produtivo, fica ainda mais medíocre.

Existe alguma solução para esse drama? O primeiro caminho mais óbvio, que seria simplesmente proibir a candidatura dessa fauna, me parece pouco democrático. Nossa constituição garante que todos podem votar e se candidatar e, apesar de tudo, essa ainda é uma das maravilhas da democracia.

Só existe uma maneira para remediar essa solução e ela está em você, leitor/eleitor. Sim, em você mesmo. Na sua consciência. Na hora de votar em um candidato tosco, pense duas vezes. Só quando essas figuras começarem a não conseguir mais se eleger é que os partidos políticos – os verdadeiros vilões desse dramalhão-, vão se tocar desse absurdo. Esse é um sonho utópico, sei bem disso. Talvez, só no longo prazo o brasileiro vai se tocar que não deve fazer piada com o seu voto.

Por enquanto, proponho uma brincadeira: vamos fazer um bolão para ver quantos e quais dos candidatos toscos elencados no primeiro parágrafo vão se eleger no dia 2 de outubro. Minhas apostas são: Tiririca, Ronaldo Esper, um dos KLB’s, não importa qual, Frank Aguiar, Aguinaldo Timóteo Netinho e Romário. Com a apuração encerrada, o Idéias e etc divulgará o resultado da brincadeira. Se nenhum deles se eleger, nós ganharemos um congresso um pouco menos esculhambado que o habitual; se eles se elegerem, nós vamos ganhar uma TV Câmara bem mais divertida que o costumeiro. Façam suas apostas!

Entidade surge para confrontar grande mídia

Altercom é fundada por sessenta empresários da imprensa alternativa em São Paulo. Associação reivindica divisão igualitária da verba pública

Altercom. Esta é a sigla da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação, entidade fundada em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 2010. A organização reúne sessenta empresários donos de jornais, revistas, editoras, sites e produtoras de vídeo da chamada imprensa alternativa.

O projeto ainda é embrionário, mas já tem objetivos bem definidos. Segundo Eduardo Guimarães, ativista político e um dos sócios-fundadores da Altercom, “a ideia é a de uma organização que seja o contraponto de outras da grande mídia, tal como Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão] e ANJ [Associação Nacional de Jornais] só que dando vez e voz à mídia dita alternativa”, explica.

A principal reivindicação da entidade está relacionada com a divisão das verbas públicas oriundas da propaganda do governo que, de modo geral, fica concentrada na grande mídia. Sem esse dinheiro, parte das publicações não conseguem sobreviver, pois os anúncios da iniciativa privada quase inexistem nesse tipo de meio.

Para Hamilton Octávio de Souza, editor-chefe da revista Caros Amigos, um dos principais veículos desse segmento, a distribuição igualitária da verba torna o jornalismo mais democrático. “Por que as verbas públicas vão para a TV Globo e por que não vão para os veículos pequenos? A preocupação principal não é a orientação ideológica, o importante é fazer pressão para que você consiga ampliar a participação democrática dos meios, que eles possam sobreviver e possam ter uma atuação”, garante.

Ainda segundo Hamilton Octávio, a linha ideológica das publicações, que fazem parte da Altercom, foi um dos pontos discutidos nas reuniões sobre a entidade. Existiam dois pontos de vista distintos: para o primeiro, apenas órgãos com uma postura muito clara de esquerda poderia entrar. O segundo defendia que não deveria existir discriminação ideológica. Essa última visão ganhou o debate. “No grupo tem alguns veículos que não são de esquerda e não defendem o socialismo. Mas são veículos pequenos e são contra o monopólio da grande imprensa”, diz Octávio.

A discussão acima permite levantar uma questão importante: quais são as características de um meio de comunicação para ser considerado imprensa alternativa? Para o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, autor do livro “Jornalistas e Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa”, que é resultado do seu doutorado sobre a atuação desse tipo de publicação durante a ditadura militar de 1964, as características mudam dependendo do período estudado. “Em cada tempo é uma definição. Mesmo assim, em termos gerais, pode-se dizer que uma publicação é alternativa quando seu conteúdo se contrapõe à ideologia e aos valores dominantes na grande mídia”, analisa Kucinski.

A revista Caros Amigos é um dos exemplos mais duradouros de imprensa alternativa no Brasil. Foi fundada em abril de 1997, pelo jornalista Sérgio de Sousa, que passou por várias dessas publicações durante o regime militar. Para Octávio, a revista surgiu com a intenção de se contrapor ao neoliberalismo. “Você estava em um momento em que o pensamento único imperava em todos os ambientes. A Caros começa a reunir pessoas que querem escrever com total liberdade, podendo criticar e refletir sobre essa situação”, garante.

A revista pode ser dividida em dois blocos: o primeiro é formado pelos colaboradores que vão do senador Eduardo Suplicy ao ex-presidente de Cuba Fidel Castro. O segundo é composto das entrevistas e reportagens produzidas pela redação. Quando assumiu o cargo de editor, há um ano, Hamilton Octávio resolveu privilegiar esse último segmento. “O leitor se cansa dos colaboradores e eles acabam sendo muito repetitivos. Você já sabe o que cada um vai escrever. Como é que você chama o leitor para a revista? Pelos artigos dos colaboradores é muito pouco, você tem que chamar pelas reportagens e entrevistas.”

Juntando assinantes e bancas de jornal, Caros Amigos vende 20 mil exemplares por mês no Brasil todo. Outra fonte de renda, a captação de anúncios, é bastante irregular. “Tem edições que têm oito, outras têm seis anúncios pagos e outras que não têm nenhum anúncio. Na média do ano, temos seis páginas de anúncios por edição”, contabiliza. É esse dinheiro que permite gerar algum superávit para saldar a dívida com bancos e gráficas. As dificuldades não impedem o editor de exaltar a qualidade da revista. “Nós sabemos que o que estamos fazendo tem um sentido político relevante. É um material sério, honesto, importante para o conhecimento da sociedade brasileira”, finaliza.

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Comentário: A reportagem acima foi escrita para a disciplina de jornal laboratório e, dentro de um semestre complicado em termos de trabalho,  foi uma das melhores coisas que fiz. O texto da matéria é praticamente o mesmo que eu entreguei para os professores, a única mudança está no verbo usado no título. Na versão original, optei por “contrapor”, mas tantos amigos, como professores acharam essa solução fraca. E eu concordei com eles. Existem outros pequenos defeitos na matéria acima, em especial no lead que poderia ser mais forte – ter “news” como diria o meu amigo Eduardo Vasconcelos. Mas estamos na faculdade para isso mesmo, né? Aprender, acertar, errar, crescer nessa profissão complicada que é o jornalismo. Em tempo: uma das coisas mais batutas dessa reportagem foi conhecer a redação da Caros Amigos. Ela não é nem sombra do que já foi um dia, porém a conversa com os seus atuais responsáveis foi bem bacana.

Algumas considerações sobre a Copa do Mundo (sem patriotadas!)

HHHHAAAJJJJAAAAA CORAÇÃÃÃOO, AMIGO!

Cante comigo: “A taça do mundo é nossa/ Com brasileiro não há quem possa/ Êh, eta esquadrão de ouro/ É bom no samba, é bom no couro” Outra música, agora em ritmo de marchinha: “Somos milhões em ação/ Pra frente Brasil, no meu coração/ Todos juntos, vamos pra frente Brasil/ Salve a seleção” Brasil..  sil… sil…

Ano de copa do mundo é sempre a mesma coisa. As calçadas pintadas de verde e amarelo; as bandeiras do Brasil que tremulam em todos os cantos,  um vulcão de patriotismo que entra em erupção de quatro em quatro anos. Uma nação reunida para torcer para o escrete canarinho. Pra cima deles, Brasil!!!! Quem não se comove com tanta vibração, com tanto amor pela pátria?

Eu…

Sinceramente, acho muito fake esse patriotismo de ocasião, esse repentino amor que emerge pela pátria idolatrada. E nem vale a pena comentar as patriotadas do Galvão Bueno, que quebra todos os recordes de ufanismo retardado quando a seleção entra em campo. HHHaaaajjjaaaa paciência, amigoooo!!!

Vamos analisar os fatos com um pouco de sangue frio, sem tanto “oba-oba”. Comecemos pelo escrete canarinho que é, afinal de contas, a razão de tudo isso.Faz um bocado de tempo que eu não tenho o mesmo vínculo com a Seleção brasileira de futebol. Olhando hoje a escalação, não reconheceria boa parte dos jogadores se encontrasse com algum deles andando na calçada. Não é difícil imaginar a razão. A seleção se transformou em uma legião estrangeira, que se reúne de tempos em tempos para bater uma bolinha e, principalmente, ganhar rios de dinheiro com patrocínios e amistosos caça-níqueis como o de segunda feira passada, contra o Zimbábue.

E ouso dizer que eu não estou isolado nesse sentimento. Você, leitor, prefere torcer para o seu time do coração ou para o escrete canarinho? Fico com a primeira opção sem pestanejar. Afinal de contas, quando o meu time ganha sempre poderei comemorar a vitória e, depois, sacanear o adversário. Com a seleção brasileira, isso é impossível. Se o time de Dunga perder a Copa, todo mundo mergulhará em uma pequena depressão coletiva que durará uma semana, ou um pouco mais. Se vencer, acontecerá o contrário: uma euforia coletiva que vai durar até passar a ressaca do dia seguinte na maior parte dos casos.

Aproveito a oportunidade para fazer uma modestíssima recomendação aos meus coleguinhas na Africa: levem um capacete na coletiva de imprensa que acontecer depois do último jogo do Brasil na Copa. Se o selecionado canarinho vencer, o técnico anão arremessará a taça na cabeça de vocês, em represália ao que ele considera um péssimo tratamento ao seu time; se perder, ele arremessará todos os microfones por vocês terem razão nas críticas. Quem avisa amigo é…

Conselhos à parte, e apesar desses pesares, eu gosto do evento Copa do mundo. Até o momento, os jogos não empolgaram, mas com a aproximação das partidas decisivas, a coisa certamente mudará de figura. E o fato da Africa ser o país sede, torna tudo muito mais interessante por tudo o que esse continente significa do ponto de vista político e histórico. Ah, e sempre poderemos sair mais cedo do serviço devido aos jogos da seleção brasileira! Pronto, encontrei uma excelente razão para torcer pelo time do Dunga nessa Copa!

Uma causa nobre

Para mim, poucas causas merecem um abaixo assinado. Ela precisa ser urgente, fazer a diferença para a sociedade e, sobretudo, precisa ser nobre. Muito nobre.  Hoje, eu participei de um abaixo assinado. E a causa não poderia ser mais nobre: a abertura dos arquivos da ditadura militar.

Descobri sua existência através de um comercial que foi veículado antes dos trailers do cinema. O filme, estrelado por Fernanda Montenegro, é uma porrada! A atriz encarna Sonia de Moraes Engel que foi assassinada pelo regime de 64. Simples, direto, emocionante. E a grande dama do teatro brasileiro não cobrou nada para fazer essa peça publicitária. Outros atores também doaram o seu talento por essa causa: Glória Pires, José Mayer, Mauro Mendonça, Osmar Prado e Eliane Giardini. Cada um interpreta um desaparecido político que, ao fim de um breve histórico, pergunta olhando para a cara do espectador: essa tortura nunca vai acabar?

Ótima pergunta. Sim, porque parece que o governo federal empurrou com a barriga essa história até onde foi possível. E foi uma das grandes frustrações que tive com a atual administração. Sinceramente, não esperava grandes mudanças no terreno econômico, mas o presidente deveria ter culhões para iniciar esse processo. Lula seria um dos poucos com cacife popular, e moral, para isso. Mas preferiu não colocar a mão nessa cumbuca.

E já que estamos em ano eleitoral, eu adoraria ver a posição dos presidenciáveis sobre o tema. Tanto Serra como Dilma, em especial esta segunda, que teve uma posição destacada na luta contra o regime, deveriam responder claramente essa questão. Embora, para ser franco, não vejo muito sinal de mobilização do poder público.

É por isso que essa campanha, capitaneada pela OAB-RJ, é tão importante. Só a mobilização e a conscientização da sociedade pode gerar alguma mudança. Abaixo, você ficará com o comercial estrelado por Fernanda Montenegro que dispensa maiores apresentações. Clicando aqui você pode assistir aos outros filmes. Para participar desse abaixo assinado é muito fácil. Basta clicar no gif que está na coluna ao lado, dentro da caixinha “Causa nobre” que abrigará todas as campanhas que este blog julgar relevantes.

Novo layout

Ah, sim, você leitor habitual deve ter reparado que o Idéias e etc está de cara nova. Gostei muito deste template e resolvi experimentá-lo. Embora seja impossível mexer no cabeçalho, ele me pareceu muito moderno e simples, o que me pareceu um ótimo custo/benefício. Mas como esse blogueiro é democrático, gostaria de ouvir o que você, simpático freguês, achou do novo visual. A caixa de comentários é serventia da casa.